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Mídia, televisão e internet
Coord: Nara Magalhães
Local: Sala 330 - CFH
Data: 9/10/2002



Inês Hennigen
- ihennigen@cpovo.net
Fernanda Jaeger
Os Normais: refletindo sobre mídia e relações de gênero

O objetivo deste trabalho é discutir as relações de gênero a partir da análise de um episódio da série Os Normais, exibida pela Rede Globo. A série, que focaliza o cotidiano de um casal de noivos "normal", afigura-se como um excelente pano de fundo para discutir a importância da mídia na constituição das identidades na contemporaneidade e, num cruzamento mais especifico, as questões relativas à identidade de gênero e às relações entre e intra-gêneros. A análise mostra que, mesmo quando um programa veicula o que poderíamos chamar de "representações hegemônicas de gênero", é possível vislumbrar falas/cenas que apontam em outras direções, que abrem espaço para o engendramento de significações dispares.


Leandro Lemes do Prado - leolemes@aol.com
Homem bonito, branco, olhos azuis procura: uma análise de anúncios pessoais homoeróticos divulgados no meio eletrônico
As interações entre as pessoas são mediadas pela linguagem e nessas relações sociais os sujeitos vão se construindo como masculinos ou femininos, arranjando e desarranjando suas formas de ser e de estar no mundo (Louro, 1997:28). Uma forma de interação entre as pessoas é a divulgação de Anúncios Pessoais (APs) que são os produtos textuais de um discurso de conveniência e comercialização, semelhantes a propagandas de compra e venda de produtos (Coupland, 1996:186-7). As escolhas lexicais feitas nesse gênero textual revelam como Anunciantes representam a si e ao Alvo de sua busca, pois a maneira como as pessoas são classificadas ou nomeadas é sempre ideologicamente importante para determinar papéis sociais (Caldas Coulthard, 1994:118). Este trabalho apresenta uma análise das escolhas lexicais utilizadas para caracterizarem Anunciante e Alvo em APs eletrônicos produzidos por homossexuais, tomando categorias utilizadas na análise de impressos. Nesse sentido, pesquisas que investiguem as formas de representação são importantes porque as escolhas lexicais são escolhas de significado e representam um repertório de conceitos.


Marcia Rodrigues Aquino - aquini@uol.com.br
A busca da outra no asilo midiático

Este trabalho procura analisar o fenômeno que denomino asilo midiático, um ambiente interacional midiático onde membros de grupos estigmatizados; neste caso as mulheres de prática homossexual; podem compartilhar suas subjetividades com seus pares protegendo suas identidades de uma exposição potencialmente constrangedora. São analisados sites e chats além da seção Troca-Cartas da revista Um outro olhar, entendendo esse espaço como locus de resistência social contra uma definição hegemônica da prática homossexual, apesar de sua fragilidade como proteção da identidade.


Mérli Leal Silva - merli@via-rs.net
Programas femininos em televisão: perspectivas multiculturais

Este paper busca analisar o discurso televisivo dos programas exibidos para o público feminino na tv aberta brasileira, considerando a configuração social das relações de gênero, as questões de poder e linguagem da televisão enquanto mídia de massa e as perspectivas multiculturalistas que existem para tornar este discurso menos segregador e mais integrador, formador de cidadania, igualdade e liberdade para homens e mulheres.


Nara Magalhães - nara@cfh.ufsc.br
As falas de homens e mulheres no momento de ver TV - diferenças e semelhanças
O trabalho a ser apresentado consiste numa reflexão a respeito do modo de homens e mulheres verem TV, a qual é resultado da interpretação das falas de indivíduos pertencentes a camadas médias, que puderam ser registradas durante o momento de ver TV. As narrativas referem-se ao Jornal Nacional da Rede Globo, mas também a telenovelas vistas antes e depois do Jornal. Mostram homens e mulheres vendo TV, ora juntos, ora individualmente, e posicionando-se, dialogando de modo indireto, pois ao falarem de outras pessoas que vêem na TV, parecem estar falando de si, apropriando-se do espaço de recepção para reafirmar diferenças de gênero. Mas aparece também uma semelhança inesperada entre homens e mulheres no modo de interpelar a imagem: as críticas à aparência dos personagens da tela; os posicionamentos em questões consideradas polêmicas no campo de gênero parecem se dar com base nos mesmos pressupostos, ainda que simétricos. São narrativas férteis para entender como a TV serve de mediadora entre as imagens de si e do outro que vão sendo compostas no espaço da recepção, e como ela serve de metáfora para falar dos conflitos nas relações sociais e nas relações de gênero, sem necessidade de explicitá-los diretamente - é na crítica que eles se tornam visíveis.