Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Maria Tereza Santos Cunha (UDESC)
vscunha@matrix.com.br

"Corpo e Desejo: Tudo Sobre Minha Mãe e o gênero nas margens"
Sônia Weidner Maluf (Antropologia - UFSC)
maluf@cfh.ufsc.br

Em seu último filme, Tudo Sobre minha Mãe, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar faz, mais uma vez, uma elegia às margens (da cultura e do gênero) e mostra como podemos encontrar nelas o que parece faltar nas ideologias e nos modos de vida hegemônicos das sociedade urbanas ocidentais contemporâneas. No filme, os desejos se cruzam e constróem uma trama que aos pouco vai dissolvendo as concepções estabelecidas sobre corpo e identidade. Neste artigo, pretendo, a partir de umas das personagens do filme, a travesti Agrado, e suas falas sobre o próprio corpo, fazer uma discussão sobre alguns elementos inspiradores que o filme nos traz: a relação entre corpos ocultos e corporalidades públicas, desejo e natureza ou a natureza do desejo e gênero nas margens.

Narrativas cooltas
Tânia Regina Oliveira Ramos (Literatura - UFSC)
tania@cce.ufsc.br

Numa sociedade que vê boa parte de suas fronteiras tradicionais e seus modos de pensar e de agir se redefinirem, a literatura canônica, antes amparada por um determinado capital de legitimidade, coexiste com um mosaico de linguagens, mostra-se como um palimpsesto cujo pergaminho foi riscado e reescrito várias vezes com rabiscos políticos, poéticos patéticos... Neste hibridismo deparo-me com textos contemporaníssimos que literalmente querem fazer gênero. Omitir seus nomes seria ratificar a cômoda opção de falar mal da literatura best-seller. Se todo mundo lê ou vê deve ser péssima, porque certamente faz concessão ao gosto baixo; e são textos alienantes pois não tratam de grandes questões. Vou comentar essas narrativas triviais lidas à margem da academia, permeando minha leitura com campeões de bilheteria ou de audiência. Desmistificando tabus, sobretudo os da sexualidade, falando de si mesmas, dos seus corpos, das suas frustrações ou das suas satisfações, a mulher escrita, nestes textos - auto-ajuda? - contemporaníssimos, continua como mercadoria, consumo, para divertir, entretendo pelo excesso.

Feminismo, Corpo e Sexualidade
Tânia Swain (História - UnB)

anahita@tba.com.br

O debate feminista tem muitas vezes criticado as proposições foucaultianas, detendo-se em algumas questões como a disseminação do sujeito, que apareceria como uma oposição a um sujeito constituído pelo próprio feminismo. Proponho uma leitura de Foucault e de algumas teóricas feministas da atualidade a este respeito, enfocando ainda a construção dos corpos sexuados, a instituição da heterossexualidade compulsória e a crítica ao sexo biológico como um dado inquestionável no binômio que compõe o sex/gender system.

 

Esta página foi desenvolvida por Rita Maria Xavier Machado e Anacris de Oliveira