COMUNICAÇÕES LIVRES

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Representações do feminino
Coord: Viviane Heberle
Local:Sala 312 - CCE B - 3º andar
Data: 10/10/2002



Ana Carolina Eiras Coelho Soares
- anacarolinaecs@uol.com.br
Senhora: a grinalda de ouro das obras de José de Alencar
As questões de gênero na obra Senhora de José de Alencar, enquanto relações de poder que se estabelecem no interior da trama entre as personagens femininos e masculinos, trazem alguns questionamentos a respeito das construções representativas criadas pela literatura do século XIX sobre os costumes e comportamentos considerados "corretos" pela sociedade. Não pretendo pensar nas personagens como retratos fidedignos, mas como representações da realidade construídas a partir da perspectiva do autor. Senhora é não apenas uma estória de uma mulher que "compra" seu marido e rende-se submissão do Amor que brota em seu coração, mas sobretudo, um manual que nos revela até certo ponto como as sociabilidades eram construídas na sociedade do século XIX, e em outra medida é também o relato das aspirações e desejos de um intelectual que se julgava comprometido em civilizar seus leitores dentro dos parâmetros europeus. José de Alencar foi um autor consagrado, cuja obra foi largamente consumida por leitores no Brasil de seu tempo, e de certa forma até os dias de hoje. Desta maneira, busco mostrar que não apenas em seus escritos políticos, mas também em suas obra romântica pode-se perceber suas intenções políticas de trazer a civilização e os novos hábitos da modernidade para a pátria independente brasileira.


Juliana Primi - juprimi@bol.com.br
As mulheres de Machado: a condição feminina nos romances da fase de Machado de Assis
O objetivo da comunicação é analisar a situação feminina nos romances da primeira fase de Machado de Assis em relação à realidade social no Rio de Janeiro do século XIX. Verificar como o autor tratou da adaptação dessas personagens femininas às convenções desta realidade social - que impossibilitavam a mulher de transgredir os limites que lhe eram impostos e que ofereciam o casamento como aspiração máxima - ligado às concepções românticas tardias. Machado expressou, por meio destas personagens, sua preocupação com a sociedade patriarcal no Rio de Janeiro do século XIX: Guiomar, Helena e Estela mostram que o êxito social e a felicidade só podem resultar do culto da ambição. Embora o acaso as caminhe ao seio de famílias ricas, elas encontram dificuldade em conciliar o amor com a conquista do espaço privilegiado da riqueza. O suspense em A Mão e a Luva, Helena e Iaiá Garcia decorre dessa situação, na qual idéia de casamento é fundamental. Ressurreição, primeiro romance desta fase, apresenta certas particularidades: a ausência de ação exterior indica o interesse pelo mundo interior das personagens - o escritor concentra-se no estudo do contraste de temperamentos entre a viúva Lívia e o médico Félix -, aproximando-o das obras maduras da segunda fase; e o tema central é o ciúme e não a ambição, como nos romances seguintes, nos quais as heroínas são moças nascidas abaixo de seu merecimento e buscam superar o passado. Estas são independentes do amor, ao contrário de Lívia, totalmente dependente deste sentimento e que, por isso, suporta a desconfiança de Félix em relação ao seu passado (o dela). Ela apresenta uma postura forte e decidida apenas no final do romance, quando rompe definitivamente com o noivo. Vale citar as palavras de Lúcia Miguel Pereira a respeito desta personagem: “Lívia, em cuja figura já se percebe a volúpia tão freada e tão forte do autor, não chega a ser uma mulher. É uma bela estátua, e sua rival, a meiga Raquel, apenas uma daquelas virgens cloróticas cuja morte Machado cantou, a exemplo de todos os poetas românticos”. Guiomar (A Mão e a Luva) é afetuosa, sensível, inteligente e ambiciosa. É tão forte que se torna bem sucedida no seu desejo de tornar-se alguém na vida, esquecendo sua pobreza. Seleciona e escolhe o homem de sua vida, escrevendo e ordenando-lhe que a peça em casamento. Repudia a situação passiva e, entre o romântico Estevão e o ambicioso Luís Alves, ela escolhe o segundo que, além de amá-la “com um amor um pouco sossegado – como podia havê-lo no coração de um ambicioso”, satisfaz suas ambições, elevando-a socialmente. O casamento aparece como expectativa máxima de realização da sua vida: as semelhanças entre ela e Luís Alves são o que os faz serem uma “mão” feita para uma “luva”, provando que o cálculo produz mais felicidade do que o amor. Helena (Helena) se submete a uma espécie de luta na qual deve agradar e dar provas de mérito até ser reconhecida de forma digna e de bom grado. Dessa forma, a ascensão social deveria decorrer do afeto familiar e não por meio do testamento. Daí conclui-se que ela não possui, como Guiomar, o gosto por bens materiais. Dotada de uma superioridade de espírito e de amor próprio, “prefere a miséria à vergonha”. Por isso, acaba entregando-se à morte, que aparece de forma conveniente, solucionando o problema do amor impossível por Estácio e espelhando uma crítica do autor à sociedade que favorece os ricos. Estela (Iaiá Garcia) é a singular perdedora da narrativa: a bela, desejável e nobre estrela decide derrotar a si mesma, por puro orgulho natural e pessoal, rejeitando e escondendo-se do amor de Jorge. É uma criatura marcada pelo trauma de possuir um pai que vive de favores e concessões de uma família rica – a de Jorge. A renúncia a este amor é com o intuito de manter-se em uma posição digna dentro da classe social a qual pertence. Suas atitudes são racionais, e ela não se deixa levar ao arbítrio do amor. Obséquio, condescendência e afabilidade dos ricos são humilhações a que a personagem escapa, mostrando o anti-romantismo de conotação igualitária e a imobilidade: cada um deve ficar em seu lugar e conhecer sua condição.


