Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Martha Célia Ramirez
marthace@obelix.unicamp.br

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O Mito de Lilith na Telenovela Suave Veneno
Cláudia Rejane do Carmo

clazu@zaz.com.br

Este texto analisa a presença do mito de Lilith em Suave Veneno a partir da perspectiva de que os discursos de gênero, estabelecidos em nossa sociedade, configuram-se tanto nas estruturas objetivas quanto nas representações da realidade. A proximidade existente entre o mito feminino e a personagem Maria Regina é reveladora de uma ordem simbólica de gênero, inserida na telenovela, pautada na relação de dominação do masculino sobre o feminino. O final trágico destinado a estas duas personagens, a do mito e a da telenovela, informa o resultado da insubordinação feminina frente aos poderes paternos, agindo pedagogicamente na (re)criação, naturalização e manutenção da política de gênero.

O Discurso da Mídia Sobre 'Ser Pai': Reprodução x Transformação
Inês Hennigen

ihennigen@cpovo.net

Os estudos de gênero romperam com a compreensão naturalista da paternidade, alçada à condição de categoria historicamente construída. Tradicionalmente, quando se pesquisava sobre o pai era em referência ao/à filho/a; contudo, recentemente, já aparecem estudos que se propõe a investigar a (nova) paternidade centrando-se nas construções subjetivas dos homens. Tendo como referência o construcionismo social, este trabalho pretende iniciar uma discussão sobre a influência da mídia na construção da identidade de pai. Neste sentido, buscará analisar os significados que as produções midiáticas têm oferecido, direta ou indiretamente, sobre ser pai. Pode-se perceber que os repertórios dessas produções oscilam entre a posição do pai provedor/distante e outras que possibilitam ressignificações, muitas vezes coexistindo na mesma peça.

O 'Natural' nas Relações de Gênero
Lisiane Koller Lecznieski

lisi@astro.ufsc.br

Neste trabalho proponho algumas reflexões sobre como a "paternidade", enquanto categoria geral, tem sido reelaborada no mundo contemporâneo, colocando-nos novas questões acerca de como as relações de gênero e parentesco tem sido construídas e experienciadas por diferentes grupos sociais. Centrarei a atenção nos deslocamentos sucessivos de categorias que considero centrais neste debate: as relacionadas com o mundo "natural" e das "emoções", até recentemente relacionadas estritamente com o mundo feminino, que passam agora a integrar, de forma significativa, os discursos em torno do "novo homem" e do "novo pai". Veremos como as bases do parentesco contemporâneo tem oscilado, ora pendendo para o social (construído), ora para o natural (biológico/genético).

"Prelúdio de uma Voz Oculta"
Zilma Gesser Nunes

zilma@cce.ufsc.br

A presente comunicação traz à tona o nome do poeta catarinense Ernani Rosas (1886-1955). Escritor de vasta produção, sem nunca ter publicado, surge no cenário das letras graças ao esforço de alguns pesquisadores que se aventuram à tarefa de decifrar manuscritos, calados em acervos, que guardam parte da história literária catarinense. A idéia principal, a ser aqui desenvolvida, trata desse ocultamento do poeta e de fatores que o teriam determinado. Uma das hipóteses do seu "ofuscamento" teria sido o brilho do nome do pai, Oscar Rosas, também escritor. De forma camaleônica e no esforço de se fazer ouvir, utiliza-se de pseudônimos e modifica a letra conforme a assinatura. Ilustrativo é o exemplo do pseudônimo feminino: Alda Trigueiros. Nos textos assinados por Alda, as formas arredondadas tentam caracterizar uma escrita feminina.



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