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Gênero e etnologia II
Coord: Antonella Maria Imperatriz Tassinari
Local:Sala 200 - CCE A
Data:9/10/2002



Angela Célia Sacchi - acsacchi@bol.com.br
Mulheres, movimento indígena e participação política
Dentre os fenômenos mais recentes ocorridos entre as sociedades indígenas no Brasil, é particularmente relevante o surgimento de um movimento indígena que, desde a década de 70, vem se estruturando como forma de resistência física e cultural e como interlocutor frente a um Estado em reformas. O mundo da política entre essas sociedades tem os homens como seus principais protagonistas (pelo menos, é isso que nós não-índios percebemos), em contraposição ao papel aparentemente apolítico das mulheres no cenário do movimento indígena atual. Deste modo, por muito tempo, a liderança (um caciquismo aceitável) foi deixada aos homens, a qual é conseguida devido aos laços de parentesco e certas características pessoais. Contudo, nas décadas de 80 e 90, inicia-se a participação de mulheres em organizações/associações (incentivadas ou não pelas agências da cooperação internacional) tanto fora como dentro das áreas indígenas, o que faz um quadro mais complexo do movimento indígena na atualidade. A partir de leituras de documentos produzidos pelo movimento indígena nestes últimos anos e utilizando a abordagem da antropologia de gênero, pretende-se, neste trabalho, contribuir para o debate sobre a participação política das mulheres no movimento indígena.


Katiuscia Maira Lazarin - kmlaz@zipmail.com.br
Mulheres indígenas na historiografia local catarinense
Investigando histórias de raptos de mulheres e crianças indíginas pelos bugreiros em obras historiográficas catarinenses de âmbito local, livros que relatam a história dos municípios e sua gente, ficou explícito o silêncio tanto em torno desta prática como, e principalmente, em relação a mulher indígina.Uma análise dos breves relatos sobre a experiência dos colonos imigrantes com a presença indígina que encontramos nestas obras nos dá uma idéia de como relações de gênero e etnia estão imbricadas e são parte constituinte do imaginário que se formou sobre o "confronto". A intenção deste trabalho é, portanto, apresentar as reflexões sobre esta análise, tentando perceber quais as relações entre imaginário, silêncio e exclusão social.


Lisiane Koller Lecznieski - lisi@astro.ufsc.br
O lugar das mulheres na cultura Kadiwéu: novos elementos para se pensar as relações de gênero no contexto ameríndio
As idéias em torno da associação das mulheres ao mundo doméstico (life-giving) e da universalização da dominação masculina, onde os homens são entendidos como senhores da vida política (life-taking) aparecem recorrentemente na antropologia. Não é mais novidade apontar o reducionismo dessas premissas e sugerir alternativas metodológicas e analíticas relacionadas com o próprio olhar etnográfico. O estudo da sociedade Kadiwéu nos coloca, por outro lado, o desafio de entender por que o alto status das mulheres deste grupo foi recorrentemente ignorada nas análises, mesmo a presença feminina sendo uma constante em praticamente todos os relatos antigos e recentes sobre o grupo. O objetivo deste trabalho será apresentar dados etnográficos que demonstram o lugar central das mulheres Kadiwéu (MS) no universo político intra e extra-grupal. A partir de minha experiência com o grupo, analisarei relatos de cronistas, viajantes, administradores coloniais (dos séculos XVII a XIX)e os registros mais recentes que Lévi-Strauss e Darcy Ribeiro fizeram sobre o grupo. Pretendo expor o androcentrismo característico de muitos destes olhares e dar visibilidade às características tão peculires que vinculam o mundo das mulheres e o mundo das crianças nesta sociedade que desnaturaliza a concepção e reserva também às crianças um lugar central.


Nazira Scaffi - nscaffi@uol.com.br
Mulheres indígenas - rompendo o silêncio
Este trabalho relata a experiência do I Encontro Estadual de Mulheres Indígenas do MS, realizado entre 10 e 13/09/2002, em Campo Grande, reunindo 70 mulheres das etnias Guarani-Kaiowá, Terena, Kadiwéu, Kinikinaua, Ofaié-Xavante e Guató. O evento, organizado pela Inter Ativa em parceria com entidades governamentais, teve como objetivo: revelar o grau de organização das mulheres indígenas, as concepções e estrutura de gênero, a diversidade de construções culturais do papel da mulher, visando subsidiar ações de fortalecimento do protagonismo feminino. Através da utilização do sociodrama como instrumento metodológico para facilitar a comunicação inter e intracultural, observou-se a revelação da subjetividade, a troca de conhecimentos, experiências de vida entre as participantes, a sensibilização e mobilização das mulheres indígenas para a iniciar a promoção da discussão sobre a realidade por elas vivida em suas comunidades.


Teresinha de Oliveira - teteoliveira@terra.com.br
Olhares que fazem a "diferença": a mulher índia em cartões postais
Este ensaio aborda a produção de identidades culturais femininas conectadas à diferença e relacionadas a um suposto padrão de normalidade. O objeto de análise é constituído por cartões postais, através dos quais fotógrafos/as lançam olhares sobre mulheres índias, produzindo identidades relativas, por exemplo, ao trabalho, a natureza e à maternidade.Assim, os significados são atribuídos através da linguagem sobre os quais não se indaga sua relação com a “realidade”, mas sim o quanto eles apontam para posições estereotipadas e que, por sua vez, implicam exclusões culturais. Considerando que os significados são produzidos socialmente, proponho problematizá-los valendo-me dos conhecimentos oriundos do campo dos Estudos Culturais, aliados a perspectiva pós-moderna.


Antonella Maria Imperatriz Tassinari - antonella@cfh.ufsc.br
Organização social Galibi-Marworno: memória e gênero
A comunicação tratará de aspectos da organização social Galibi-Marworno (Oiapoque/Amapá/Brasil), utilizando dados etnográficos provenientes de recentes pesquisas de campo comparados com a etnologia sul-americana. Especificamente, abordará as conseqüências da uxorilocalidade que, neste grupo, levam à consangüinização dos afins que habitam um mesmo segmento residencial (rang): "sogros" (WF) e "concunhados" (WZH) passam a ser considerados ou tratados, respectivamente, como "pais" (F) e "irmãos" (B). Isso faz com que os segmentos residenciais sejam vivenciados diferentemente por homens e mulheres: como um grupo ideal de consangüíneos pelos afins co-residentes masculinos ou como um grupo de afins e consangüíneos de diferentes linhagens, do ponto de vista das mulheres.