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Figurações do feminino
Coord: Peônia Vianna Guedes
Local: Sala de eventos - CCE B
Data: 09/10/2002



Adelaide Gonçalves
- adelaide@aol.com
Feminismo e anarquia em Maria Lacerda de Moura
A cultura operária anti-capitalista sempre procurou valorizar os direitos das mulheres. Era também comum, na imprensa e literatura libertárias, a crítica das instituições familiares, do casamento burguês e a defesa do amor livre, tematização a que alguns pensadores individualistas chegaram a dar um relevo especial. No Brasil, entre os anos de 1920 e 1940, Maria Lacerda de Moura destacou-se como ativa militante anarquista, tratando de temas como educação, direitos da mulher, amor livre, combate ao fascismo e anti-militarismo, tornando-se conhecida não só no Brasil, como em outros países da América do Sul, tendo seu pensamento difundido junto aos grupos libertários de Portugal, França e Espanha. O presente trabalho destaca as idéias, feministas e anarquistas, de Maria Lacerda de Moura na imprensa do Ceará (1928).


Cíntia Carla Moreira Schwantes - schw@ufpel.tche.br
Em nome da igualdade
O romance Duas iguais, de Cíntia Moscovich, constrói sua diegese através de dois eixos opostos que, de certa forma, se complementam. O primeiro é o que destaca as semslhanças entre Clara e Ana, e o segundo é o que estabelece sua diferença em relação aos outros personagens. Assim, a paixão entre elas configura-se não só como cumplicidade (fenômeno comum), mas também como igualdade, construindo uma relação amorosa na qual não há hierarquias


Eliane Terezinha do Amaral Campello - elianec@mikrus.com.br
A composição espaço-temporal em Künstlerromane de autoria feminina

Entre os Künstlerromane de autoria feminina, na contemporaneidade, há ficções que se aproximam devido ao uso de estratégias narrativas análogas. Essas são aparentes na composição espaço-temporal, que engloba a trajetória da protagonista-artista, o tema da busca e da viagem, a visão feminista e política do mundo e a "integração" à sociedade, via o processo de criação artística, único meio de emancipação da heroína. Salientam-se, entre outras, as obras de Lya Luft (brasileira), Anne Tyler (estadunidense), Clair de Mattos (brasileira) e Nancy Huston (canadense). Esses romances de artista apontam para novas perspectivas no destino das protagonistas.


Walnice Vilalva - wvilalva@ig.com.br
Donzela-Guerreira: memória, ruptura e tradição

Como figuração da junção entre o feminino e o masculino, a donzela-guerreira problematiza questões históricas e sociais. Nessa revisitação a valores, a personagem reorganiza conceitos como tradição e memória, estreitamente vinculada ao universo patriarcal e conservador. Propomo-nos, dessa maneira, a verificar as fronteiras em que os limites entre o feminino e masculino se colocam como reflexão crítica, ou, se apenas camuflam sentenças que ratificam esses mesmos valores. Este estudo baseia-se na configuração da personagem Maria Moura do romance Memorial de Maria Moura (Rachel de Queiroz).


Peônia Viana Guedes - peoniaguedes@alternex.com.br
Quando a arte, a história e a ficção se misturam: os discursos e intertextos de A moça com brincos de pérola, de Tracy Chevalier
Linda Hutcheon argumenta que existe uma outra visão de história no pós- modernismo, onde a história é vista como um construto discursivo do qual a ficção faz o mesmo uso que sempre fez de outros textos literários. A metaficção historiográfica mostra o mundo representado na obra literária como fictício e histórico, enfatizando as duas formas de discurso e concentrando-se mais naquilo que as duas formas têm em comum do que naquilo em que diferem. Em Moça com brinco de pérola (1999),Tracy Chevalier constrói, a partir de um quadro de Vermeer e de fontes sobre a Holanda no século XVII, uma narrativa que mistura discursos e intertextos artísticos, históricos e ficcionais, tecendo a história da jovem que serviu de modelo para o quadro, e dando voz à personagem que se contrói como narradora e sujeito de sua vida e de suas escolhas.