Liliana Mabel Gallo - donatelli@labmetro.ufsc.br
Novas Cartas Portuguesas, o (des)afio
Novas Cartas Portuguesas, de M. I. Barreno, M. T. Horta e M. Velho da Costa é uma obra escrita em conjunto no ano de 1971, editada no 72, que toma como pretexto outro do século XVII. Este novo texto é uma longa carta inacabada para um destinatário, nem homem nem mulher, que exige que cada um teça sua própria história. Desafia as convenções de gênero epistolar, bem como questiona as relações de gênero entendidas como relações de masculino-feminimo na cultura, utilizando uma amalgama de procedimentos artísticos, com paixão de ousar e escancarar, esta obra apresenta um corpo de mulher que tenta quebrar os mitos antigos. Assim sendo, este trabalho pretende partilhar esses fragmentos ou, as diferentes camadas das quais ele está composto.


Luciana da Silva Muniz - luke.muniz@bol.com.br
O amor que tudo vence: mistério, distância e morte In Cinco Minutos
Tem o presente trabalho a intenção de regate do perfil feminino traçado por Alenca, apreendendo a realidade da segunda metade do século XIX e analizando a importância da literatura como fonte histórica, utilizando a pequena novela Cinco Minutos como elemento que assistiu à época. Apesar da atual marginalização e esquecimento o primeiro livro de Alencar provocou grande interesse aos leitores contemporâneos à sua estréia. O romance alencariano foi produzido para os leitores de um jornal, então moldado para atender aos anseios da s classes superiores . a ideologia burguesa foi amplamente difundiada com fortes influências européias. As tranformações não ficaram apenas no Âmbito cultural, a partir de 1850 o Brasil passou por modificações sócio-econômicas e o Rio de Janeiro era o pólo político, econômico e cultural do país. Em sua obra Alencar descreve e questiona a sociedade em que está inserido, interligando os problemas da cidade, o mal do século, as convenções sociais à uma história de amor.


Jussara Bittencourt de Sá -
A (inter)nacionalidade em Patkull


Viviane Heberle - heberle@cce.ufsc.br
Reflexões sobre as condições da mulher segundo Germaine Greer
Neste trabalho apresento as visões da Dra Germaine Greer sobre as experiências das mulheres nos últimos 30 anos. Germaine Greer é uma pensadora contemporânea feminista, professora de Língua Inglesa e Literatura Comparada na Universidade de Warwick, Inglaterra. Entre seus livros mais famosos destaco os "bestsellers" The Female Eunuch e The Whole Woman, além de outros como The Obstacle Race, Sex and Destiny, The Cahnge, The Madwoman’s Underclothes, Daddy, I Hardly Knew You, The Change, Slip-shod Sibyls. Em uma das mais recentes obras, The Whole Woman, considerada uma sequela do The Female Eunuch, Dr. Greer enfatiza que a discriminação contra as mulheres ainda persiste e que a igualdade entre os sexos é só disfarçada. De forma erudita e provocativa, nesta obra, dividida em 33 pequenos capítulos, Dra Greer examina questões sociais amplas relacionadas às condições das mulheres tais como saúde, sexo, trabalho, política e economia. Para discutir e exemplificar as dificuldades e contradições que mulheres de diferentes partes do mundo enfrentam, Dr Greer assume uma postura política diante dessas questões e apresenta evidências de autoridades médicas, políticas, legais e educacionais.