COMUNICAÇÕES LIVRES

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Gênero e etnologia I
Coord: Oscar C. Sáez
Local:Sala 201 - CCE A
Data:9/10/2002



Laura Pérez Gil - laurapg@cfh.ufsc.br
Xamanismo e gênero entre os Yaminawa
Embora, de uma forma geral, o xamanismo entre os Yaminawa (Pano) seja considerado um âmbito fundamentalmente masculino, durante o trabalho de campo foram recolhidos alguns depoimentos significativos sobre casos de mulheres que se iniciaram nesse campo de conhecimento. Os dados são especialmente reveladores porquanto não se enquadram no panorama geral exposto por outras etnografias no referente ao lugar que ocupa o feminino no xamanismo. Nas descrições feitas a respeito de outros grupos amazônicos ou se trata de sistemas onde o papel do especialista está reservado às mulheres, ou a figura do xamã é exclusivamente masculina, mas a mulher desempenha uma função importante no processo de iniciação do homem. Considero, portanto, que a particularidade do caso yaminawa é um ponto de partida interessante para pensar não apenas a caracterização geral do sistema xamânico, mas também as relações de gênero nessa cultura.


Liliane Brum Ribeiro - liliane@cfh.ufsc.br
Gênero, corpos e espíritos: morte e relações de gênero nos rituais funerários de culturas indígenas brasileiras
Este trabalho, realizado a partir de minha dissertação de mestrado sobre rituais funerários de populações indígenas brasileiras, pretende abordar alguns aspectos das relações de gênero presentes em tais contextos. Um dos objetivos é tentar perceber os lugares que mulheres e homens ocupam durante o ritual funerário, a partir do modo como se estabelecem as relações entre os vivos e entre os vivos e o morto. Outro elemento que se torna relevante para abordar as questões de gênero no trabalho, são as diferentes concepções de além e o destino diferenciado que homens e mulheres encontram após a morte.


Maria Ignez Cruz Mello - mig@cfh.ufsc.br
O papel do ciúme no ritual dos índio Wauja
A maioria dos rituais praticados pelos Wauja do alto Xingu é carregada de forte rivalidade entre os gêneros sexuais, que é externalizada através de cantos, xingamentos e brincadeiras. Descreverei aqui a chamada "festa do pequi", um ritual sazonal que ocorre no período as chuvas no alto Xingu, no qual o ciúme desempenha um papel determinante. O ciclo da festa que observei em campo teve duração de um mês e meio, entre outubro e novembro de 2001, e pode ser subdividido em onze partes diferentes. Através de apresentação de músicas e de imagens gravadas nesta ocasião, pretendo analisar as performances de homens e mulheres durante o ritual, tendo como pano de fundo o mito de Mapulawa que trata, ao mesmo tempo, da origem do pequi e da origem do ciúme.


Miguel Carid Naveira - miguelen@cfh.ufsc.br
"A ideologia do sangue: um estudo de caso e algumas dimensões comparativas"
O presente trabalho tem por objetivo se aproximar de algumas concepções nativas sobre a experiência do parentesco e as relações entre cônjuges tal e como são entendidas pelos Yaminawa, um grupo amazônico do macro-conjunto Pano (Alto Ucayali, Peru). A análise centrar-se-á no significado da menstruação através da exegese do mito de Lua, uma das narrativas mais expandidas entre os grupos das Terras Baixas da América do Sul, e de determinadas práticas rituais, que tem para os Yaminawa um papel central na ideologia de parentesco e de gênero. A discussão, além de apresentar uma forma concreta amazônica de entender alguns aspectos das relações entre homens e mulheres, pretende propor também uma dimensão comparativa usando os conceitos de pessoa e indivíduo para entender até que ponto o gênero faz o que não é.


Oscar Calavia Sáez - occs@terra.com.br
A mulher da onça é mulher ou é onça? Gênero, sujeito e humanidade na Amazônia
O binômio natureza/cultura tem marcado forte presença nos estudos de gênero, por ser uma das premissas destes (a distinguir gênero de sexo), mas também pela sua associação com a própria dicotomia de gênero. Identificar o feminino com a natureza e o masculino com a cultura seria uma estratégia de dominação, de alcance virtualmente universal. Os estudos atuais sobre as cosmologias ameríndias têm dedicado muita atenção ao papel que nelas cabe atribuir ao par cultura/natureza. A partir desses estudos pode se questionar a citada tradução do par em termos de gênero, cuja base etnográfica é duvidosa. Ou, o que é mais, substituir cultura/natureza por outras relações mais acordes ao pensamento indígena, como as que se travam entre sujeito e corpo. Que lugar as relações de gênero ocupariam nessa nova configuração? Esta comunicação sugere algumas indagações neste sentido a partir dos jogos de relação animal/humano e masculino/feminino que aparecem em relatos amazônicos de transformação.