Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Maria Taís de Melo

"A gente não incentiva, mas também não bloqueia": investigando processos de inclusão/exclusão do jovem pai nos programas de atendimento à saúde reprodutiva.
Adriano Henrique Nuernberg

A participação masculina na esfera da reprodução e dos cuidados infantis tem sido um tema emergente no campo interdisciplinar dos estudos de gênero. Diferentes autores dedicam-se a esse tema, ora destacando o aparecimento do "novo homem", mais próximo do âmbito privado e portanto interessado nestas questões (Nolasco 1999), ora tratando o homem como sujeito de direitos reprodutivos, ou seja, como ser atuante e decisivo nos processos relacionados à reprodução (Medrado 1999). Neste estudo, investiga-se o "lugar" do jovem pai nos programas públicos da Grande Florianópolis voltados para a atenção à saúde reprodutiva. Através da análise de entrevistas com os usuários e profissionais dos programas e de observações sistematizadas de "grupos de gestantes" ou de "casais grávidos", procura-se verificar a existência de espaços destinados à inserção do jovem pai, identificando as atribuições de "responsabilidade", "direitos" e "deveres" atribuídos a este. Verificamos que a postura dos profissionais explicita a falta de preparo destes para a inclusão dos jovens pais em suas práticas de promoção de saúde, compreendo ainda o pai como sujeito coadjuvante do processo de gestação e desenvolvimento da criança

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* Coordenadora do Projeto de Pesquisa
** Auxiliares de Pesquisa
Financiamento: Fundação MacArthur/FCC

Maternidad Adolescente en Sectores Populares: Una cuestión de género?
Cristina Pisani


Este trabajo tiene como propósito exponer algunas reflexiones acerca de la investigación sobre las "representaciones sociales de la maternidad en adolescentes de sectores populares de la ciudad de Rosario (Argentina)". La sociedad y la cultura proponen determinados modelos de "familia" y de "la maternidad". De esta manera cada grupo social se apropia de estos contenidos culturales construyendo sus propias representaciones sociales. La pregunta sobre por qué ocurren los embarazos en la adolescencia no tienen una sola respuesta, los factores sociales, culturales e individuales influyen y se expresan diferencialmente en la conducta de mujeres y de varones. En los sectores populares el género incide en la elección de la maternidad.

Um estudo sobre gravidez na adolescência no Hospital Regional de São José
Maria Taís de Melo


No HRSJ, em 1998 foram realizados 870 partos em adolescentes menores de 19 anos, representando um índice de 23% dos partos realizados neste ano. No Ambulatório de Adolescentes do HRSJ, foram acompanhadas pela pesquisadora, de março de 98 a maio de 99, 110 moças no período grávido-puerperal, através de reuniões mensais, utilizando a técnica de dinâmica de grupo. Observou-se que: 90% das adolescentes nunca havia usado preservativos ,80% não estava estudando e 77% não planejou a gravidez . As grávidas verbalizaram sentimentos de medo do parto e ansiedade em relação a troca de papéis. As puérperas relataram insegurança nos cuidados com o bebê, sentimentos muitas vezes reforçado por figuras próximas, que acabaram assumindo a maternagem das crianças. As adolescentes acostumadas ao cuidado de irmãos ou outras crianças, incorporaram rapidamente seu novo papel e algumas até faziam planos de engravidar novamente.

Casais vivendo a gravidez na adolescência: um estudo de caso
Mariza Spanguero Ferreira

smariza@hotmail.com

Analisa a vivência da Gravidez na Adolescência buscando identificar que aspectos são constitutivos do comportamento sexual-reprodutivo em casais de adolescentes, que os impedem de se prevenir de uma gravidez indesejada. Investiga se a educação sexual recebida na família e na escola promove ou não a apropriação do conceito de contracepção. Considera a gravidez na adolescência uma construção histórico-cultural, não podendo sua análise ficar isolada das condições materiais e sociais que a produzem. Utiliza o método de Estudo de Caso com entrevistas semi-estruturadas em casais grávidos na faixa etária de 14 a 19 anos. Constata que a sexualidade entre os adolescentes é vivenciada de uma forma que não aproveita as informações obtidas, bem como a promoção do sujeito capaz de auto-regulação da sua experiência sexual e reprodutiva. A inclusão dos pais adolescentes no estudo, embora difícil, contribui para iluminar algumas das questões de gênero que perpassam a relação dos casais

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Gravidez na Adolescência e Reconhecimento Social
Renata Borges

reborges@matrix.com.br

Este trabalho faz uma abordagem da adolescência, procurando compreendê-la desde uma perspectiva histórica, permitindo assim, a contextualização da gravidez que ocorre neste período. Sob a ótica da Teoria do Reconhecimento Social procuramos perceber que a gravidez e maternidade representam para as adolescentes a possibilidade de reordenamento da vida cotidiana, fornecendo-lhes reconhecimento na esfera íntima e privada. Desta forma, sugerimos que uma política para a adolescência deva abarcar a perspectiva de gênero e seja condizente com as mudanças de comportamento observadas entre as camadas jovens nos dias atuais.




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