Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Maria Teresa Citeli
teciteli@usp.br

Hetero ou homo: uma relação entre homens
Juliana Cavilha Mendes

jcavilha@yahoo.com

Neste trabalho meu objetivo foi de investigar o imaginário masculino e verificar o simbólico presente neste imaginário, com especificamente a pergunta: o que levaria um homem heterossexual, de nossa cultura, a manter relações sexuais com outro homem.
Trabalhei neste sentido, na tentativa de responder a esta pergunta com três hipóteses: os homens transam com outros homens por estarem limitados a uma situação que nega a eles um encontro heterossexual, por um fator que determina a relação sexual entre homens como produto da própria hierarquia, ou ainda por uma questão de poder, para mostrar quem é o mais forte numa relação. Para a investigação destas hipóteses, elaborei pequenas historias em quadrinhos, cujo pano de fundo era um presídio masculino, esta situação imaginária permitiu a manipulação de um número maior de variáveis para a investigação.

As relações de gênero na pesquisa de campo.
Rita de Cássia Marchi

colibri@ieg.com.br

A presente comunicação tem por problemática as relações de gênero na situação social específica da pesquisa de campo. Discute como a condição de gênero interfere, de forma a dificultar ou facilitar, na obtenção de dados e nos resultados da pesquisa. A partir da experiência de pesquisa sobre "meninos e meninas de rua" em Florianópolis, discute-se as dificuldades que a condição de mulher gerou à um trabalho considerado impróprio para mulheres. A reflexão sobre o processo de "entrada e aceitação" do pesquisador, enquanto tal e como pessoa, num universo estranho, demonstram que, como situação social específica, a pesquisa pode também ser entendida sociologicamente. Cruzada à questão do gênero vemos acionada aqui a gramática dos espaços na oposição binária do código da casa (feminino-ordenado-puro) ao código da rua (masculino-desordenado-impuro).

Duas Faces de uma Pesquisa de Campo
Rita Maria Xavier Machado

ritax@matrix.com.br

Este trabalho discute procedimentos metodológicos utilizados para a elaboração de uma dissertação de mestrado. Propõe-se a relatar as dificuldades inesperadas surgidas durante a execução da pesquisa de campo, em função do envolvimento da pesquisadora com o objeto de estudo. O fato de pertencer ao grupo enfocado pela pesquisa, se por um lado operou como um agente "facilitador" do acesso aos informantes, trouxe, por outro, problemas relacionados à manutenção do sigilo das fontes e ao desconforto da pesquisadora com a possibilidade de estar provocando, nos sujeitos entrevistados, a revivência de situações críticas e angustiantes. Constitui-se numa reflexão sobre o difícil processo de tornar estranho o familiar.

Biologia em ação: teorias sobre gênero, corpo e comportamento humano
Maria Teresa Citeli

teciteli@usp.br

Desde o final o século passado, quando Darwin publicou suas obras sobre evolução, mulheres cientistas têm reagido adotando basicamente duas perspectivas: enquanto algumas negam o potencial das ciências biológicas para explicar arranjos sociais, outras reinterpretam estudos da Biologia sobre diferenças sexuais, admitindo que estes podem explicar comportamentos humanos e desigualdades sociais. Procurando entender de que maneira as diferenças vigentes nas sociedades são atribuídas ao corpo humano, o presente trabalho discute vertentes teóricas da recente produção das ciências biológicas e sociais, que visam afirmar ou negar a plausibilidade de teorias que invocam diferenças sexuais presumidamente localizadas no corpo (cérebro, genes e fisiologia masculina e feminina) para explicar possíveis variações das habilidades, capacidades, padrões cognitivos e sexualidade humana. Registra, ainda, a repercussão de perspectivas essencialistas na agenda da mídia nacional e internacional.



Esta página foi desenvolvida por Rita Maria Xavier Machado e Anacris de Oliveira