Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Rosimeire Aparecida Angelini Castro
mcastro@sercomtel.com.br

Memórias de um "Tempo de Esquecer": vivências femininas durante a campanha de nacionalização em Joinville
Janine Gomes da Silva
janinegs@uol.com.br

Esta pesquisa tem como tema central problematizar as diferentes experiências vivenciadas em Joinville durante a Campanha de Nacionalização, através da memória feminina. A Campanha de Nacionalização foi iniciada no governo autoritário do Presidente Getúlio Vargas, a partir de 1938, e visava integrar política e culturalmente grupos sociais que representavam, na ótica do Estado, uma ameaça à unidade e organização nacionais. Em Joinville, homens e mulheres enfrentaram experiências cotidianas de susto, medo e dor que, atribuem ao período, muitas vezes, a marca do "esquecimento". E, priorizar a memória feminina, de mulheres descendentes de imigrantes e brasileiras, como principais interlocutoras deste estudo, reside na perspectiva de que a Nacionalização também teve seu lado feminino, pois, as mulheres não necessariamente viveram este "tempo" da mesma forma que os homens.

Tecendo, Remetendo, Vendendo, Lavando... Memórias de trabalhadoras em Florianópolis
Jaqueline Martins Zarbato Schimitt

jaquezar@zipmail.com.br
Profª Drª Cristina Scheibe Wolff (orientadora)

Neste estudo busca-se suscitar as memórias de trabalhadoras em Florianópolis na década de 20, tentando perceber a forma que as lembranças dessas mulheres (re) constróem suas experiências de trabalho. Assim, as memórias contribuem para a análise no sentido de elucidar o silêncio que perdurou durante muito tempo na historiografia catarinense e, principalmente porque a partir das lembranças de costureiras, lavadeiras, vendedoras, professoras torna-se possível perceber não só sua inserção no mercado de trabalho, como também recuperar elementos de sua vida cotidiana no espaço urbano. Para essa análise utilizo não só as entrevistas, mas também jornais, como A República, O Dia, entre outros para perceber a forma como noticiavam o trabalho das mulheres.

Trajetórias Individuais de Mulheres Alemãs Vivendo em Lages
Juçara de Souza Castello Branco


Este trabalho tem como objeto as memórias de uma mulher, de origem alemã, que viveu em Lages no início do século XX. O corpo documental analisado são entrevistas, priorizando o testemunho de Waltrud Hoechel Marques, e fontes historiográficas. A metodologia construiu-se a partir de diálogos entre as memórias colhidas, a partir de entrevistas na cidade de Lages em 1998, e a historiografia. A perspectiva desta abordagem é perceber trajetórias pessoais de mulheres que através de estratégias cotidianas trilharam caminhos diferentes daqueles seguidos pelo grupo a que pertenciam. Através das memórias problematizadas foi possível perceber situações vividas por mulheres do grupo étnico germânico que em Lages mantiveram alguns traços dos modos de viver de seus antepassados e que inventaram novas versões para a cultura por elas herdada.

"História do tempo delas"- performances de contadoras de "causos" da Campanha do Rio Grande do Sul
Luciana Hartmann

hartmann@cfh.ufsc.br

Segredos, histórias da intimidade, detalhes e subjetividades nas narrativas que pontuam o imaginário gaúcho. Considerada uma zona predominantemente identificada com a masculinidade, um olhar mais apurado sobre a Campanha revela a presença das mulheres e suas histórias inseridas no universo narrativo da região. Das cozinhas das estâncias, transformadas em palco para o desenvolvimento de verdadeiros "eventos narrativos", estas contadoras, ainda que muitas vezes não reconhecidas, incorporam, reproduzem e recriam, na sua ação de contar, aspectos da memória do grupo que em muitos casos foram relegados ao esquecimento. É esta memória que se manifesta através de suas narrativas e através do corpo e da voz destas contadoras, de suas performances como um todo.

Memórias e Imagens de Mulheres da Fronteira
Rosimeire Aparecida Angelini Castro

mcastro@sercomtel.com.br

As mulheres que povoaram as fazendas de café do norte do Paraná e as cidades em expansão, em 30 e 40, trouxeram a experiência do eu de diferentes matizes, construíram a relação com o ele (espaço geográfico e outros habitantes, portadores de outras atitudes e pensamentos), com o nós (grupo dos ricos locais) e com o anonimato do mundo social, que escapou à vigilância delas, interagiram com as transformações das atitudes, pensamentos e tecnologia doméstica em curso nas décadas seguintes. As mulheres depoentes desta pesquisa de doutorado em curso rememoram o passado, trazendo à tona a tríade dos contemporâneos, predecessores e sucessores , porque como guardiãs da memória familiar, do lugar e das pessoas, apresentam memórias que percorrem as tramas das subjetividades individuais femininas, organizam as memórias a partir de referenciais específicos, que se cruzam com a memória hegemônica local, sobretudo sobre os gêneros
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