Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Luzinete Simões Minella (Sociologia - UFSC)
luzinete@cfh.ufsc.b

A (des)penalização do aborto no Uruguai
Graciela Sapriza (História - Univ. de la República, UY)
hugramas@adinet.com.uy

Este estudo analisa as relações entre sexualidade e ordem social no Uruguai, através da despenalização do aborto aprovada pelo código penal em 1934. As discussões que ocorreram na imprensa e no Parlamento sintetizam as grandes mudanças que ocorreram a partir do final do século XIX em relação à privacidade, às famílias, aos papéis atribuídos e assumidos pelas mulheres. Analisando a participação dos atores sociais que participaram do debate político em torno do tema, conclui-se que as mulheres embora não tenham sido convocadas a participar, construíram um contra discurso a partir de suas práticas. Em sua campanha contra a despenalização, alguns setores católicos e conservadores modificaram a legislação em janeiro de 1938, fato que repercutiu negativamente para a saúde das mulheres pobres que continuaram a realizar abortos clandestinos em condições precárias.

Contracepção e Cidadania
Joana Maria Pedro (História - UFSC)

joana@cfh.ufsc.br

No Brasil, a entrada da pílula anticoncepcional nos anos 60 - divulgada no interior de ameaças de explosão populacional -, coincidiu com o golpe militar que impediu, por longos anos, a manifestação popular. Esta supressão da cidadania significou para as mulheres ficar à mercê de informações desencontradas . Os debates sobre as possibilidades e perigos que este medicamento trazia para o corpo das mulheres, foram abafados pelo contexto da ditadura.
Perceber como mulheres de camadas médias viveram este período e acompanhar as notícias desencontradas que chegavam pelos jornais e revistas, a respeito das pílulas anticoncepcionais e da explosão populacional, é o que se pretende apresentar nesta mesa redonda.

Direitos Reprodutivos: Feminismo e Construção de Igualdade
Maria Betânia Ávila (SOS Corpo/PE)

betania@soscorpo.org.br

Minha abordagem se dará em torno dos direitos reprodutivos como uma construção da ação feminista que produz um novo sentido para a cidadania. Tomando por base essa referência tratarei a reestruturação e a resignificação do conceito de cidadania a partir de duas dimensões:
- A ação pública das mulheres, em torno desses direitos, que traz para a agenda da democracia questões da vida cotidiana e que produz um novo conflito na esfera pública. Nesse ponto trabalharei os significados desse conflito em relação ao Estado e em torno dele as relações políticas entre o movimento feminista e outros sujeitos e/ou atores que atuam nesse campo.
- A relação entre direitos reprodutivos e a transformação social das relações de gênero, onde abordarei o problema da igualdade e da liberdade na vida reprodutiva.

Saúde e Direitos Reprodutivos: a necessidade da inclusão dos homens nesta arena
Maria Juracy Tonely Siqueira (Psicologia - UFSC)

siqueira@mbox1.ufsc.br

Este trabalho trata da necessidade de se problematizar a participação masculina nas esferas da investigação, das intervenções e políticas públicas na área da Saúde Reprodutiva. A partir de um pequeno histórico deste campo e da origem do termo direitos reprodutivos, busca discutir algumas possibilidades analíticas baseadas no olhar de gênero. Uma analítica de gênero, neste caso, parece fundamental em se tratando de campo interdisciplinar atravessado por questões complexas de ordem ético-política. Propõe, portanto, para além do dimorfismo sexual, a problematização do campo através de uma ótica relacional
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Esta página foi desenvolvida por Rita Maria Xavier Machado e Anacris de Oliveira