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Gênero e Política I
Coord:Hilda Pívaro Stadniky
Local: Auditório do CFH
Data:10/10/2002



Hilda Pívaro Stadniky
- hilda@onda.com.br
Confronto, resistência e estratégias de lutas políticas: Mulheres de PMs no contexto das greves policiais do Paraná
Pretendemos discutir a inserção de práticas políticas de mulheres de policiais militares no contexto grevista da polícia militar que se inaugurou no ano de 2001, no Brasil, em novos termos, alcance e proporções. A conjuntura grevista nas polícias civil e militar ganhou extensão em vários Estados e obteve desdobramentos inéditos e diferenciados, o que nos possibilita uma divisão do movimento em dois momentos: a fase de maio e a fase julho. Igualmente, a resposta política dos Estados, palco das greves policiais, foi diferenciada, proporcionando desdobramentos distintos, com nível de intervenção e violência variado. Esta categoria de mulheres, aqui denominadas de mulheres sem mordaça, ganhou visibilidade no espaço público nacional a partir do momento que assumiu a tarefa de ser porta voz e defender a bandeira de reajuste salarial dos maridos engajados na corporação policial e proibidos pelo regulamento de manifestar-se através de movimentos grevistas. As mulheres, representantes de várias regiões do Paraná, se organizaram em acampamentos em frente dos principais quartéis da Polícia Militar do Estado, revelaram práticas políticas até então inéditas, que podem ser questionadas e tomadas como novas formas de manifestação de cidadania ou novos atributos políticos do feminino. Podemos questionar, ainda, a natureza destas formas de manifestação e lutas das mulheres no âmbito militar e analisar o nível de seu envolvimento político junto aos demais setores organizados da sociedade, a exemplo, os partidos políticos e sindicatos das mais diversas categorias. As fontes para tal discussão são os jornais escritos e televisionados, cujas imagens são ilustrativas do poder de manifestação, confronto e resistência dos agentes históricos sem mordaças diante do poder do Estado objetivado através dos coturnos e escudos da tropa de choque, que incorpora também policiais femininas. Somam-se a elas as entrevistas com as mulheres, expressões da participação feminina na resistência e no enfrentamento final com os 700 soldados da tropa de choque do Batalhão da Polícia Militar do Paraná. Acreditamos que a grande contribuição da discussão do objeto que estamos propondo reside na análise dos novos perfis, contornos, atributos e papéis das mulheres diante dos modelos de desenvolvimento impostos pelo processo de globalização que acaba por produzir novas fronteiras e desafios, e por conseqüência, a exigir novas formas e estratégias de lutas políticas. Está entre nossos objetivos imprimir uma nova dimensão, visando superar o nível meramente econômico, e alcançar aspectos descuidados ou desapercebidos como as múltiplas maneiras disponíveis aos oprimidos e privados da fala de oferecer resistência e canalizar politicamente suas demandas através de práticas originais e inovadoras. Uma discussão mais ampliada no contexto latino-americano nos possibilita avaliar em que medida as mulheres podem avançar no conjunto, não apenas das demandas políticas, mas, sobretudo das estratégias da organização e das lutas políticas colocadas no campo da conquista e ampliação da cidadania.


Josélia Rocha dos Santos - JoseliaRocha@aol.com
O canône no processo eleitoral brasileiro: a mulher eleitora, candidata e política
Neste ano de 2002, no Brasil, completa 7 décadas de participação feminina em eleições por meio do voto. Por isso, este trabalho pretende analisar o início e como tem se dado esse processo de inserção das mulheres no processo político nacional. O litígio do princípio, escrito pela dramaturga Josefina Álvares de Azevedo na peça "O Voto Feminino" (1889 / 90), permanece até hoje, quando o país se admirou com a possibilidade de ver uma mulher assumindo o cargo de presidenta do Brasil. A peça teve a oportunidade de ser apresentada apenas uma vez, sendo censurada pelo cânone vigente. A candidata se viu com as 'asas' cortadas pela hegemonia masculina canônica e impedida de continuar na disputa eleitoral. Parece que a batalha continua.


Maria Mary Ferreira - marymulher@uol.com.br
A ação do movimento feminista face às políticas públicas
O movimento feminista enquanto movimento social e político têm atuado no Brasil de forma mais intensa a partir da década de setenta, sendo que nas décadas de oitenta e noventa são mais visíveis sua ação no campo das políticas públicas. Polarizado por diversas correntes que, embora não claramente identificadas pelos diferentes grupos que atuaram e atuam no Brasil tem contribuído para enriquecer o debate em torno de eixos comuns que em geral unificam as diferentes correntes. Dentre os eixos comuns encontram-se questões relacionadas com a violência, os direitos reprodutivos (exceção do aborto) relação desigual no trabalho e na política além de outras questões. A partir desses eixos o movimento teve uma ação políticas marcante nas décadas de oitenta e noventa sendo o responsável pela proposição e articulação de políticas públicas que tem contribuído para mudar radicalmente a vida das mulheres brasileiras. Neste estudo refletimos esta questão tendo como ponto de partida estudo desenvolvido no mestrado em Políticas Públicas e vivências no movimento feminista onde atuamos e dialogamos com diversos grupos feminista do Brasil.


Raquel Alvarenga Sena Venera - senavenera@bol.com.br
A centralização da diferença e a política de organização das mulheres no cárcere
Este trabalho versa sobre a localização da diferença entre homens e mulheres pontuado nas entrelinhas do discurso jurídico no Código Penal Brasileiro. Ao estabelecer esta diferença o diploma penal contrasta com a Constituição Federal que estabelece os direitos iguais entre os sexos e destaca as questões biológicas, reforçando estereótipos femininos que vem sendo construídos historicamente. A política de organização prisional, então, perpassa entre os estereótipos que contribuem para a construção de limites para a mulher carcerária, e por outro lado, também utilizado, por ela mesma, para flexionar o próprio limite.


Silvana Aparecida Mariano - silvanamariano@yahoo.com.br
Democracia participativa e novas institucionalidades estatais: uma luta engendrada pela politização de gênero
Partindo de um estudo da relação entre movimento de mulheres e órgãos estatais em Londrina, a pesquisa explora a dinâmica da introdução da perspectiva de gênero nas políticas públicas municipais e sua contribuição para o processo de engendramento da democracia participativa, através da criação de novos formatos instiutucionais na gestão pública. Assim, as influências do feminismo nos movimentos populares de mulheres têm contribuído para envolver as mulheres de associações comunitárias femininas em ações políticas de âmbito municipal, as quais encontram na interação com a Secretaria Especial da Mulher e o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, melhores condições para lidar com a impermeabilidade do Estado e para constituir canais participativos no interior da administração municipal.


Tânia Suely Antonelli Marcelino Brabo - tamb@terra.com.br Movimento feminista no espaço público: um exemplo de participação política
A pesquisa, em desenvolvimento, objetiva estudar a participação política da mulher na cidade de Marília (SP, com enfoque nas eleições municipais do ano 2000. Para tanto, procedeu-se a um estudo bibliográfico sobre o movimento feminista no Estado de São Paulo. Não contemplamos apenas a face mais objetiva da atuação política, ao ato de votar e ser votada, pois tal conceito tradicional de participação política considera as formas institucionalizadas de manifestação que mostram uma baixa participação escondendo outra atuação importante no processo de redemocratização do país. Através de "formas novas e ousadas" o movimento femista tem desencadeado ações políticas que buscam a conquista e garantia de direitos e tem demonstrado que as mulheres exercem importante papel no espaço público, culturalmente destinado aos homens.