Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Maria de Fátima Araújo
faraujo@originet.com.br:

Negociação e Contradição em Díades Amorosas
Berenice Alves de Melo Bento

beremelo@uol.com.br

Fruto de uma pesquisa mais ampla sobre subjetividade masculina, que resultou na dissertação de mestrado, a comunicação terá como foco a questão do poder nas díades amorosas. A partir da análise qualitativa das entrevistas com homens e mulheres pertencentes à camada média urbana de Brasília, concluímos que embora a ideologia igualitária normatize idealmente estas relações, aquilo que se convencionou denominar de ideologia hierárquica também atua nas subjetividades desses atores, provocando conflitos e disputas pautadas por constantes negociações e contradições. Notamos que quando se está negociando a administração do doméstico há um espaço maior para negociação, ao contrária da sexualidade, pois aí, tanto os homens quanto as mulheres assumiram a dificuldade em verbalizar para o (a) parceiro (a) seus desejos e inseguranças. Ou seja, há uma oscilação entre os mapas ideológicos. Isto nos levou a qualificar tais relações nem como hierárquicas nem igualitárias, mas como "relações contraditórias".

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Sexualidade Feminina em "Lavoura Arcaica": o sublime e o incestuoso
Maria Salete Daros de Souza

dsouza@ilhadamagia.com.br

A sexualidade feminina, em Lavoura arcaica, de Raduan Nassar, transita entre o sublime e o incestuoso. Ao lugar estereotipado e quase oculto, ocupado pela figura materna, a voz masculina do narrador reserva, em contrapartida, um espaço de sensualidade explícita e incestuosa para Ana, a irmã. Contraditoriamente, as personagens, em algum momento, cruzam a condição feminina da sensualidade, da sedução e da maldição. Se são opostas as representações da sexualidade na obra, se entre o sublime e o incestuoso antagonizam-se os extremos, por outro lado, a própria condição de gênero de alguma forma os aproxima. Prenunciado, através de indicações anteriores, dá-se, finalmente, o comprometimento sutil do mito materno, têm lugar as contradições, os conflitos e, com peso de incesto e de morte, uma forte sensualidade feminina evidencia-se.

Gênero e Amor: uma perspectiva de história sócio-cultural e das emoções
Maria de Fátima Salum Moreira

msalum@zipmail.com.br

Nesta comunicação apresento resultados de estudos que foram desenvolvidos em minha tese de doutorado em História Social, na Universidade de São Paulo. Abordo a temática dos processos de constituição do sujeito amoroso nas sociedades ocidentais, procurando reconhecer as relações entre as representações do amor-paixão-romance, as mobilidades nas relações de gênero, no contexto do desenvolvimento urbano-industrial no Brasil, e o empenho da Igreja Católica em intervir na formação e educação do amor conjugal. A luta pela determinação do lugar e os usos dos sentidos e das emoções, por um lado, e dos ditames da razão, por outro, nesse âmbito da vida social, indicam que as tensões aí vividas não estão referidas apenas aos modos como homens e mulheres conduzem a sua vida mais íntima e pessoal, mas, também, aos modos como atuam e ordenam a sua vida social e política mais ampla.

Amar Uma Mulher: vivências do adolescente e do idoso
Mária Lúcia Tiellet Nunes et alli

tiellet@pucrs.br

Difícil de definir, complicado para viver, essencial para a saúde mental, é o amor. Neste estudo 2 adolescentes (15 e 16 anos), dois idosos (81 e 91 anos), foram entrevistado sobre a experiência de amar uma mulher. A análise de conteúdo das entrevistas em profundidade revelou como é difícil definir este sentimento e expressá-los para terceiros, a importância de amar e as diversas manifestações do amor de um homem por uma mulher. Os achados são discutidos com base na psicologia do desenvolvimento, na psicologia do amor e nos estudos da masculinidade.

A Sexualidade no Casamento Contemporâneo. Uma análise à luz das diferenças de gênero.
Maria de Fátima Araújo

faraujo@originet.com.br

Estudos recentes têm apontado uma tendência do casamento contemporâneo fundamentar-se mais no companheirismo e na amizade do que no amor romântico ou no amor-paixão. Isso não quer dizer que a sexualidade não tenha um lugar importante nos casamentos de hoje. Não mais atrelada à função reprodutiva, tornou-se um lugar de prazer e não de obrigação. As mudanças atuais ocorridas nas relações de gênero sob o impacto das revolução sexual, do feminismo, do movimento dos homens, das novas tecnologias de concepção e contracepção, bem como das recentes revoluções no mundo do trabalho e demais transformações sociais, econômicas e culturais, têm produzido profundas mudanças na vivência da sexualidade de homens e mulheres dentro do casamento. Muitos estereótipos atribuídos à sexualidade masculina e feminina estão sendo desconstruídos e reconstruídos sob novos valores, práticas e comportamentos.




Esta página foi desenvolvida por Rita Maria Xavier Machado e Anacris de Oliveira