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Feminismos e utopias
Coord: Maria de Lourdes Borges
Local: Auditório da Biblioteca Central
Data: 10/10/2002



Ana Liési Thurler - ana_liesi@uol.com.br
Que democracia? Gênero e utopia na América Latina e Caribe
Adotando como base empírica investigações realizadas junto a mulheres participantes do 8º Encontro Feminista da América Latina e Caribe, em novembro de 1999, e do 13º Encontro Nacional Feminista, em abril de 2000 ¾ eventos feministas, finais do século XX, em suas respectivas esferas ¾, o trabalho apresenta traduções encontradas para democracia, por meio de dez indicadores relativos a poder, cultura, saúde e sexualidade, trabalho e educação. Em torno de cada um deles o instrumento de pesquisa propôs cinco questionamentos. Esta comunicação trabalha com o questionamento que perpassa transversalmente todos eles: é esse indicador imprescindível, necessário, ao aprofundamento e à ampliação da democracia, desde a perspectiva das mulheres?Adotando como base empírica investigações realizadas junto a mulheres participantes do 8º Encontro Feminista da América Latina e Caribe, em novembro de 1999, e do 13º Encontro Nacional Feminista, em abril de 2000 ¾ eventos feministas, finais do século XX, em suas respectivas esferas ¾, o trabalho apresenta traduções encontradas para democracia, por meio de dez indicadores relativos a poder, cultura, saúde e sexualidade, trabalho e educação. Em torno de cada um deles o instrumento de pesquisa propôs cinco questionamentos. Esta comunicação trabalha com o questionamento que perpassa transversalmente todos eles: é esse indicador imprescindível, necessário, ao aprofundamento e à ampliação da democracia, desde a perspectiva das mulheres?


Isabel Goyes Moreno - isabelgm99@yahoo.com
Mujer Pastusa: entre la liberación jurídica y el sometimiento real


Margarete Edul Prado de Souza Lopes - magalopes50@yahoo.com.br
O Feminismo no Acre segundo Florentina Esteves: a história de um projeto político
Entre o grupo minoritário de mulheres que se atreveram a escrever obras de ficção e poesia no Acre, nas décadas finais do século XX, destaca-se Florentina Esteves. Dona de um estilo despojado, de linguagem simples, às vezes denso e carregado de sutilezas, a autora já tem três obras publicadas: Enredos da Memória, contos de 1990, O Empate, romance de 1998 e Direito & Avesso, segundo livro de contos de 1998. Pertencente à classe média alta riobranquense, sua obra ainda é pouca conhecida no cenário literário acreano, como acontece, em geral com todos os autores locais. Sendo assim, Florentina é mais conhecida e lembrada como a professora de Francês do mais antigo e afamado colégio da cidade, o Colégio Acreano, como ex-secretária de Educação e muito pouca gente sabe de sua atividade feminista nos anos 80, quando criou o Grupo 24 de Janeiro. Este trabalho pretende contar a trajetória da escritora Florentina Esteves na militância política e sua importância para os movimentos femininos e grupos de mulheres existentes no Acre na atualidade.


Silvana Maria Bitencourt
Novas Feministas: um estudo antropológico sobre militância e juventude
Esta pesquisa foi realizada com jovens feministas brasileiras. Neste artigo reflito sobre a construção da identidade feminista presente nos discursos de jovens mulheres militantes de diferentes organizações (particularmente de ONGs e sites feministas na internet). A pesquisa teve como principal objetivo compreender o significado do feminismo na vida de jovens mulheres que se auto afirmam feministas. Utilizei como métodos de investigação a observação participante, entrevistas e depoimentos. Contrariando o estereótipo negativo da denominação de feminista construído historicamente, as jovens feministas desta pesquisa, na medida que valorizavam o "ser feminista" em seus discursos, falavam de um suposto poder que a incorporação desta identidade poderia significar. O feminismo na vida das jovens está marcado por diferentes trajetórias. Em relação aos discursos analisados entre as jovens, afirmo que elas não estão fixas a uma única justificativa de se afirmarem feministas. Elas moldam suas identidades conforme as motivações e os interesses vinculados a um tipo de feminismo que contemple vivências e experiências pessoais e políticas. Deste modo, as experiências feministas podem ser entendidas por três meios : familiar, acadêmico e institucional. Considero o feminismo dessas jovens, como um universo a descobrir novas práticas políticas-culturais, numa transição efetuada em diversos meios de sociabilidade.


Vania Sandeleia Vaz da Silva - vania_sandel@bol.com.br
Marxismo e feminismo: será possível (ou desejável) continuar articulando estes dois sistemas de pensamento e práticas sociais atualmente
Tanto o feminismo quanto o marxismo provocaram profundas e irreversíveis mudanças no campo das idéias e no campo das práticas sociais. O objetivo é verificar as afinidades e diferenças entre ambos e discutir se é possível combinar teórica e politicamente a perspectiva feminista (que ressalta a identificação das relações de gênero que subordinam as mulheres como uma das formas de poder e desigualdade sociais, que permeia todos os aspectos da vida social e tem conseqüências nos terrenos do material e do simbólico/cultural) e o marxismo (teoria que possibilita entender a natureza íntima do capitalismo e a lógica de seu desenvolvimento) e analisar também se tal articulação faz sentido atualmente (considerando-se fenômenos como a globalização, e a existência das teorias "pós": estruturalista, feminista e moderna).


Maria de Lourdes Borges - mlourdes@cfh.ufsc.br
Uma defesa feminista do Liberalismo
Neste trabalho pretendo apresentar a defesa feminista do liberalismo feita pela filósofa Martha Nussbaum no livro Sex and Social Justice (1999). O liberalismo político ao qual Nussbaum se refere não é o liberalismo econômico, mas a tradição do liberalismo kantiano, representado atualmente por John Rawls, e também a tradição liberal utilitarista clássica, representada por Stuart Mill. As feministas americanas dirigem três críticas centrais ao liberalismo: 1) o liberalismo é muito individualista, enfatizando a dignidade e o valor do indivíduo e subestimando o valor da comunidade e entidades socias coletivas, tais como família, grupos e classes; 2)o ideal de igualdade do liberalismo é muito abstrato e formal; 3) enfatiza em excesso a razão, dando pouca importância aos sentimentos e ao cuidado com os membros da comunidade. Nussbaum pretende mostrar que essas críticas não se sustentam dentro de uma análise mais detalhada da tradição do liberalismo político. Além disso, ela enfatiza que valores desta tradição tais como autonomia, direitos, dignidade e auto-respeito continuam sendo utilizado pelas mulheres no seu movimento de libertação e crítica social. Se empregarmos estes termos no seu sentido radical, tal como fizeram Kant e Mill, teremos uma teoria capaz de fazer a crítica feminista à sociedade contemporânea.