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Discursos e identidades
Coord: Salma Ferraz
Local:Auditório do CFH
Data:9/10/2002



Aracy Ernst-Pereira
- aracyep@terra.com.br
Discurso Proverbial: natureza e cultura no estudo do gênero
Parto da hipótese de que a especificidade da retórica que caracteriza as formulações proverbiais encontra-se estreitamente ligada à estabilidade lógica pretendida pelo sujeito pragmático. A bipolaridade feminino/masculino, que visa à determinação de lugares sociais para homens e mulheres e é naturalizada mediante práticas discursivas, aí se enquadra. Tal dualidade materializa-se semântica e formalmente nos provérbios, como tenho demonstrado em trabalhos anteriores. O mais genial dessa prática discursiva é que os provérbios, apesar de serem estereótipos culturais, isto é, formas criadas e fixadas na língua para sustentar crenças, convicções, superstições e preconceitos, são considerados (presumivelmente ou não) a expressão direta da natureza das coisas. Assim provérbios como A mulher e o vinho fazem errar o caminho, A mulher e o melão, o calado é o melhor, A mulher é um animal de cabelos longos e idéias curtas, ... que moldam insidiosamente a mentalidade dos indivíduos, através de recursos lexicais, sintáticos e prosódicos específicos, sugerem que as concepções de mulher pecadora (ou a que induz ao pecado), de mulher sem competência intelectual, ... são inerentes à própria natureza feminina e não fabricadas culturalmente. O presente trabalho é, antes de tudo, uma reflexão sobre o funcionamento discursivo desse tipo de estereótipo a partir da dualidade semântica e/ou formal que o constitui.


Débora de C. Figueiredo -
deborafigueiredo@terra.com.br
Discurso e identidade: a construção da identidade feminina através dos discursos sobre violência sexual
Vários teóricos das ciências sociais, como Foucault e Fairclough, argumentam que “o discurso é socialmente constitutivo” (Fairclough 1992, p. 64). O discurso não apenas reflete e representa a sociedade, como também a significa, constrói e constitui. Um dos efeitos construtivos do discurso pode ser visto na criação e modificação de identidades sociais. O discurso ajuda a construir tanto identidades sociais (ou posições de sujeito) quanto relações sociais. Neste trabalho discuto como discursos sociais e jurídicos constróem o fenômeno da violência contra a mulher, em especial o estupro, como os mesmos representam acusados e vítimas de estupro, e como estas construções discursivas influenciam a forma como as mulheres vêem os crimes de violência sexual, a sexualidade, e suas próprias identidades.


Joana Plaza Pinto - joplaza@uol.com.br
Gênero em linguagem: identidades plurais ou binárias?
Este trabalho discute como o discurso sobre linguagem opera as estilizações de gênero, postulando identidades. Está inscrito teoricamente na Teoria dos Atos de Fala, e na teoria de gênero de Butler. A partir de entrevistas qualitativas com jovens adultos universitários, a análise mostrou que os corpos variavam entre identidades de gênero plurais e binárias. Nessa produção, identidades de gênero masculinas produzem e adequam-se à violência na situação de fala, postulando um sujeito afirmativo e dominador. Identidades de gênero femininas submeteram-se ou recusaram violência em situação de fala, postulando sujeitos silenciados ou violentados pela própria tentativa de auto-afirmação.


Maria de Lourdes P. dos Santos - mlou25@hotmail.com
Homem não bate em mulher independente, ele apanha
Com base em uma metodologia de pesquisa introspectiva, este trabalho investiga como a construção do significado ocorre em um evento de leitura ao analisar os protocolos verbais em um grupo de três mulheres residentes na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro e oriundas do modelo logocêntrico de leitura, com interesse particular em observar como elas posicionam-se na leitura de textos, se envolvem em práticas intertextuais e como as leituras que fazem contribuem na (re-)construção de suas identidades de gênero feminino a partir de uma visão socioconstrucionista do discurso e das identidades sociais (Moita Lopes, 1998).


Rosvitha Friesen Blume - blume@cce.ufsc.br
A representação da violência privada no universo ficcional de Gabriele Wohmann
No presente trabalho realizo uma leitura dos contos Areia da Desilusão e Prescrito a partir do conceito de "violência simbólica" de Pierre Bordieu. Analiso o aspecto da violência auto-impingida e velada no mundo privado das representações femininas de Gabriele Wohmann.


Salma Ferraz - salmaferraz@ig.com.br
A experiência de escrever um dicionério machista