Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Roselane Neckel Kupka
kupka@cfh.ufsc.br

"Pasquim: um jornal que tem a coragem de não se definir" (n. 59,1970)
Ana Lúcia Gomes Medeiros

tambataja@ig.com.br

O mais polêmico jornal alternativo, O Pasquim, surgiu em 26 de junho de 1969, com características diferentes dos demais. Foi o único jornal que sobreviveu às "gripes", à ditadura militar e a ter uma vida de mais de 20 anos - uma instituição!
O que o marcou, além de sua resistência, das rupturas com o jornalismo tradicional, do uso do humor de forma exacerbada, da crítica sempre mordaz, foi a irreverência no tratamento de temas polêmicos para a sociedade dos anos 70. A mulher como tema dividiu opiniões quanto ao tratamento sempre irônico dispensado ao sexo feminino; o número 108 traz na capa a chamada: "Um numero dedicado aos sexos feminino".
É, neste momento, inicio da década, que o Pasquim traz para o jornal a imagem, a vida, o cotidiano de muitas mulheres que, longe estavam da concepção tradicional. Como exemplo, a polêmica entrevista com Leila Diniz ou a perturbadora entrevista de Betty Fridman. Para uns, foi um jornal machista, para outros, um facilitador de uma nova imagem, de uma nova consciência.

Beatriz Sarlo em los Libros
Jorge Hoffmann Wolff

jwolff@cce.ufsc.br

Beatriz Sarlo é considerada a principal crítica cultural latino-americana da atualidade (há controvérsias; por isso estamos aqui). Beatriz Sarlo chama-se Beatriz Sarlo Sabajanes até meados da década de 70. Beatriz Sarlo torna-se Beatriz Sarlo a partir da morte de seu pai. Beatriz Sarlo Sabajanes escreve sua proto-história em uma revista denominada Los Libros (denominação odiada). Beatriz Sarlo Sabajanes é uma mulher argentina, oriunda da classe média, vinculada a uma revista dirigida por homens, oriundos da classe média. Beatriz Sarlo Sabajanes é uma mulher que co-dirige uma revista denominada Los Libros a partir de 1972, quando recebe um subtítulo por conta daquele ódio: Para una crítica política de la cultura. Beatriz Sarlo é uma mulher que dirige uma revista denominada Los Libros entre 1975 e 76 e outra (a mesma?), Punto de Vista, a partir de 1978.

Democracia e Feminismo no Folhetim
Marco Antônio Maschio Cardozo Chaga

chaga@cce.ufsc.br

No limiar da década de setenta, em consonância ao processo de abertura democrática, o Folhetim da Folha de S.Paulo havia colocado em prática um dos balanços mais detalhados sobre a época. Dentro desta verdadeira enciclopédia da vida nacional, as questões femininas - e também feministas - que enfocavam a luta por reconhecimento, valorização e por maior espaço nesta "nova Sociedade Civil" ganharam grande destaque. Esta exposição tem a preocupação de apresentar os principais textos que auxiliaram na ascendência deste debate no espaço do suplemento. Além disso, pretendo expor uma parcela do contexto político no qual o debate emergia.

Escritoras e "feminismo": tecendo redes de cidadania na passagem do século XIX
Miriam Steffen Vieira

themisong@cpovo.net

A partir de meados do século XIX até inícios do século XX, desenvolveu-se a chamada "Imprensa Feminina" em diversas regiões do país. Estes periódicos divulgaram reivindicações "feministas" do período, caracterizadas por pautarem questões relativas ao exercício da cidadania das mulheres, como a educação, o voto e igualdade profissional. Com base na dissertação de mestrado "Atuação literária de escritoras no Rio Grande do Sul: um estudo do periódico Corimbo, 1885-1925", que teve por referencial empírico o periódico Corimbo, editado por duas escritoras gaúchas, foi possível evidenciar alguns pontos de encontro entre as estratégias desenvolvidas por escritoras para o seu ingresso no meio letrado e reivindicações feministas, bem como a identificação de uma rede de escritoras com abrangência nacional.

Em Busca da Felicidade Conjugal? Mulheres, procurem os "especialistas" das revistas femininas.
Roselane Neckel Kupka

kupka@cfh.ufsc.br

O aumento do número de publicações destinadas às mulheres, na década de 70, bem como os temas tratado denotam um processo de "cuidado de si" por parte de homens e especialmente de mulheres. Um "culto à individualidade", à busca do prazer sexual", apreensões em torno da sexualidade e de sua importância na manutenção do casamento, tornaram temas marcantes nos artigos das revistas "femininas". Os artigos, em sua maioria, destacam a contribuição da ciência, especialmente da sexologia e da psicologia, para a compreensão e resolução dos problemas íntimos e pessoais. Um aspecto importante da constituição da "subjetividade feminina" na década de 70. Já que os conselhos destes "especialistas" parecem ser destinados às mulheres.



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