Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Carmen Sílvia Moraes Rial (Antropologia - UFSC)
rial@cfh.ufsc.br

Raça e Etnia no Brasil. Refletindo sobre seus significados na estratégia jurídica de garantia de direitos
Dora Lúcia de Lima Bertúlio (Direito - Tuiuti/PR)
dora@pr.gov.br

Partindo de uma apresentação/avaliação do racismo brasileiro, suas conseqüências e, fundamentalmente, as matrizes que implementam a idéia de indivíduo negro em nossa sociedade, o texto caminha para apresentar alguns resultados da oportuna(ista) mudança de apreensão das diferenças fenótipas entre indivíduos. Raça ou etnia? ou talvez, de como a contemporânea discussão nas ciências humanas e sociais identificam as pessoas como grupos "étnicos" para substituir os grupos "raciais" onde a ideologia racista exerce todo seu potencial de manipulação do pensamento e das idéias. Assim, apesar das demonstradas desigualdades entre negros e brancos em nossa sociedade, a "etnia" negra, assim como a italiana, alemã, escocesa, eslava ou polonesa, indígena ou japonesa, estas nunca apresentadas como "etnia" branca, caminham com as mesmas oportunidades e dificuldades. Isto apresenta a natural idéia de que a primeira é incompetente para se desenvolver em uma sociedade complexa, como a que vivemos, por isso estão todos na pobreza e, embora trabalhadores, à margem dos benefícios e direitos sociais e políticos.

Uma mulher entre dois homens e um homem entre duas mulheres: a instauração da diferença, o ciúme e a problematização do gênero na sociedade Paresí
Marco Antônio Gonçalves (Antropologia - UFRJ)
marcoantonio@imagelink.com.br

O presente estudo discute o material relativo à sociedade Paresí , grupo Aruak, no Estado de Mato Grosso. Este trabalho se situa no campo dos "estudos de gênero" embora não se constitua em um 'estudo clássico' cuja preocupação seria a de inventariar papéis e significados relacionados às distinções de sexo na condução da vida social. A partir das contribuições de Strathern (1988), Overing (1986) e Héritier (1989,1994,1996) percebe-se que uma nova problematização sobre gênero na Antropologia deve, necessariamente, procurar escapar das dualidades, não mais categoriais-conceituais (público e privado, natureza e cultura etc) mas metodológicas, em termos do que significa gênero e do significado que transporta para produzir diferenças no interior de um sistema classificatório que, por sua vez, constitui e é constituído por uma concepção da Diferença que funda o sistema de pensamento e as agências no mundo. Assim, a partir do material Paresi, tomamos o gênero em sua acepção mais abstrata, denotando, não mais 'feminino' ou 'masculino', mas diferenças postas em relação no interior de um sistema cultural e socialmente dado; gênero enquanto englobado pelos princípios cosmológicos mais gerais que organizam e ordenam a diferença no mundo a partir de uma concepção do que significa a Diferença. Gênero não é algo relativo a papéis sexuais desempenhados por homens e mulheres mas uma relação diferencial construída que pode se incorporar em homens, mulheres, coisas e conceitos.

Esta página foi desenvolvida por Rita Maria Xavier Machado e Anacris de Oliveira