COMUNICAÇÕES LIVRES

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Identidades e gênero
Coord: Rosana Kamita
Local: Sala de reuniões 14 - CCE
Data:9/10/2002



Ana Cláudia Porto - anaclaudiaporto@bol.com.br
Videiras de Cristal e a figuração da profetisa: há espaço para frau Maurer?
Esta comunicação analisa a personagem Jacobina Maurer figurada no romance histórico de Luiz Antonio de Assis Brasil, Videiras de Cristal. Se, por um lado, a mutter pode ser vista como transgressora, pois esteve à frente do movimento messiânico mucker e, em parte, porque sua conduta apontava para uma mulher diferente das outras frauen; por outro, as bases em que se apóia estão ainda dentro dos padrões patriarcais. Ou seja, sair do espaço privado do lar para o espaço público como líder não lhe garante uma ruptura com os valores patriarcais. Nesse sentido, compreender em que medida o discurso literário a coloca como transgressora poderá evidenciar os mecanismos de manipulação que foram engendrados pelo discurso histórico oficial da época a seu respeito.


Marcia Fagundes Barbosa
O Guarda-roupa alemão de Lausimar Laus: gênero, experiência e identidade cultural
Trabalhando na desconstrução do texto de Lausimar Laus como o resultado das várias intersecções sociais, pode-se levantar as seguintes questões: Que posicionamento de sujeito feminino resulta das articulações culturais representadas no texto? Que convenções ideológicas e culturais constituem o sujeito feminino da colônia de Blumenau? Como a escrita feminina da autora dialoga com a cultura através da experiência e da memória na construção de uma identidade cultural? São questionamentos que surgem, pois o destaque às personagens femininas dentro do texto é evidente e, tendo este trabalho como preocupação principal questões referentes à identidade cultural, a identidade de gênero cruza significativamente este campo de reflexão.


Richard Miskolci - rmiskolci@yahoo.com.br
Uma Brasileira - a outra história de Julia Mann
O texto aborda o caso de Julia Mann, a matriarca da famosa família de escritores alemães, a qual nasceu no Brasil e foi levada para a Alemanha depois da morte de sua mãe. A partir da experiência de Julia como teuto-alemã durante o período imperialista exploramos as noções então correntes de nação, nacionalidade, raça e gênero. Na Alemanha da segunda metade do século XIX nacionalidade e raça eram indissociáveis. Julia, como brasileira pelo lado materno, sofreu preconceito por sua origem e era vista por seus contemporâneos como uma "mestiça". A imagem de "mulher brasileira" construída naquele período e sob a perspectiva alemã dá-nos pistas para compreender a imagem internacional ainda corrente das brasileiras. Em suma, buscamos desconstruir e historicizar o estigma de mistura racial, sexualidade exacerbada e exotismo que se atribui às brasileiras.


Simone Aires Vogel - simonevogel@bol.com.br
A busca pela identidade feminina na literatura sul-rio-grandense
Em todo mundo se fala hoje em busca pela identidade. A figura feminina tanto na perspectiva do real como da literatura não ficou excluida desta discussão. Não só a mulher, como também a personagem feminina, estão mudando esta perspectiva e ocupando um novo espaço na sociedade e na ficção.


Valéria Cardoso da Silva - valcardososilva@aol.com
A problemática do gênero/gender em A Costa dos Murmúrios
Pretendemos analisar como se configura a memória do corpo em algumas personagens de A costa dos murmúrios, da escritora portuguesa contemporânea Lídia Jorge. Buscamos compreender sua narrativa sob a perspectiva dos estudos do gênero (gender), paralelamente com a proposta de revisão ou releitura que a romancista faz sobre a guerra colonial em África. Partimos da idéia de pensar as (in)determinações das identidades de gênero e privilegiamos as discussões acerca das relações entre os sexos nesta obra romanesca.


Rosana Cássia Kamita - rosana@paraisoonline.com.br
Fronteiras
No livro Uma mulher do século passado Emma Hatzky (1890-1971) faz um relato de sua vida dividida entre a Alemanha e o Brasil. Edward Said destaca que aquele que se encontra fora de seu território de origem padece de um senso de alienação constante, estando no território do não pertencer, na fronteira entre nós e os estranhos, o que leva à solidão ou então à tentativa de viver entre os que também não pertençam ao grupo do nós. A autora é uma dessas pessoas que vivenciaram a difícil divisão de suas vidas entre duas pátrias, a de origem e a de adoção.