Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Marco Antônio de Mello Castelli
castelli@intercorp.com.br

A Busca pela Identidade Feminina no Universo Pós-Moderno de Blade Runner
Denise de Mesquita Corrêa

denised@matrix.com.br

Este trabalho tem como objetivo mostrar como a personagem feminina do filme pós-moderno Blade Runner, Rachel, ao descobrir que é na verdade um simulacro, tenta construir uma identidade humana a partir de fragmentos. A perda da identidade, que fornece ao personagem um sentimento de vazio,evoca alguns aspectos da narrativa pós-moderna que envolve a interface entre homem e máquina. O principal objetivo deste trabalho é mostrar como essa nova identidade feminina é articulada dentro de um contexto pós-moderno.

Inocência e Encantamento a Serviço do Sexismo
Noeli Gemelli Reali

nreali@unoesc.rct-sc.br

Esta reflexão, filiada às pesquisa circunscritas ao que se convencionou chamar de Estudos Culturais, é resultado de um esforço analítico/interpretativo acerca das complexas e sutis estratégias que grandes corporações responsáveis pela produção e circulação de artefatos simbólicos tem usado como novas políticas de remasculinização. O filme POCAHONTAS, destinado ao público infantil, tenta ser uma resposta da Disney Company às denuncias de sexismo, racismo, classismo, nacionalismo, mercantilismo da memória e imperialismo. O estudo tenta mostrar que, mesmo revestido de magia, encantamento e "inocência", POCAHONTAS mantém firme o propósito de ocultar velhas regras de androcentrismo, domesticação, controle ideológico, político e cultural garantindo o fortalecimento dos regimes dominantes de representação.

Uma aventura pelo mundo teórico do feminismo e do cinema através de Gazon Maudit
Rosana Cacciatore Silveira

roca@cce.ufsc.br

Reflexão sobre o filme Gazon Maudit, uma produção francesa que narra o envolvimento de uma mulher homossexual com um casal heterossexual, tendo como interlocução duas teóricas do feminismo, Teresa de Lauretis e Ann Kaplan.
O trabalho situa historicamente os debates feministas sobre o cinema e a mulher e tenta mostrar, através da análise de Gazon Maudit, como um filme que afirma uma possibilidade de transcendência do modelo binário de sexualidade ocidental - masculino/feminino - pode estar de fato reafirmando as polaridades entre os sexos, e repetindo o discurso patriarcal recorrente no cinema.

Desejo, confissão e controle: um olhar sobre o filme "Quando a noite cai"
Vanessa Lehmkuhl Pedro

oxum@floripa.com.br

Este trabalho está centrado na análise do filme Quando a Noite Cai, da diretora canadense Patrícia Rozema, através do olhar de Michel Foucault. O filme trata da relação amorosa entre duas mulheres, uma delas artista de um circo moderno e a outra professora de mitologia de uma universidade protestante. Parto de uma cena do filme, um diálogo que ocorre entre a personagem da professora e o pastor/diretor da instituição, para dialogar com Foucault. O autor defende em História da Sexualidade I que a colocação do sexo em discurso e a incitação do discurso sobre o sexo dão uma falsa idéia de permissão, de liberação sexual que, na verdade, seria apenas mais uma forma de controle sobre a sexualidade. Para Foucault, nos últimos três séculos houve uma explosão discursiva sobre sexo, onde tudo tem que ser dito, nomeado, confessado. É na confissão ao pastor que a professora de Quando a Noite Cai se vê levada a nomear o que sente pela artista do circo que está na cidade. O pastor busca durante todo o tempo que ela confesse o que sente e que nomeie o sentimento. Só dessa maneira, segundo ele, seria possível controlar o seu desejo. A grande questão, próxima de Foucault, colocada pela professora é se nomear, classificar, confessar não seria uma maneira de ela mesma ser controlada pelos outros. Para Foucault, vivemos uma incitação ao discurso, de forma regulada e polimorfa.

Homens resignados, mulheres indignadas
Marco Antônio de Mello Castelli

castelli@intercorp.com.br

Na dramaturgia de Plínio Marcos, uma dramaturgia de claro enfoque sobre o universo dos marginalizados, salta aos olhos a diferença de atitude entre homens e mulheres. Ao colocar em destaque duas de suas peças - Barrela, de 1959, e A Mancha Roxa, de 1989 - observamos com nitidez a subida de tom da segunda em relação à primeira. Ambas, através de seus sete personagens masculinos numa e sete femininos noutra, refletem a violência da própria sociedade no sufocante espaço de uma cela de prisão. Ambas desenvolvem uma ação incontrolável diante de conflitos que exigem solução, como requer, aliás, a linguagem teatral. Porém, enquanto em Barrela a violência é convergente e, portanto, a ação tem efeito implosivo, encerrando-se em si mesma, em A Mancha Roxa o movimento explode numa proposta clara de desmantelamento da sociedade tal como se apresenta.



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