Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Marlene Neves Strey
streymn@pucrs.br
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A mulher na Primeira República e o trabalho docente
Lenira Weil Ferreira


Na primeira República, no Rio Grande do Sul, especialmente nas duas primeiras décadas - as quais se caracterizaram pelo início do movimento da classe operária e pelos primórdios de industrialização no país, submetido à política positivista - o ingresso das mulheres no magistério nas Escolas Elementares provocou mudanças sociais que garantiram um espaço feminino de atuação, até então marcado pelo modelo vitoriano. Porém, mesmo que a inserção da mulher no mercado de trabalho tivesse representado uma inovação social provocada pelo ideário positivista, esta não chegou a produzir alterações no modelo tradicional das escolas, nem na prática pedagógica adotada até então, uma vez que não possibilitou com que se desvinculasse a figura feminina da função materna que a sociedade da época corroborava.

 

Lá vem a diretora: chiliques, broncas ... mas, até que ela é uma boa pessoa! Representações de diretores/as de escola na literatura Infanto-Juvenil.
Lúcia Elena Matos Amaro

luciaema@zaz.com.br

A partir da seleção e análise dos livros de literatura infanto-juvenil procuramos por regularidades nas representações que estão sendo produzidas através de suas histórias. Em que momentos a diretora/diretor aparece nas narrativas? Como é narrada/o, descrita/o? Por quem? Em que situações? O que se espera dela/e? São lugares, espaços discursivos, ocupados ou não nas narrativas, que vão marcando e sendo demarcados e, assim, construindo formas de se ver, de se pensar esse sujeito, de construir suas identidades. Relações de gênero e relações de poder marcam estas representações que atribuem especificamente à diretora determinadas características, formas de ser e de agir - de se relacionar e de se portar - na instituição escolar e que dizem respeito ao controle de si e dos outros. Berros e chiliques: uma das formas de exercer o controle ou que marcam a perda ou o medo de perder esse "controle".

Profissão Mulher: implicações de gênero na escolha pela pedagogia
Petra Ramalho Souto et alli

petrasouto@bol.com.br

Este trabalho resulta de uma pesquisa com as licenciaturas da UFPB - Campus I e se fundamenta na Teoria das Representações Sociais (Moscovici, 1961). Objetiva analisar as implicações de gênero na escolha profissional pela atividade docente no discurso de licenciandas em Pedagogia. A profissão de pedagogo/pedagoga é associada à mulher, pelas características pessoais extraídas do estereótipo sexista, manifestas na capacidade de melhor lidar com emoções, em oposição à racionalidade atribuída aos homens. Nas representações sociais estudadas, o ser pedagoga é respaldado por aquele estereótipo. A continuidade do doméstico direciona a mulher para a Pedagogia. Nos discursos das alunas, manifestam-se ambivalências e ambigüidades na insatisfação com o ser pedagoga, que, são entendidas como resultado das imposições advindas das condições historicamente construídas para o ser mulher. São discutidos aqui este e outros elementos.

Gênero, Desvantagem, Educação e Trabalho
Marlene Neves Strey

streymn@pucrs.br
O presente estudo procura estabelecer uma relação entre a educação formal e o trabalho, no que diz respeito à atuação profissional das mulheres. Debate as conseqüências da dicotomia de gênero, associada a outras determinações sociais, nas possibilidades que as mulheres têm, ou deixam de ter, tanto de acercar-se, como de desenvolver-se no mercado de trabalho, em uma época de transformação drástica dos paradigmas de compreensão da realidade. O impacto do gênero sobre o sexo feminino não é uniforme e consistente, mas se mescla e não pode ser dissociado dos limites da raça, classe, religião, etc. As contradições fazem parte de qualquer seqüência da vida humana e isso se faz presente de maneira ineludível nas práticas disciplinares escolares, e que mais tarde irão se apresentar na base das práticas profissionais das mulheres.



Esta página foi desenvolvida por Rita Maria Xavier Machado e Anacris de Oliveira