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Identidade, nação e tradição
Coord: Luiz Felipe Guimarães Soares
Local: Sala de vídeo - Colégio de Aplicação
Data:10/10/2002



Andréa Bandeira Silva
- andreabandeira@ibest.com.br
O tema Padre ibiapina: de Gilberto Freyre à aborgadem de gênero

A contribuição do pensador Gilberto Freyre é mister à historiografia brasileira, desde que deixou como legado mais que obras acabadas: uma nova possibilidade no fazer histórico, ao adotar modernos conceitos epistemológicos. Valiosos são os temas que se avultam nas entrelinhas dos seus escritos, inspirando o projeto de dissertação O Padre Ibiapina (1866-1883): Uma Abordagem de Gênero. Trabalho que revisita um lugar e um tempo da História do Nordeste, por muitos estudado, e que, no entanto, a expressão feminina foi silenciada. O valor de descortinar as sujeitas da História obriga a continuidade das iniciativas desse autor, uma vez que resulta no enriquecimento dos modelos de pesquisa.


Héctor Fernando Segura-Ramirez - hecthor@obelix.unicamp.br
Raça e gênero em Casa Grande & Senzala

No ensaio crítico a ser apresentado partimos da premissa de que historicamente gênero, classe e raça têm se cruzado para criar diferenças nas formas de construção, produção e reprodução de pessoas, de grupos de pessoas e dos lugares que estas ocupam na geografia de poder. E evidenciamos como em Casa-Grande & Senzala , Gilberto Freyre articula as categorias analíticas gênero, classe, raça e idade e, como estas a partir do processo de hierarquização de gênero/raça operam no discurso do autor como sistemas combinados de construção de desigualdade na configuração histórica da sociedade brasileira. Mostramos como são construídas por Freyre, de uma forma hierárquica, racializante e sexualizada, as diferenças entre os três grupos sociais (brancos, negros e indígenas) que estão na gênese da sociedade brasileira. Isto é, como são discursivamente construídos por Freyre, homens e mulheres desses grupos, e como ele vê as relações de gênero e raça entre os membros dos grupos em questão: homem branco/mulher branca, negra, indígena; homem negro/mulher branca, negra, indígena; homem indígena /mulher branca, negra, indígena, como são construídas de forma hierárquica e contrastiva as masculinidades dos homens negros, brancos e indígenas, e como na construção das identidades raciais e sexuais são incorporados os estereótipos negativos a respeito dos grupos subordinados.


Joaquim Jorge Monteiro Morais - jmmorais@hotmail.com
A construção da cidadania da mulher caboverdiana, pós-independência
Esta pesquisa, que ainda se encontra em andamento, pretende trabalhar, através de pesquisas documentais e histórias de vida, as mudanças ocorridas, ou não, nas relações de gênero em Cabo Verde, pais africano que se tornou independente a 5 de Julho de 1975. Para tal, recorreu-se a entrevistas com as universitárias caboverdianas em curitiba, pois representam a geração pós-independência que cresceu convivendo com as tradições culturais e as mudanças sociais e constitucionais do pais. Vale lembrar que os 10 primeiros anos de vida do pais coincidem com a Década das Nações Unidas para a Mulher. A hipotese que norteia o trabalho é a de que a Década das Nações Unidas para a Mulher constitui uma especificidade política importante, com influência sobre as políticas públicas de gênero, tendo consecuências socioculturais positivas.


Maria Aparecida Rodrigues Fontes - marfonte@zaz.com.br
Nacional por adição: o Estado fascista e a política de nacionalização da mulher na Itália
Buscar as razões pelas quais um regime caracterizado pela repressão totalitária e pela reação patriarcal tenha sido vivido de modo ambivalente é um dos fios condutores para se refletir sobre a fabricação da identidade feminina durante o período fascista, sobretudo o que diz respeito aos modelos educacionais e culturais aos quais as mulheres estavam submetidas. Modelos que explicitavam o conflito entre a ânsia de modernidade e o desejo de restauração da autoridade tradicional que atravessa toda a historia do Regime Fascista.


Marina Bay Frydberg - marinabay18@hotmail.com
Atrás de um grande homem sempre existe uma grande mulher: um estudo antropológico
Esta pesquisa buscou compreender como ocorre a inserção da mulher no Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), este que na sua origem era exclusivamente masculino. Através de entrevistas sobre a história de vida de algumas mulheres no MTG buscou-se verificar como elas ingressam no movimento e qual o seu verdadeiro papel dentro dele. Identificou-se na estrutura do MTG a permanência da hierarquização entre os sexos, enquanto o discurso das mulheres salientava uma complementaridade entre o homem e a mulher.


Luiz Felipe Guimarães Soares - felipenara@yahoo.com.br
Quero sugerir a infantilização como marca da analogia entre a hierarquia de gênero e a pós-colonial. Mais especificamente, quero me concentrar no período da Segunda Guerra, quando uma parte importante das imagens das identidades nacionais brasileira e americana estava sendo consolidada. O corpus reúne algumas seqüências de filmes com Carmen Miranda trabalhadas na tese de doutorado que defendi na Ufsc ano passado. A analogia se estende rumo à noção de determinação como sinal de "evolução": assim como a criança (i.e., o infante, o inferior), a mulher e o país “em desenvolvimento” são menos “bem definidos” do que seus opostos hierárquicos.