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Gênero, história e crítica literária
Coord:Amanda Pérez Montañés
Local: Sala de reunião - Colégio de Aplicação
Data: 09/10/2002

 

Daniela Bunn - danibunn@hotmail.com
Uma diagonal entre Beatriz Sarlo e Luciana Stegagno Picchio

No texto "La política de la pose", Sylvia Molloy discute a for
ça desestabilizadora que faz da pose um gesto político. Para refletir sobre a pose, Molloy resgata a idéia do século XIX, onde as culturas se lêem como corpos e a exibição, como forma cultural, se utiliza da visão. A exibição é vista como um meio de atrair o olhar do outro. Lançando um olhar sobre o outro, Beatriz Sarlo lê Victoria Ocampo como uma mulher que transgride a máquina cultural. Da mesma forma, a italiana Luciana Stegagno Picchio tende a criar sobre o poeta Murilo Mendes uma superpose. O que Sarlo e Picchio procuram, é justamente devolver potência a estas imagens. Ambas exibem, retomando Molloy, ao olhar do outro, uma nova imagem. No que essas escritoras, em países diferentes, situações político-históricas convergem é justamente numa crítica feminina que se constrói a partir do olhar sobre o outro.


Jorge Wolff - jorgewolff@hotmail.com
A teoria crítica francesa no Suplemento Literário do Estadão
O telquelismo em versão paulistana remete de maneira direta à militância francófona de Leyla Perrone-Moisés, intelectual de linhagem progressista que se inicia no Suplemento Literário do jornal O Estado de São Paulo ainda em fins da década de 50. Já então aborda os nouveaux romancistas, além de fazer referências ao grupo e à revista Tel Quel a partir de sua fundação, em 1960. Sua longa trajetória como crítica literária e também cultural - apesar de, mais tarde, ter se voltado contra os "estudos culturais" - obedece a uma continuidade quase absoluta, linha reta que persigo neste trabalho, com base em seus textos antigos.


Natalia Pietra Méndez - npietra@ig.com.br
As mulheres na historiografia brasileira: tendências e temas recorrentes
A Historiografia Brasileira produziu, a partir da década de 1980, obras que abordam a história das mulheres. Este trabalho analisa parte destas produções, verificando a existência de temáticas recorrentes. Primeiramente há um conjunto de obras que analisam do período colonial até o século XVIII, com a produção de pesquisas sobre relações conjugais, sexualidade e maternidade, controle do corpo feminino e participação das mulheres na vida econômica. Outra tendência é a produção de pesquisas enfocando o fim do século XIX até 1930, tendo como temas a educação feminina, inserção das mulheres no trabalho e sua participação na vida pública. Por último, o movimento feminista e a resistência das mulheres aos governos militares pós 1964 constituem temáticas freqüentes na historiografia brasileira.


Renata V. Barreto - tatabarreto@zipmail.com.br
Oblíqua e dissimulada: a condição social da mulher no olhar do século XIX
Com a finalidade de perceber as relações de poder presentes na sociedade brasileira do século XIX, mais precisamente no Rio de Janeiro, é que este trabalho se propõe analisar as relações de gênero no romance Dom Casmurro de Machado de Assis. Ao examinar as posturas desse autor diante da sociedade oligárquica e conservadora do século XIX o que mais interessa é a construção da imagem de mulher em função do debate estabelecido em torno do possível adultério e das demais questões de gênero abordadas no romance. Diante da possibilidade de utilizar a literatura como frente histórica, essa obra se transforma em importante referencial para se entender os padrões de comportamento da época, o ideal de mulher e principalmente a dicotomia da natureza feminina. A ação do romance se concentra no período que vai de 1855-1857,que consiste na composição do Ministério da Conciliação, implicando uma série de alterações na política e sociedade do Império. O núcleo familiar do personagem-narrador acompanha todas essas mudanças visto que são integralmente das camadas abastadas. Assim, a compreensão do cenário histórico é importante para entender o papel dos personagens femininos.


Amanda P. Montañés - amandaperezm@aol.com
As mu(danças) de uma Salomé dançante (Marta Traba: jogos de sedução)
Retomar o mito de Salomé no momento em que o mito se torna abstrato, implica analisar, no espaço da critica feminina latinoamericana, o estatuto da escritura literária na época de declinio da experiência estética, através de suas varias posições. Uma dessas posturas diz respeito a Marta Traba, uma das mais incisivas autoras críticas latinoamericanas. Analisar como diversos aspectos de Salomé se encarnam na sua consciência crítica é um desafio a ser superado nesta reflexão. Um dos aspetos mais marcantes da obra de Marta Traba foi sem duvida seu agudo senso crítico. As grandes figuras das artes plásticas, da literatura assim como da plítica foram escrutadas pela lente de suas indagações. A ortodoxia da consagração foi mudada pelo rigor da investigação e pela provocação de sus confrontos.