Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Ida Mara Freire
idamara@ced.ufsc.br

Corpos alinhados e desalinhados
Aglair Maria Bernardo

aglair@ig.com.br

Este trabalho procura problematizar questões relativas à produção de imagens de corpos de mulheres no universo dos serviços telefônicos de disque-sexo. O fato de os usuários destes serviços não interagirem em um contexto face a face permite-lhes trafegarem livre e desejosamente nas linhas produzindo imagens que rompem com fronteiras historicamente estabelecidas na ordem do tempo, do espaço e das necessidades. O desacoplamento de corpos, a circulação atomizada, fragmentada, a multiplicação de imagens, a simulação, a programação das fantasias, colocam, em meu entendimento, questões significativas sobre a multitude de sistemas maquínicos processadores e articuladores do desejo que emergem nas sociedades contemporâneas.

Gênero em imagens: corpos masculinos e femininos na mídia impressa nacional (1946- 1955)
Luciana Rosar Fornazari

lumerosar@yahoo.com
Orientadora: Prof. Dra. Maria Bernardete Ramos Flores
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Ao analisar a imprensa do pós-guerra veiculada no Brasil, corpos masculinos e femininos se constituem objetos de publicidade, porém de diferentes e específicas formas, variando conforme o sexo exposto. As imagens pesquisadas na revista O Cruzeiro, entre 1946 e 1955, liberam corpos femininos basicamente em anúncios, editoriais de moda ou concursos de misses. Já os corpos masculinos aparecem quase sempre vestidos reforçando o caráter de provedor, trabalhador. Somente em determinadas ocasiões este corpo se despe, como passou a ocorrer por conta dos concursos de Halterofilismo na década de 50. O gênero é analisado aqui, como categoria de análise histórica na medida que permite ampliar a debate para além de disputas antagônicas e simplistas. As relações de poder se operam também pelas imagens, reforçando estereótipos, criando outros, sobre o corpo (e o gênero) que se quer mostrar.

Esporte e Mulher no Brasil dos anos 30: incentivo e interdição
Silvana Vilodre Goellner

goellner@zaz.com.br

Nos anos 30 deste século, o Brasil passa por grandes modificações no plano político, econômico e cultural. Às mulheres são direcionadas diferentes orientações no que diz respeito à prática esportiva. Ora incentivadas porque entendidas como elemento de socialização e também de fortalecimento de um corpo debilitado pela indolência e falta de atividade física, ora censuradas, visto que podem romper determinados códigos sociais e sexuais instituídos para cada sexo e sobre os quais são construídas determinadas formas de ser e se comportar. Assim, ao mesmo tempo que são possibilitadas formas de exibição do corpo feminino elaboram-se, também, estratégias para seu ocultamento fazendo ver que o que o corpo da mulher ao mesmo tempo que é seu não lhe pertence.

Uma leitura foucaltiana dos discursos de Gênero e Corporeidade contidos nas publicações sexuais em fascículos
Tito Sena

titosena@cfh.ufsc.br
Orientadora: Profª Drª Mara Coelho de Souza Lago

Esta pesquisa constitui-se de uma análise do(s) discurso(s) de Gênero e Corporeidade contidos nas publicações sexuais fasciculares, correlacionando as regularidades, rupturas e emergências, ocorridas nas décadas de 80 e 90. Efetuar uma leitura foucaultiana nestas categorias, é privilegiar a construção dos discursos históricos do masculino e feminino e efetuar recortes das assimetrias e desigualdades resultantes nos blocos de correlações de forças, numa perspectiva de flutuação relacional de micro e macropoderes. A circulação nacional destas publicações, nos faz inferir sobre sua capacidade de padronização de hábitos e homogeneização de indivíduos e consciências, sem a devida contextualização étnica, regional e estratificação social. Auto-denominadas como "portadoras de verdades científicas", procuraremos investigar se estas enciclopédias e guias práticos, não teriam por objetivo estratégico, em sua multiplicidade discursiva, ditar regras e normas a fim de estabelecer e manter condutas, hierarquias e exclusões, norteados pela chamada "normalidade".

O Corpo Imperfeito: analisando preconceitos e significados simbólicos
Ida Mara Freire

idamara@ced.ufsc.br

O mundo da dança até pouco tempo atrás era um território só para os corpos perfeitos, "perfeitos" tanto no que se refere à ausência de deficiência físicas, quanto aqueles corpos definidos a partir do padrão exigidos pelo balé clássico. O presente trabalho tem como objetivo fazer uma análise sobre a pessoa categorizada como deficiente no contexto da dança contemporânea. Como alguns estudos atestam a desorganização do real que a deficiência simboliza pode nos levar a pensar de maneira diferente sobre a relação entre representação e história atual do corpo. Verifica-se que a questão da deficiência está associada com o gênero (masculino e feminino), com as noções de representação de belo e grotesco, saúde e doença, alienação e comunidade, autonomia e interdependência, serão esses os aspectos que a nossa análise abordará.



Esta página foi desenvolvida por Rita Maria Xavier Machado e Anacris de Oliveira