Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Zahidé Lupinacci Muzart
zahide@floripa.com.br

Cânone, Erotismo e Gênero: A poesia de Gilka Machado
Ana Paula Costa de Oliveira

anacosta@fabres.gb.net

Que critérios definem uma obra literária como canônica ou não-canônica? Essa questão da inserção no cânone está ligada à identidade social dos autores, de forma a excluir preferencialmente os que representam nas obras suas "experiências" de opressão pelo gênero, classe e raça? O trabalho visa a analisar essas questões sob um ponto de vista político e direcionadas, mais especificamente , à obra de Gilka Machado, poetisa brasileira do início do século XX, que tendo sido bastante lida em sua época e elogiada pela crítica num primeiro momento de sua carreira, em função da "novidade de seus versos", acabou sendo excluída mais tarde pela crítica moralista. Hoje, sua obra é pouco conhecida, embora seus poemas eróticos representem um marco na luta que seria travada nesse século pelas mulheres por seu espaço como sujeitos na expressão da sexualidade.

As Armas das Mulheres Assinaladas
Áurea Salete Moser Nunes

jonas@melim.com.br

O presente trabalho tem por objetivo traçar um quadro comparativo entre duas escritoras do início do século, tendo como objeto de investigação o contexto sócio-cultural de sua época, verificado dentro da temática da sensualidade/sexualidade: Florbela Espanca (1894-1930), grande sonetista portuguesa, que desafia as convenções morais da sociedade da época ao apresentar um forte apelo sensual em sua obra, e Alfonsina Storni (1892-1938), escritora argentina, para quem a nota mais persistente é o amor, entendido, quase sempre, como uma espécie de furor. Percebe-se, nas suas obras, tendências simbólico literárias que as aproximam e que ultrapassam os limites impostos pelo universo das convenções. O traço mais característico das duas escritoras é a utilização das mesmas armas para garantir espaço num universo extremamente masculino, publicando obras que se mantêm até hoje, como literatura de qualidade.

Adélia Prado: um modo poético de ser-mulher
Maria Severina Batista Guimarães


A poesia contemporânea feita por mulheres tem refletido um novo jeito de ser mulher e de dizer o universo feminino. Em Adélia Prado, a palavra poética passa pelo filtro da visão crítica, seja do fazer literário, seja do posicionamento da mulher no contexto de liberação já esgotado por posições radicais que separam o masculino do feminino numa verdadeira guerra entre os sexos. Na poesia adeliana, o ser-mulher tem a dimensão da busca plena do auto-conhecimento, sem excluir a importância do homem nesse universo. Esse jeito de ser se configura de diversas manieras, mas principalmente atrelando a religião, o erotismo e a inspiração poética, retomando alguns valores esquecidos e renegados pela sociedade moderna e rompendo com outros cultivados pelo patriarcalismo. O presente trabalho visa a analisar esses aspectos do ser-mulher na poesia da escritora mineira Adélia Prado.

Amor: o trajeto do eu
Mairim Linck Piva

mairim@vetorialnet.com.br

O estudo propõe uma análise de poesias do livro Dividendos do tempo, da escritora gaúcha Lara de Lemos, publicado em 1995. Um olhar mais aprofundado para as poesias do item "Do amor vivido" procura tratar do tema da relação amorosa, sob a perspectiva da apresentação de um sujeito poético, um eu, que enfoca o parceiro ou o objeto de seu amor, o outro. Procede-se, também, à verificação das definições, atribuições e configurações dos papéis dos amantes - o eu e o outro - no decorrer das relações poeticamente apresentadas.

Uma Francesa nos Trópicos: a Baronesa de Langsdorff
Zahidé Lupinacci Muzart

zahide@floripa.com.br

A minha pesquisa é sobre mulheres do século XIX: escritoras, aventureiras, viajantes, ricas, pobres, brancas, negras, brasileiras ou não. Atualmente, interessam-me sobretudo as viajantes estrangeiras na América Latina que deixaram relatos, cartas, diários, procurando ver como foi o encontro de algumas mulheres estrangeiras com o continente latino-americano. Estudo sobretudo os relatos das francesas Flora Tristan, no Peru, da Baronesa de Langsdorff e Adèle Toussaint-Samson, no Brasil. No presente trabalho, apresento apenas a Baronesa de Langsdorff que morou seis meses no Rio de Janeiro e deixou um diário cheio de observações sobre o povo, aterra, a escravidão e a nobreza, em especial, D. Pedro II e suas irmãs, Januária e Francisca
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