Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Karin Ellen von Smigay
ksmigay@uol.com.br

Relações de Gênero no Discurso Jurídico: entre ofendidas e acusados
Eva Lúcia Gavron

evagavron@yahoo.com.br

A presente comunicação tem por objetivo enfocar as relações de gênero presentes no discurso jurídico, tendo como fonte os processos de crimes de defloramento (Art.267 - Código Penal Republicano de 1890), registrados em Florianópolis na década de 1930. A análise do discurso se concentrará nas sentenças aplicadas pelos juízes da 2ª. Vara Crime. Esse discurso entendido enquanto legitimador, procura normatizar os comportamentos considerados adequados à conduta feminina e nesse sentido, as sentenças efetuadas fornecem subsídios para vislumbrar estas diferenças nas relações de gênero, percebidas como desiguais e discriminatórias .

Mulheres que Matam: uma versão feminina
Débora Savi

deborasavi@terra.com.br

A leitura do ensaio Mujeres que matan de Josefina Ludmer fez-me refletir e estudar mais de perto escritoras brasileiras. Nesse ensaio, Ludmer admite não conhecer na Argentina um romance em que a protagonista mata em 1ª pessoa. Ela afirma ter visto apenas em Arráncame la vida de Ángeles Mastretta, escritora mexicana e a qual estudo. Esse ensaio fez-me lembrar então de Patrícia Melo, escritora brasileira, em seu livro Elogio da mentira em que isso parece vir acontecer. O que me proponho é demonstrar que o trabalho de Mastretta não é o único e que a escritura feminina começa a ter um novo espaço na literatura latino-americana.

"Decisões Judiciais em Casos de Estupro como parte de uma Pedagogia do Comportamento"
Débora de Carvalho Figueiredo

debora@cce.ufsc.br

O presente trabalho, baseado nas teorias da análise crítica do discurso, de estudos de gênero e de estudos jurídicos feministas, investiga o discurso judicial utilizado em 50 decisões britânicas de apelação em casos de estupro. O objetivo deste trabalho é investigar o papel desempenhado pelo discurso de decisões de apelação em casos de estupro em processos sociais de educação, supervisão, controle e punição do comportamento social e sexual de homens e mulheres. No que concerne à metodologia utilizada, o presente estudo investiga as escolhas léxico-gramaticais feitas por juizes ao produzir suas decisões. As análises realizadas neste estudo indicam que o discurso judicial sobre o estupro expressa julgamentos de valor sobre como homens e mulheres se comportam, como também sobre a sexualidade, fazendo parte de uma rede pedagógica que estabelece, supervisiona, controla e pune formas de comportamento e formas de identidade.

 

O Discurso Homicida na Obra de Rubem Fonseca
Fábio de Carvalho Messa

messinha@zipmail.com.br

O crime na obra de Rubem Fonseca não se limita apenas a uma questão temática, muitas vezes evidenciada redutoramente por alguma fatia crítica. O crime assume uma linguagem própria, disposta em diversas nuances: narrativa, dramática e até mesmo poética. Se analisarmos mais atentamente todo o percurso de sua obra, de Os Prisioneiros (1963) a A Confraria dos Espadas (1998), perceberemos que durante este trajeto, o autor só amadureceu a questão do crime, propiciando discussões multidisciplinares. Estas formas de olhar o crime em seu texto vão desde a ótica da violência verbal e física, enquanto requisito básico de um gênero que muitos intitulam de policial, até a formatação de tratados gerais sobre o crime ou de verdadeiros dossiês de criminosos. O presente trabalho visa rastrear cronologicamente os diferentes, e também semelhantes, perfis de assassinos, criados pelo autor, considerando suas peculiaridades discursivas. Com isso, pretende-se mostrar a importância do texto de Rubem Fonseca não só para a formação da ficção brasileira contemporânea, mas também para a instauração de um diálogo com outras áreas de conhecimento em que o crime é objeto de estudo
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Conflito nos Balcãs: tecnologias de guerra/tecnologias de gênero
Karin Ellen von Smigay

ksmigay@uol.com.br

O recrudescimento dos conflitos nos Bálcãs, durante a primeira metade de 1999, permitiu reavaliar as estratégias de guerra que atingem diferentemente os sobreviventes, em função do pertencimento de sexo. Desenvolvo uma tese que se articula em torno de duas categorias analíticas - atrocidade e gênero - mostrando como se entrecruzam e configuram um quadro de barbárie, às portas de um novo milênio. O modelo europeu de direitos humanos fica abalado, mas o esforço de feministas, para introduzir os crimes de guerra contra as mulheres no Tribunal Internacional de Haia, sugere avanços significativos. Trabalho tanto com os significados de estupros sistemáticos de mulheres kosovars, enquanto uma tecnologia de guerra, quanto com a lógica que atinge uma comunidade étnica, destruindo seu passado - sua memória arqueológica- e seu futuro - através do corpo feminino.



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