COMUNICAÇÕES LIVRES

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Gênero e docência II
Coord:Ana Beatriz Cerisara
Local:Sala 200 - CCE A
Data:10/10/2002



Claricia Otto - claricia@cfh.ufsc.br
Entre trilhas e armadilhas... de filhas de Maria à professoras:uma questão de gênero?
Esta comunicação apresenta um estudo acerca da fundação de uma associação feminina, A companhia das catequistas, na segunda década do século XX, na cidade de Rodeio, estado de Santa Catarina. Este grupo surgiu a partir de uma solicitação do Vigário local, Frei Polycarpo Schuhen, feita às moças pertencentes a Pia União das Filhas de Maria. A finalidade principal, exercer a função de professoras e catequistas nas escolas primárias da zona rural. Objetiva-se problematizar e discutir, na perspectiva do gênero, o fato de o convite ter sido dirigido às mulheres/moças, e não aos homens/rapazes, integrantes da Associação de São José, já que no período em questão, nessa região, somente os homens exerciam a função de professores.


Deborah Thomé Sayão - deborah@ced.ufsc.br
Trabalho docente masculino na Educação Infantil: o cuidado e educação como foco
O presente estudo trata de uma pesquisa etnográfica que está levantando as representações acerca do trabalho docente masculino em creches e pré-escolas. O magistério na Educação Infantil constituiu-se como uma profissão tipicamente feminina, mas atualmente incorpora em seus quadros homens na condição de professores. Tomando como ponto de partida o princípio de que cuidar e educar de forma indissociável é a base do trabalho pedagógico nesta etapa da educação, nesta investigação, o objetivo é captar as representações masculinas acerca do cuidado e educação com as crianças pequenas. Para tal, pergunta-se: quais as representações que os professores possuem do cuidado e educação nas creches? Em que bases assentam o trabalho pedagógico que desenvolvem?


Diomar das Graças Motta - diomar@elo.com.br
Em busca da imprensa feminina no século XIX, no Maranhão
Dar visibilidade à participação da mulher professora no espaço educacional maranhense tem sido nossa preocupação, especialmente através da pesquisa ,em andamento, sob nossa coordenação, onde objetivamos revelar saberes e táticas instituintes no cotidiano escolar. Nesta perspectiva nos defrontamos com o Chrysalida – jornal editado na então Província do Maranhão na cidade de Caxias (que dista 500km de São Luís , capital do Estado). A redação de meninas, como se cognominavam, tinha os artigos de responsabilidade de Dina, Dejanira, Dídia, Diana, Dolores, Fabíola entre outras. O fio condutor dessa publicação era a luta pela escolarização da mulher, tanto que destacavam no cabeçalho, intitulado Expediente: “A redação aceita com especial agrado o auxílio e colaboração de todos que se interessarem pela grande causa da instrução do sexo feminino”. O que nos instigou ao manusearmos oito edições de 1883 e 1884 é que a obra do Prof. Sebastião sobre os primórdios da imprensa no Maranhão não faz alusão a nenhum jornal editado por mulheres, neste período. Entretanto o editorial do nº 3 do Chrysalida de 1° de julho de 1883, agradece aos autores dos artigos publicados nos jornais Observador e Comércio de Caxias, que fazem menção a sua emergência na “arena jornalística”, como, também, jornais editados por mulheres no estados do Piauí, Ceará e Bahia. Estas constatações têm nos motivado a saber a dimensão da imprensa feminina, no século XIX. Que outros jornais foram editados nessa época? Onde? Qual a contribuição deles para as questões femininas daquela época e de hoje. Para tanto busca nas exíguas hemerotecas do Estado tem sido intensa, juntamente com as entrevistas nas famílias de professoras, sujeitos de nosso estudo. Isto devido às professoras, naquela época, serem as maiores detentoras do saber escolarizado e, possivelmente, partícipes na redação de jornais. Michel de Certeau e Pierre Bourdieu têm nos orientado neste percurso.


Elaine Aparecida Teixeira Pereira - elaine.tp@bol.com.br
Papel atribuído à professora catarinense nas décadas de 1930 e 1940
A pesquisa tem como foco a análise do papel atribuído à professora catarinense nas décadas de 1930 e 1940. O objetivo foi verificar, nos discursos e normas veiculados no período, o papel atribuído à mestra, bem como a relação existente entre o fato de ser mulher/mãe e o de ser professora de crianças. Por meio da análise dos discursos de normalistas, publicados na Revista Pétalas do Colégio Coração de Jesus (Florianópolis), bem como outros documentos expedidos pelo Estado, observou-se que o magistério era visto como missão ou sacerdócio. Assim seria formado o cidadão brasileiro que, disciplinado, produtivo e nacionalizado, contribuiria para a construção da nova nação.


Elenita Pinheiro de Queiroz - caianafs@uol.com.br
As relações de gênero e a formação docente: um debate necessário
Refletimos sobre a idéia de que não só as ações sistematizadas, mas o cotidiano constitui a formação docente. Isso nos leva à noção de 'espaços de aprendizagem'. Assim, entendemos as práticas cotidianas, enquanto processos de significação e linguagem, discurso, portanto, constituem subjetividades e sujeitos sociais marcados pela especificidade dos gêneros. A educação e as relações de gênero são produzidas nas práticas sociais cotidianas.As/os professoras/es formam-se, constituem seus processos identitários por/através dessas práticas.Esse entendimento exige-nos uma aproximação entre as produções sobre as relações de gênero e a educação formal, sobre o tratamento dado ao tema/área educação na produção sobre gênero e vice-versa.


Ana Beatriz Cerisara - anabca@ced.ufsc.br
O feminino e o profissional na constituição da identidade
Esta pesquisa se propôs a contribuir para o processo de discussão sobre a identidade das professoras (leigas ou não) que trabalham em creches. Elas foram pensadas a partir da forma como esta profissão têm se constituído historicamente: no feminino e trazendo consigo as marcas do processo de socialização que, em nossa sociedade, é orientado por modelos de papéis sexuais dicotomizados e diferenciados, em que a socialização feminina tem como eixos fundamentais o trabalho doméstico e a maternagem. A análise permitiu, refletir sobre a identidade dessa professora, condizente com as peculiaridades do trabalho a ser realizado junto a meninos e meninas de 0 a 6 anos em creches, em sua situação contemporânea.