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Juventude e sexualidade
Coord: Nara Caetano Rodrigues
Local: Auditório do CED
Data: 10/10/2002



Elaine Müeller
- nanimuller@hotmail.com
Incorporando a noção de gênero no debate sobre juventude
Idade e sexo são dois critérios básicos de diferenciação biológica. Através de uma revisão da literatura sobre juventude, discute-se a atenção dada pelos antropólogos a estas categorias. Percebe-se que, embora hoje a juventude não seja mais definida como um período de comoção, tensão ou conflitos “naturais”, ela continua sendo pensada através de contribuições ambíguas, representações contraditórias ou capacidade de impulsionar mudanças na sociedade. Deste modo, se tem procurado entender mais as construções dos jovens do que a própria juventude, e a perspectiva de gênero é rechaçada dos estudos antropológicos. Neste trabalho pretende-se contribuir para o debate sobre juventude, numa perspectiva que vê gênero como categoria fundamental para o entendimento desta temática.


José Rodrigo Pereira Saldanha - jr.saldanha@bol.com.br
As skatistas: inserção do feminino na esfera de prática do skate
Este estudo de orientação etnográfica analisa a inserção de jovens mulheres na esfera do skate em Porto Alegre e a construção da identidade de skatista. Toma-se o skate como prática hegemonicamente masculina, investigando a incorporação (embodiment) de características atribuídas ao andar de skate pelas jovens, características estas afirmadoras do masculino. Abordando relações entre skate e corpo, nas relações entre corpo e movimento e corpo e condicionamento, avalia-se a inserção das jovens no andar de skate como processo de apropriação de práticas específicas, acarretando a reavaliação de algumas de suas próprias práticas e percepções como mulheres.


Luciana Castelan Bastian
Marilene de Alencastro
- lucianab@fastlane.com.br
O imaginário político e amoroso dos jovens
Este trabalho descreve uma pesquisa em desenvolvimento cujo objetivo é estudar o imaginário de um grupo de jovens sobre as relações amorosas e políticas na contemporaneidade. Participaram voluntariamente desta pesquisa 130 jovens com faixa etária dos 14 aos 24 anos, em cinco escolas, sendo duas públicas e três particulares, localizadas na região central da cidade de Florianópolis. O levantamento de dados foi realizado através de questionário aberto, composto por 40 questões. Estão sendo estudadas representações sobre as relações amorosas abordando temas como: amor, namoro, o "ficar", casamento, divórcio, traição, romantismo, sexualidade, relações de gênero e novas possibilidades de parcerias amorosas; e representações sobre as relações políticas abordando temas como: rebeldias, resistências, conformismos, ética, amizade, violência, trabalho voluntário, meio ambiente e novas possibilidades de se fazer política.O objetivo desta pesquisa é identificar permanências e rupturas deste imaginário, procurando mapear as subjetividades destes jovens sob um olhar histórico, político e cultural.Nesta perspectiva entendemos por imaginário o conjunto de representações no qual uma coletividade se reconhece, produz significados criados socialmente que justificam e explicam ações, sentimentos e pensamentos construídos num determinado contexto social (Baczko,1982;Castoriadis).Buscar conhecer o imaginário de um grupo viabiliza a compreensão de como este grupo constrói visões de mundo que podem ser à base de condutas e estilos de vida. Dentro da dinâmica social compreendemos que os imaginários coexistem, superpõem-se ou excluem-se enquanto forças constituidoras e reguladoras do cotidiano. Compreendendo que a juventude, como produção cultural, tem sido retratada de diferentes maneiras historicamente, buscamos conhecer como este grupo de jovens se vê em sua condição e contexto, em suas diferentes percepções em relação a si mesmos e de uns, em relação aos outros, como partes de uma coletividade em que vivenciam distintas formas de sociabilidade numa sociedade indeterminista como a que vivemosna contemporaneidade (Baudrillard,Lipovestky,1983). Procuramos detectar novos ruídos, novas singularidades, novas possibilidades de afetividade e de sociabilidade e dar visibilidade a um universo de jovens que pode sinalizar novas formas de interação.(Foucault,2000; Mafessoli,2001) Em fase de análise de resultados a conclusão deste estudo está prevista para dezembro de 2002.


Rita de Cácia Oenning da Silva - oenning@mbox1.ufsc.br
Performances e narrativas que fazem gênero
Neste trabalho apresento e analiso performances e narrativas de um grupo de meninos e meninas de rua de Florianópolis, que abordam categorias de gênero. Entre crianças e adolescentes de rua, a performance é vista como ferramenta essencial para a eficácia da prática cotidiana de esmolar, vender ou roubar, bem como de construir-se enquanto sujeito naquele meio. Assim, desenvolvem uma estética corporal (jeito de vestir, de andar, de falar, um linguajar) que é manipulada de forma adequada à diferentes meios e situações. Interessa analisar aspectos performáticos e narrativos que expressam construções de uma "identidade de gênero móvel", onde os atores sociais devem sempre manipular códigos, gestos, e expressões nas relações que estabelecem com os múltiplos atores sociais daquele meio.


Rosângela Quintela - roalves@amazon.com.br
As representações do corpo nas práticas sexuais de adolescentes e a escolha de futuras profissões
O trabalho etnográfico realizado em dois anos de pesquisa, num grupo de adolescentes pertencente a uma entidade filantrópica situada no bairro do Guamá em Belém do Pará, mostrou que a percepção que meninos e meninas têm de seus corpos, de si e um dos outros tende à confirmar modelos tradicionalmente vinculados à imagem de mulheres e de homens em nossa sociedade, no que diz respeito às suas profissões, representações de corpo e práticas sexuais. As meninas indicaram que pretendem ser professoras ou médicas associando essas escolhas com a opção de ser mãe, portanto, serem protetoras e cuidadosas, estando isso tudo relacionando com os valores de proteção, afetividade e meiguice e com representações de corpo fechado ao prazer sexual assumidamente, mas aberto ao amor, à maternidade. No caso dos meninos, as profissões citadas foram: médico, oficial da marinha e do exército, cantor e policial, associando suas escolhas com força, poder e mando, indicando representações de corpo aberto ao prazer sexual e fechado para relações duradouras, fugindo da paternidade e de outros compromissos familiares.


Nara Caetano Rodrigues - ncaetano@ca.ufsc.br
Projeto Meninas de Santos - um espaço de visibilidade possível
Nesta pesquisa, analiso o discurso de meninos e meninas cujo vínculo familiar e escolar não é regular. O material de análise é composto por cartas e desenhos, produzidos em uma situação de comunicação entre adolescentes e jovens de Florianópolis, Rio de Janeiro e Santos. Considerando o propósito deste encontro, apresento nesta comunicação algumas reflexões, buscando a "memória do dizer" que determina o sentido possível para o "dito" por uma grupo de meninas que participava do Projeto Meninas de Santos, no momento do intercâmbio. Essas meninas têm como característica a não subordinação integral à escola e à família – ruptura que as coloca em uma posição social "marginal", que as faz migrarem para um espaço de visibilidade possível, aceito socialmente: a instituição.