Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Mara Coelho de Souza Lago
mlago@cfh.ufsc.br

Gravidez na Adolescência: trajetórias afetivo-sexuais e juventude
Maria Luiza Heilborn (Antropologia - UFRJ)
sexgen@eurj.br

Trata-se de uma investigação coletiva sobre a gravidez na adolescência e suas conseqüências para as trajetórias biográficas e sociais dos jovens. Valoriza-se a iniciação sexual e eventos ligados à reprodução (a contracepção ou a ocorrência de gravidez) como indicadores de uma autonomização (relativa) dos jovens em relação às suas famílias de origem. A gravidez adolescente concerne de maneira diferenciada os adolescentes de acordo com os cenários socio-culturais nos quais se inserem. Ela envolve dois parceiros igualmente jovens e ocorre fora dos marcos de uma relação conjugal. O fenômeno se insere em um cenário de mudanças na cultura sexual, na qual ocorre uma relativa perda do valor da virgindade. Tal alteração indica um regime de transição nas relações de gênero e de gerações.

Famílias Homossexuais: um novo tipo de família?
Miriam Pillar Grossi (Antropologia - UFSC)
miriam@cfh.ufsc.br

Reflito nesta comunicação sobre um tipo de "novas" famílias, as de casais homossexuais com filhos. Meus dados de campo foram colhidos na França e no Brasil, no bojo das lutas homossexuais pelo reconhecimento da união civil entre parceiros do mesmo sexo. Partindo dos estudos sobre parentesco em sociedades tradicionais, apresento exemplos das formas como casais de lésbicas e de gays tem buscado constituir parentesco, pela incorporação de crianças em relações de conjugalidade modernas que se pautam pelo modelo individualista. O desejo de filiação destes indivíduos leva-os a utilizarem-se uso de novas tecnologias de reprodução (inseminação artificial, útero de aluguel) de forma muitas vêzes criativa (inseminação caseira, implantação do óvulo de uma mulher no útero de sua companheira) e complicada (adoção através de redes informais e/ou internacional).

Novas famílias, novas implicações éticas
Oscar Reymundo (Psicanálise - DG - SC- EBP)
reymundo@iaccess.com.br

A partir da exposição de um caso da clínica psicanalítica, se nos impões a reflexão sobre o lugar que cabe aos filhos das "novas famílias" na economia do gozo dos adultos, nos tempos atuais. Tempos de grande oferta de recursos técnicos que podem ser colocados ao serviço de uma racionalidade que nada quer saber sobre a castração nem sobre a possibilidade de uma não-total inscrição do sujeito no gozo fálico. Tempos em que a criança é considerada objeto de fácil e econômico consumo e tempos em que o direito ao filho se confunde com mais um direito do consumidor. Perante o mal estar contemporâneo já instalado nas "novas famílias", a psicanálise toma partido e faz a sua aposta ética tentando escrever a diferença aí onde quer se escrever sempre a mesma coisa.

 

Esta página foi desenvolvida por Rita Maria Xavier Machado e Anacris de Oliveira