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Violência III
Coord: Clara Dornelles
Local: Sala Harry Laus - BU
Data:10/10/2002



Carla Regina Nascimento de Paula
- carlarnp@bol.com.br
Alessandra Nogueira Araujo - araujoalessandra@bol.com.br
O sentidos da violência de gênero e a emergência de demandas sociais: uma comparação entre atendimento individualizado e atendimento em grupo na delegacia de mulheres de Belo Horizonte
Em 20 de abril de 2001 foi iniciado no Setor de Psicologia da Delegacia de Mulheres de Belo Horizonte o atendimento em grupo às mulheres em situação de violência, com o objetivo de entender quais são os sentidos da violência para essas mulheres e possibilitar a emergência de demandas sociais que possam transformar a realidade vivida. O grupo se apresentou como alternativa ao atendimento individual oferecido até então, dando continuidade ao estudo (ainda em andamento) que pretende entender a Instituição e, assim, situar o atendimento psicológico que é ali realizado. Ao completar um ano, este grupo recebeu o nome de As Faladeiras, nossa tradução de Les Bavardes, em homenagem à Camille Claudel e suas belíssimas esculturas representando mulheres em grupo. Este trabalho discute alguns acontecimentos que têm marcado o processo de constituição do Grupo.


Clara Dornelles - clara@univali.br
A culpa não é minha!: a guerra conjugal na delegacia ou a simbiose pública
Nesta apresentação, aproximo um assunto já bastante debatido: a violência conjugal. O foco da investigação é um cenário em que a violência doméstica transcende o espaço privado e mulheres e homens simbiotizam em público: sessões de orientação a casais na Delegacia da Mulher, em Florianópolis. Apresento uma análise discursiva da construção da conjugalidade em contexto institucional, a partir de abordagem teórica e metodológica interdisciplinar. A coleta e análise dos dados são pautadas em métodos microetnográficos (ERICKSON; SHULTZ, 1981) e sociolingüísticos (GOFFMAN, 1967; GUMPERZ, 1982). A discussão mais global fica por conta do respaldo de estudos referenciados dentro da Antropologia (GROSSI, 1998; GUATARRI; ROLNIK, 1996).


Carolina Bianchini - ninabi_tri@yahoo.com.br
Juliana Lang Lima
Marlene Strey

Violência: a visão dos profissionais em formação
O presente trabalho refere-se a um estudo exploratório sobre a maneira como profissionais em formação dos cursos de Psicologia, Direito, Enfermagem, Serviço Social e Polícia, se posicionam frente a violência de gênero visto que futuramente esses profissionais atenderão vítimas de violência bem como os agressores. A amostra é composta de 199 alunos/as sendo 40 de Psicologia, 46 de Serviço Social, 62 de Direito, 32 de Enfermagem e 19 da Polícia. É utilizado um questionário com questões abertas sobre o tema da violência aplicado em sala de aula no decorrer do ano letivo de 2001. Os dados são analisados qualitativamente.


Claudia Priori - claudiapriori@bol.com.br
Práticas violentas entre homens e mulheres queixas na Delegacia da Mulher em Maringá (1987-1996)
O objetivo desta comunicação é elucidar a violência de gênero no período de 1987 a 1996, via Registros de Ocorrências da Delegacia Especializada na Defesa da Mulher em Maringá, demonstrando a importância da criação desses órgãos em prestar atendimento exclusivo às vítimas,proporcionando maior visibilidade ao fenômeno. Além disso, pretendemos delinear as diversas formas de violência, as justificativas apresentadas para sua manifestação, bem como as circunstâncias em que ocorreram e quais as práticas mais incidentes no quotidiano das relações entre homens e mulheres.


Odila Schwingel Lange - procon@enersulnet.com.br
Violência contra a mulher
Este trabalho propõe-se a refletir sobre alguns dos problemas envolvidos na questão da violência contra a mulher partindo antes de tudo da problematização dos termos violência, violência de gênero e violência doméstica. Designa-se correntemente como violência contra a mulher, tanto na bibliografia especializada como no senso comum, tipos de agressões físicas que podem ser tipificadas por um Boletim do Instituto Médico Legal, basicamente em três modalidades: assassinato, lesões corporais, frutos do espancamento e estupro. Embora do ponto de vista da codificação penal, os delitos nos quais a mulher é vítima em razão de seu sexo, sejam em maior número, o senso comum elencou esses três como os mais representativos. Violência doméstica é sinônimo de violência física conjugal e é nesta acepção que a presente pesquisa trabalha, sobretudo por que reconhece que o termo violência tem sido utilizado de modo bastante difuso para designar diferentes formas de discriminação, que, no entanto, não implicam a distinção básica aqui presentes da integridade física dos sujeitos.


Maria Teresa Claro Gonzaga - vaniagottardo@yahoo.com.br
Walterlice Ferreira
Débora Wunderlich Eidam
Giuliana de Giule
Juliana Lenartoveicz
Mariane Ranzani Ciscon
Mariana Barbosa Pinto
Michele Cristina Baierle
Mônica Adriane Barbosa
Vânia Consuelo Gottardo

A mulher como vítima de violência: um estudo sobre as relações de gênero em uma delegacia

A violência contra a mulher é atualmente um dos fatores mais proeminentes e recorrentes na sociedade atual, o que torna imprescindível um estudo mais aprofundado sobre este assunto. Para melhor compreender como a violência contra a mulher é retratada em nossa sociedade, sendo esta entendida como qualquer ato violento que prejudique sua integridade física, psíquica ou sexual, faz-se necessário entender as relações de gênero envolvidas nesse processo. As relações de gênero são definidas socialmente, conforme a adequação dos papéis sexuais entre homens e mulheres, o que permite uma interdependência mútua entre os sexos, de modo que a definição de um está relacionada à definição do outro, sem que isto implique em relações hierárquicas ou de dominação. Contudo, no contexto capitalista em que vivemos tais relações estão fundamentadas pelo poder e pela desigualdade, ocupando a mulher uma posição submissa nesta estrutura hierárquica. Com o intuito de promover a conscientização da mulher, quanto ao seu papel desempenhado na sociedade e aos direitos que ela possui enquanto cidadã, bem como propiciar o alívio do seu sofrimento psíquico, o Projeto da Delegacia da Mulher de Maringá, composto por acadêmicas e profissionais da Psicologia, vem desenvolvendo um trabalho de atendimento preventivo e auxiliador desde 1993 às vítimas de violência. Pôde-se observar, pelo número de vítimas que procuraram a instituição, que entre os meses de janeiro a dezembro de 2001 foram atendidos 304 casos, dos quais 144 registraram queixas, 75 não foram registrados por impossibilidade legal e 25 não o foram por opção da vítima. Os demais casos procuraram a instituição para orientações e maiores esclarecimentos. O desenvolvimento deste trabalho possibilitou compreender de forma mais abrangente o indivíduo na sua integridade, o qual é dotado de sentimentos e emoções que lhe são próprios e que estão interiorizados conforme a sua história de vida familiar e cultural. Através da conscientização e do apoio prestado, a mulher poderá então, conquistar sua condição integral de ser, tanto física, psíquica ou moral, assim como buscar a concretização de seus direitos, sendo necessário, a priori, que receba a informação da existência dos mesmos para a edificação de seu papel de cidadã. Obtendo as informações necessárias e ciente do que é próprio de sua condição feminina, abre-se um espaço para a mulher reagir perante a situação de violência em que se encontra, e portanto deixar de ocupar um papel subalterno nesta sociedade.