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Imprensa, gênero e feminismo
Coord: Kárin Debértolis
Local: Sala 331 - CFH
Data: 9/10/2002



Elisangela Oliveira Ferreira
- ellecentral@yahoo.com.br
Imagens de mulheres insubmissas: a prostituição feminina nos jornais feirenses
A partir de finais do século XIX, nas cidades brasileiras, percebemos a formulação de novas estratégias disciplinares que assegurassem o controle e a moralidade, num momento caracterizado por mudanças significativas em todas as dimensões da vida social. Em Feira de Santana, assistimos a construção de um novo ideal urbano, onde a imprensa local, traduzindo os interesses da elite letrada, toma para si o papel de difusora dos novos princípios de modernidade. Através da imprensa pretendeu-se reformar hábitos, imprimir novos costumes, moldar outra imagem de cidade, principalmente entre os anos 20 e 40. O comportamento de homens e mulheres no cotidiano feirense vira então ponto de pauta. Neste período, delineados nos discursos jornalísticos, estão as preocupações das "boas famílias feirenses" com o crescente número de "desclassificados" que circulavam pelas ruas da cidade, sem falar no contingente dos que estabeleciam moradia permanente nos bancos de praça e calçada da urbe progressista. A prostituição, por sua vez, toma corpo e ganha visibilidade social, cobrando providências por parte das autoridades que parecem se incumbir da tarefa de moralizar, segundo uma ótica burguesa, as zonas de meretrício do centro da cidade. A partir da estigmatização da prostituição, associada, constantemente, à degeneração social, à doença, à morte, ao pecado, um ideal de conduta feminina foi pensado e divulgado através dos jornais locais. Imagens e representações em torno da figura da prostituta aparecem então no discurso jornalístico, configurando-a como um contra ideal de mulher. Na mesma medida, um contra ideal de cidade também é projetado através da estigmatização dos redutos onde a prostituição se desenvolvia. A imagem noturna da mulher pública estava, assim, associada à uma cidade noturna, onde "becos e vielas mal afamadas" se contrapunham às avenidas largas da urbe comercial. Estas são algumas questões que esse trabalho procura discutir, dentro de uma perspectiva de gênero e partindo dos pressupostos historiográficos da análise do discurso, tendo os jornais que circulavam na cidade de Feira de Santana no período como corpus documental.


Jeferson Cândido - jef_candido@hotmail.com
Imprensa alternativa: "Versus" fazendo gênero
Circulando de novembro de 1975 a outubro de 1979; tempos de abertura política ; e, sendo um jornal, embora alternativo, de abrangência nacional, "Versus" é uma grande fonte de pesquisa para pensarmos as questões feministas e de gênero presentes à época. Através da leitura dos debates, entrevistas e artigos publicados, este trabalho busca realizar uma aproximação entre esses textos, tentando encontrar os pontos de contato entre os discursos aí produzidos.


Márcia Maria da Silva Barreiros Leite - mmsbleite@uol.com.br
A República da Letras: mulheres
na imprensa baiana (1900-1940)


Maristela Moreira de Carvalho - maristelamc@yahoo.com.br
A revista Família Cristã e a construção da - mulher moderna - na Igreja Católica pós-conciliar (1970-1990)
A presente comunicação tem como objetivo historicizar os discursos sobre a mulher moderna, publicados pela revista católica Família Cristã. Esta revista está sendo observada como um dispositivo através do qual podem ser percebidas determinadas estratégias voltadas para a construção de uma identidade para as mulheres. Se por um lado as estratégias discursivas desta revista agregam certas reivindicações propostas pelo movimento feminista, por outro, quando observadas criticamente, acabam por ancorar-se nas antigas imagens e construções do feminino, elaborados pelo magistério da Igreja ao longo de sua história.


Sandra Infurna - sandra@cemina.org.br
A importância de Centro de Documentação Pagu para o fortalecimento das pesquisas sobre gênero

A comunicação visa apresentar o trabalho pioneiro do Centro de Documentação Pagu, entidade criada a partir do material reunido em anos de atividades no movimento feminista brasileiro das ongs REDEH - Rede de Desenvolvimento Humano e CEMINA - Comunicação, Informação e Educação em Gênero, do Rio de Janeiro. As bases de dados com toda a documentação recebida pelas instituições estão á disposição do público em geral e atendem a uma população de estudantes, pesquisadores, pós-graduados e ongs. Mostrar esse trabalho, todo o processo de instalação, manutenção e divulgação para que o Centro de Documentação se tornasse um centro de referência nessa temática a nível local e nacional é o objetivo primordial dessa apresentação.


Karen Sílvia Debértolis - kd@sercontel.com.br
Brasil Mulher, número zero: a imprensa feminista da década de 70 na ótica da Joana Lopes
Partindo da perspectiva dos estudos feministas e do método histórico - especificamente da história oral e da história das mulheres - este trabalho refaz a trajetória do jornal Brasil Mulher, que inaugura a imprensa alternativa feminista em 1975, através da ótica de sua fundadora a jornalista Joana Lopes centrando-se na edição de número zero do tablóide. O contexto histórico, político, social que resultaram no surgimento do Brasil Mulher são expressos através da descrição da edição permeados pelo relato de Joana Lopes. A intenção é trazer o jornal à luz neste momento "original" de seu surgimento mostrando como se desenha sua proposta editorial e gráfica do tablóide que foi um dos instrumentos do grupo de feministas reunidas em torno da Sociedade Brasil Mulher na década de 70 até 1980.