Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenador: Pedro Paulo Gomes Pereira
pedrop@uol.com.br

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O Silêncio das Mulheres com Câncer Ginecológico: o que se escuta?
José Miguel Rasia
rasia@humanas.ufpr.br

As mulheres com câncer ginecológico em tratamento no HEG e que estão sendo submetidas à radioterapia falam muito pouco sobre a doença e o tratamento e quase nada sobre a sexualidade, a reprodução e a convivência com seus maridos. Nesta comunicação discutimos as origens e o significado do silêncio dessas mulheres, desde a posição de escuta em que nos colocamos. Se o que se enuncia pelas poucas palavras das mulheres é uma reação fóbica em relação ao câncer, ao tratamento e suas representações, podemos afirmar que os dados nos apontam também para a posição subjetiva dessas mulheres no mundo masculino, principalmente no mundo médico, marcado por um saber construído historicamente pelos homens.

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Menopausa: crise de produção?
Luciana Amaral

lamaral@uol.com.br

Partindo da menopausa, evento associado ao envelhecimento e universal para todas as mulheres em torno dos cinquenta anos, a autora discute o conceito da OMS que afirma ser uma doença. Discorre sobre modelo biomédico, que trata a menopausa como uma doença de privação hormonal, critica sua consequente medicalização, concorrente produção de hormônios pela indústria farmacêutica e estímulo, quase imposição do seu consumo. Salienta a relação enganosa que se estabelece entre a juventude, um corpo mais belo e saudável e o uso, quase indiscriminado, dessas substancias, os hormônios, e aponta para a ausência das vozes, da possibilidade de decisão sobre seu corpo, e da subjetividade nesta fase da vida..

Recuperación Clínico-Terapéutica de Mujeres Víctimas de Ataques Sexuales
Maria Rosa Celina Kriwet

mkriwet@psi.uba.ar

En las últimas dos décadas no ha cesado de crecer en importancia el tema del trauma psicológico. Ha resultado particularmente sobresaliente la problemática de la violencia sexual sufrida por las mujeres, ya sea como abuso sexual infantil, violación, acoso sexual, etc. En este trabajo se presentarán dos posibles formas de abordaje clínico para el tratamiento de las secuelas de la violencia sexual. Dichos abordajes se caracterizan por su brevedad y eficacia en al resolución de los síntomas post- traumáticos. Estas particulares características permiten que estos abordajes puedan ser utilizados a modo de interconsulta en tratamientos realizados por otros profesionales. Se expondrán sendos casos clínicos ilustrativos del desarrollo de los abordajes antedichos.o

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Mulheres, HIV/AIDS, Seus Companheiros e Seus Filhos
Maria Lúcia Tiellet Nunes et alli

tiellet@pucrs.br

HIV/AIDS tem crescido entre as mulheres com o contato sexual heterossexual. Foram examinadas entrevistas de cinco mulheres, portadoras de HIV, contaminadas pelo companheiros, para examinar sua relação com o companheiro e os filhos. Os resultados revelam que as mulheres exibem constante preocupação com a doença no companheiro e seus cuidados; preocupação constante com os filhos, culpa por tê-los contaminado e tristeza por vir a morrer sem acompanhar seu crescimento. Os achados são discutidos com base no amor conjugal e materno, em nossa sociedade no contexto das relações de gênero.

AIDS: uma etnografia em uma instituição de portadores de HIV
Pedro Paulo Gomes Pereira

pedrop@uol.com.br

A comunicação apresentará os primeiros resultados da etnografia que realizo desde maio de 1997 em uma instituição de aproximadamente duzentos portadores de HIV em Brasília. Nessa instituição ex-presidiários, ex-prostitutas, travestis, meninos de rua, pessoas expulsas de casa, usuários de drogas, alcoolista, convivem em uma situação de extremo confinamento e reinventam uma nova identidade sob o signo da AIDS. Examinarei, lançando mão de autores como Michael Taussig e Michel Foucault, entre outros, os processos pelos quais o terror inscreve-se nos corpos e toma conta desses internos, fechando o horizonte de sentidos em torno deles. Tentarei descrever e analisar as estratégias e os métodos de disciplinamento utilizadas pelas autoridades dessa instituição, assim como os valores que se apoiam, para entender a eficácia no controle a partir de um trabalho sistemático de manipulação corporal e a veiculação de discursos cujo tema constante é o terror e a iminência da morte, inseguranças. Ou seja, há uma oscilação entre os mapas ideológicos. Isto nos levou a qualificar tais relações nem como hierárquicas nem igualitárias, mas como "relações contraditórias".



Esta página foi desenvolvida por Rita Maria Xavier Machado e Anacris de Oliveira