COMUNICAÇÕES LIVRES

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Escritas de si
Coord: Maria Teresa Santos Cunha
Local: Auditório da Reitoria
Data: 10/10/2002



Maria de Lourdes Patrini - mpatrini@digi.com.br
A literatura do 'eu': gênero e subjetividade
O diário íntimo contribui a “l’invention du moi”, segundo a expressão de René Hocke, historiador dos diários íntimos. A introspecção está no coração da maioria dos diários de mulheres escritoras, tais como: Simone de Beauvoir, Colette, Anais Nin, Virginia Wolf, entre outras. A busca de si não é, aliás, um sujeito das mulheres de letras. Philippe Lejeune estudou os diários de adolescentes em “Le moi des demoiselles”. Trata-se de uma prática de massa, por isto banal, mas ao mesmo tempo misteriosa e que, contrariando a todo preconceito, vem despertando o interesse dos estudiosos. Assim, entre a auto-análise e a narração, meu intresse é o de discutir e o de distinguir as diversas formas de utilização das narrativas de vida, fontes de informação, de testemunha e de construção identitária feminina.


Maria Aparecida Viana - marisviana@bol.com.br
Heloisa: sujeito transgressor na europa ocidental da idade média


Marlene de Fáveri - mfaveri@terra.com.br
Subjetividades afloradas numa (outra) guerra: cartas de mulheres
Apresento reflexões sobre correspondências de mulheres de Santa Catarina endereçadas aos governantes Nereu Ramos e Getúlio Vargas, no contexto da Segunda Guerra Mundial. O faziam ou porque seus maridos estavam detidos nos campos de concentração, ou elas mesmas acusadas de traidoras da pátria, pedindo por notícias e a soltura dos maridos, como também o próprio retorno para suas casas. Nestas cartas apareciam argumentos de brasilidade da família, os problemas financeiros e a necessidade da presença masculina à sobrevivência dos filhos na ausência do pai-provedor. Recorriam a estereótipos correntes na época, conectadas ao ideário estadonovista de amparo à família e à mulher, principalmente quando o faziam colocando-se com esposas extremadas e mães cuidadosas, que educavam seus filhos para o patriotismo, significando papéis.


Yonissa Marmitt Wadi - yonissamw@uol.com.br
" Narrando a loucura nossa de cada dia...": gênero, memória e subjetividade nas cartas de uma mulher
Esta comunicação apresenta uma reflexão sobre as inúmeras possibilidades de apreensão de uma escritura, bem como da vida contada por ela, a partir da interpretação das cartas escritas por uma mulher no início do século XX. Nestas cartas, a camponesa Pierina C., 28 anos, branca, casada, interna num hospital psiquiátrico sob a suspeita de sofrer das faculdades mentais, depois de ser indiciada em processo criminal por ter afogado sua filha pequena, quis contar aos doutos e, até mesmo, ao povo tudo o que tinha passado em sua triste vida, e neste sentido, mobilizou crenças, sentimentos e sensações diversas, num movimento de recriação de si, fazendo intervir uma memória de gênero.


Maria Teresa Santos Cunha - vscunha@matrix.com.br
Corpos em cartas: territórios físicos, territórios imaginários
Este trabalho pretende analisar/intrepretar um acervo de 171 cartas pessoais, manuscritas,trocadas entre duas jovens mulheres entre 1967/68, habitantes de S.Catarina e Paraná.Na perspectiva da História Cultural pretende-se abordar a escrita epistolar como um conjunto de representações simbólicas, em especial realçar como as confidentes estavam escrevendo sobre suas relações com o corpo físico, expressas nos cuidados pessoais e, no território do imaginário como como estavam sendo representados os desejos, sonhos, a sexualidade: como vivenciavam uma certa libertação de tradições e moralismos seculares no que diz respeito ao " desabrochar do corpo"em uma época histórica em que já havia uma primado do moderno culto ao corpo.Busca-se abordar estas questões vincadas pelas hierarquizações de gênero,classe e escolaridade.