Tela de Vera Sabino que compõe  o painel inspirado nas paisagens da Costa da Lagoa e no cotidiano do povo ilhéu

 


Coordenadora: Zahidé Lupinacci Muzart (Editora Mulheres)
zahide@floripa.com.br

Em avanços sutis, as rupturas
Rachel Soihet (História - UFF)
rachels@nitnet.com.br

Júlia Lopes de Almeida tem sido por muitos considerada como defensora de uma posição subordinada para a mulher. E, na verdade, em inúmeros de seus trabalhos, especialmente, naqueles de caráter pedagógico, com vistas ao preparo da mulher para o casamento e, mesmo, em alguns de seus romances, revela trechos de forte matiz conservador. Já em outros, denota uma perspectiva diversa, constatando-se a presença de uma postura crítica, acerca da forma como se relacionavam homens e mulheres. Face a este quadro, com base na análise de parte de sua obra ficcional, buscando-a inserir no processo histórico de seu tempo, considerando-a, simultaneamente, sujeito e intérprete, esta comunicação busca detectar reflexões, condutas de personagens que denotem mudanças paulatinas e evidenciem avanços na consciência de gênero. Pretendo, assim, tornar evidente que se de um lado, Júlia Lopes constitui-se numa expressão da cultura feminina de seu tempo e de sua classe, por outro há que considerar-se a flexibilidade da "jaula", representada pela cultura. Fato que possibilita aos agentes sociais o exercício de uma relativa liberdade, conforme a articulação que estabeleçam com os elementos historicamente postos à sua disposição

Mulheres Escrevendo a Nação
Rita Terezinha Schmidt (Literatura - UFRGS)
ritats@vortex.ufrgs.br

Uma das formas mais contundentes do exercício de poder cultural, de parte de uma elite brasileira que se arrogou o direito de representar e significar a nação, foi a exclusão da representação da autoria feminina na historiografia do século XIX. Foi esse um período formativo da identidade nacional em que a literatura se institucionalizou como um instrumento pedagógico na viabilização da nossa diferença cultural, em razão de sua força simbólica para sustentar a coerência e a unidade da concepção romântica do "todos em um". O resgate da autoria feminina não só afeta o estatuto da própria história literária, em termos do caráter representativo do cânone, mas tensiona as representações dominantes, calcadas no discurso assimilacionista de um sujeito nacional não marcado pela diferença. Nesse contexto, procurarei mostrar como, em textos de autoria feminina, se dá a problematização da representação de brasilidade e, em que medida, essa instala reflexões sobre a natureza traumática do discurso colonial que atravessa a construção de nossa "comunidade imaginada".

"(I)ma(R)gens: Capricho e vergonha como representação do corpo feminino"
Alai Garcia Diniz (Litaratura - UFSC)
alai@cce.ufsc.br

O trabalho se propõe a refletir sobre as categorias de CAPRICHO E VERGONHA atribuídas ao corpo feminino numa oficina de Poesia Viva e Mulher levada a cabo, durante uma semana de fevereiro de 2000 no acampamento Darcy Ribeiro do movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, no município de Fraiburgo como uma oportunidade para discuti-los com base a uma rede textual transnacional. Fragmentos do diário da alemã Hildegard von Bingen; trechos do Libro de mi vida de Santa Teresa de Jesus; poemas e algumas autoras brasileiras do século XIX e entrevistas com escritoras hispano-americanas formariam um complô de leituras do imaginário feminino que tentariam desagregar os estereótipos na esfera da cultura letrada e até em meio a produtos da indústria cultural.
Como possibilitar que a pesquisa sobre a história de resistência no campo do simbólico crie uma ponte capaz de abalar estruturas de auto-representação da mulher no âmbito rural? Como nos auto-representamos como pesquisadoras de gênero?

 

Esta página foi desenvolvida por Rita Maria Xavier Machado e Anacris de Oliveira