COMUNICAÇÕES LIVRES

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Resgates e feminismo
Coord: Zahidé Lupinacci Muzart
Local: Auditório do CCE - B
Data: 10/10/2002



Ana Rita Fonteles Duarte - anaritafonteles@bol.com.br
Entre história e memória, os caminhos da feminista Carmen da Silva
O estudo da escrita e construção da memória da jornalista Carmen da Silva contribui para a compreensão da história das mulheres e vivências do movimento feminista no Brasil. Tomando como ponto de partida sua narrativa autobiográfica, busca-se as experiências e opções que a constituíram como feminista nas décadas de 1960-1980, cruzando seus escritos com os discursos construídos em torno de sua pessoa. Fruto da geração que entendeu a politização dos problemas privados como primeiro passo para a mudança das relações entre os gêneros, Carmen demonstra, na construção de suas memórias, a tentativa constante de articulação de sua história pessoal com a história social e política. Acomodando a memória, através das ações de lembrar e esquecer, a personagem construía um sentido para sua identidade individual e de grupo.O estudo da escrita e construção da memória da jornalista Carmen da Silva contribui para a compreensão da história das mulheres e vivências do movimento feminista no Brasil. Tomando como ponto de partida sua narrativa autobiográfica, busca-se as experiências e opções que a constituíram como feminista nas décadas de 1960-1980, cruzando seus escritos com os discursos construídos em torno de sua pessoa. Fruto da geração que entendeu a politização dos problemas privados como primeiro passo para a mudança das relações entre os gêneros, Carmen demonstra, na construção de suas memórias, a tentativa constante de articulação de sua história pessoal com a história social e política. Acomodando a memória, através das ações de lembrar e esquecer, a personagem construía um sentido para sua identidade individual e de grupo.


Elisabeth Juliska Rago - bethrago@terra.com.br
Dra. Francisca Praguer Fróes (1872-1931): uma precursora do feminismo na Bahia
Nesta comunicação busca-se refletir sobre a temática feminismo e medicina presente no discurso/atuação da médica baiana, formada em 1893, na Faculdade de Medicina da Bahia. Foi a primeira mulher a publicar artigos científicos na Gazeta Médica da Bahia. Ainda que o meio médico, de um modo geral, fosse hostil ao feminismo, a ginecologista e obstetra buscou conscientizar suas contemporâneas, através de artigos publicados na imprensa local e nacional para que lutassem pela emancipação feminina.


Cleusa Gomes - cleusa@unibrasil.com.br
História e literatura: a linguagem literária como forma de expressão poética feminina
A presente comunicação tem por objetivo analisar o ato de narrar das escritoras Ercilia Nogueira Cobra no romance "Virgindade Inutil e Anti-Higiênica", de 1924, Carmen Dolores em "A Luta, de 1911 e "Almas Complexas", de 1934, Laura Villares em "Extasis", de 1927, destacando nos textos de autoria feminina o processo de criação poética e as possibilidades singulares de intervenção da mulher autora através da escrita.


Constância Lima Duarte - constancia@ufmg.br
Literatura e feminismo no Brasil: primeiras manifestações
Esta comunicação pretende tratar da repercussão das idéias feministas na literatura produzida por mulheres no Brasil, no século XIX, a fim de detectar alguns momentos representativos do diálogo daí decorrente. Dentre as autoras citadas, estão Nísia Floresta, Narcisa Amália, Luciana de Abreu, Josephina Álvares de Azevedo e Carmen Dolores, entre outras.


Marie Hélène Catherine Torres - mariehelenetorres@hotmail.com
A pouca visibilidade das escritoras brasileiras traduzidas na França


Sonia Cristina B. R. Manzoni Ramos - crisbern@bol.com.br
A voz feminina, contraditória e errante, em A Rainha do Ignoto de Emília Freitas
Este trabalho está inserido em um conjunto de estudos, no meio acadêmico, sobre mulher e literatura, é fruto de um momento em que o interesse em reeditar e reler a produção feminina do passado visa oferecer ao público leitor e ao espaço universitário a oportunidade de reescrever a história literária brasileira, trazendo à cena muitos nomes de autoras e obras, silenciados pela seleção canônica. Desta forma, o resgate e a revisitação da literatura feminina do século XIX são o objetivo principal deste estudo. A Rainha do Ignoto, de Emília Freitas, foi escolhido porque, a um só tempo, revela-se singular entre seus pares e reflexo das questões que acercavam as mulheres brasileiras de classe média que viviam em regiões do interior do Brasil no final do século XIX. O leitor encontra nesta obra não só a vontade transgressora e desafiadora de sua protagonista contra os padrões patriarcais, mas também ranços e retrocessos oriundos de um sistema que impregnava toda a sociedade. Procura-se mostrar neste trabalho que esse caráter contraditório não se revela um demérito para o romance, apenas reflete o momento contraditório de transição que marca o final do século XIX com a adesão a novas idéias libertárias que preparavam o novo século e a resistências dos antigos padrões que dominaram por séculos a cena social. As rupturas e transgressões, evidenciadas na narrativa, restringem-se ao espaço mítico denominado Ilha do Nevoeiro, onde a protagonista e suas paladinas vivenciam experiências paranormais. Unido pelo mesmo sentimento: a desilusão com o amor romântico, o grupo de mulheres liderado pela Rainha do Ignoto tem por objetivo o combate ao mal e às injustiças do mundo comandado pelos homens. Ao mesmo tempo em que mostra ser independente e altruísta, a heroína revela estar impregnada por um sentimento de errância e solidão, conseqüência da sua escolha radical que consiste em combater o modelo patriarcal consolidado. Defende-se neste estudo que o sentimento de errância manifesto pela heroína representa, na verdade, a voz de um grupo social desterrado, relegado ao espaço doméstico que não encontra seu lugar numa sociedade feita por homens para os homens.


Zahidé Lupinacci Muzart - zahide@floripa.com.br
Mulher e periodismo no século XIX
No presente trabalho, tento rastrear a representação do negro (escravos, alforriados ou mulatos) em alguns textos de mulheres do século XIX. Procuro detectar em livros de viajantes francesas e de escritoras brasileiras como a mulher encarou a escravidão e como escreveu sobre ela. E, pretendo verificar se os preconceitos freqüentaram a pena feminina com a mesma coloração racista de seus congêneres, homens.Analiso o livro de Adèle Toussaint-Samson, Une parisienne au Brésil que, tendo vivido no Brasil por doze anos, publicou em 1883, na França, suas memórias. Nelas, não somente a crítica à escravidão tem lugar mas também os preconceitos de européia branca. Também leio algumas escritoras brasileiras da época que, utilizando a escrita para manifestar-se contra a escravidão, deixam aflorar idéias conservadoras e racistas.