Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Flávia de Mattos Motta
flamotta@bol.com.br


Construção Biográfica: olhar e vozes numa fronteira
Carla Giovana Cabral

carlac@cce.ufsc.br

A construção biográfica é um empreendimento do olhar. É o olhar da(o) biógrafa(o) que define como a história de vida será contada; como as vozes de biógrafa(o), biografada(o), texto e (con)texto vão soar e se localizar. As biografias de Clarice Lispector sugerem a construção de uma teoria pelo desempenho literário que ocorre na fronteira entre a história e a ficção. Versátil, a biografia suporta o trânsito de vários gêneros, participa também da construção do "gênero". Como Clarice é construída como mulher, escritora, mãe? E como isso é valorizado (ou não) nas suas histórias de vida? Procurar atender a esses questionamentos e mostrar como se dá a construção biográfica nas histórias de vida de Clarice Lispector, delineando uma possível teoria, é o objetivo deste trabalho.

Memórias de leitoras: histórias de vida
Fabiane Verardi Burlamaque


O trabalho intitulado Memórias de leitoras: histórias de vida, aborda a relação da mulher como leitora e receptora de textos literários a partir de suas memórias. Através desta pesquisa, intentou-se revelar o universo cultural feminino mediante suas leituras e ações como consumidoras, receptoras e mediadoras de leitura. O corpus do trabalho foi definido a partir de entrevistas com cinco senhoras passo-fundenses, com mais de oitenta anos, as quais, através de suas histórias de vida, ajudaram a delinear o comportamento da leitora desde a infância até os dias de hoje. Na pesquisa, por meio de uma abordagem sociológica, procurou-se desvendar de que forma se dá a recepção literária, dando-se ênfase à mulher e a sua relação com o objeto literário apoiado na Estética da Recepção e na Sociologia da Leitura.

Mulheres, memória e experiência
Juçara Nair Wolff

jnwolff@unoesc.rct-sc.br

Nas últimos dez anos em Santa Catarina e, com maior dimensão, na segunda metade desta década, os olhos de historiadores(as), sociólogos(as), antropólogos(as) tem voltado-se para o estudo da mulher. Buscar a figura feminina e sua participação na construção histórica do estado catarinense é, romper com os paradigmas tradicionais que, preocupados em narrar os acontecimentos políticos e as ações dos "grandes homens" tentaram silenciar as vozes das minorias sociais: mulheres, negros, caboclos, crianças, idosos, índios... os "excluídos da história". Caminhando nesta esteira que objetiva romper com paradigmas oficiais, este trabalho procura trazer à tona as experiências de trabalho, de diversão, de luta, ou seja, do cotidiano das mulheres no município de São Carlos, Oeste de Santa Catarina no período de 1930 a 1945. Cotidiano este, permeado por solidariedades, tanto quanto, por conflitos e resistências.

Possíveis Interpretações: gêneros da memória e memórias de gênero
Marlene de Fáveri

mfaveri@uol.com.br

Esta comunicação pretende refletir as possíveis diferenças e/ou aproximações que podem ser feitas na interpretação e análises de pesquisas que envolvem memórias, experiências e gênero. Se pensarmos que existem memórias de gênero, pode abrir brechas que venham cair em essencialismos? Ou, se todavia abrirmos para gêneros da memória, estaríamos tateando as diferenças, já que memórias são pautadas nas experiências? Sendo que a experiência é uma via de mão dupla, poder-se-ia pensar em experiências de gênero percebidas as diferenças através da memória? Tais questões são problematizadas numa pesquisa que desenvolvo sobre memórias e gênero no tempo da Segunda Guerra Mundial, em Santa Catarina, e, se há recentes publicações debatendo o tema, há ainda questões que merecem aprofundamento..

Em nome do pai e em nome da mãe: onomástica e representações de gênero em Florianópolis
Flávia de Mattos Motta

flamotta@bol.com.br

Nesta etnografia a respeito dos chamados "açorianos" de Florianópolis, genealogias que remontam ao início do século XIX ilustram a existência de um sistema de nominação muito bem estruturado. Neste sistema, entre outros aspectos, ressalta a transmissão de prenomes segundo o sexo: homens transmitem um de seus prenomes a todos os filhos homens e as mulheres transmitem um dos seus prenomes a todas as filhas (sexo feminino). Esse sistema (e o próprio patrimônio onomástico) vem se modificando e se adaptando nas décadas mais recentes. Tais modificações parecem acompanhar as transformações ocorridas nas formas de organização familiar concomitantes ao processo de integração desses grupos a uma cultura mais propriamente urbana. Seguindo uma certa tradição antropológica em estudos de nominação, pretende-se interpretar os significados desse sistema onomástico e suas transformações - especialmente com relação às representações de gênero a ele subjacentes.



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