COMUNICAÇÕES LIVRES

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Corpo e representações
Coord: Ida Mara Freire
Local:Auditório do CED
Data: 11/10/2002



Adilson José Gonçalves -
adilson_joseg@uol.com.br
Sedução e normatização nas representações do nu feminino na pintura francesa da modernidade
Esta comunicação tem como objetivo trabalhar com o feminino através da produção pictórica da Paris moderna, identificando nas representações dos corpos nus as questões de gênero .Privilegiou-se a perspectiva do olhar masculino como expressão das construções das subjetividades e da sociabilidade. Apontam-se as discussões sobre, o belo, o próprio estatuto das artes plásticas e do fazer artístico como instrumentos mascaradores das relações de gênero, que podem ser desveladas a partir da análise balizada das obras de arte. Privilegiou-se como autores, Monet, Renoir, Cesame, Degas e Picasso como expoentes da modernidade, que em distintas temporalidades, apontam para a produção de ruptura, dos signos das representações de um imaginário intituinte/instituido que podem traduzir as inquietações sobre o desejo, o ser desejado, a normatização e as formas de transgressão/insubordinanção, apontando para a emergência de novas formas de codificação e representação.


Adriana Braga - sol@netu.unisinos.br
Muito antes pêlo contrário: depilação, cultura e mídia
Este trabalho analisa uma matéria veiculada na revista feminina "Tpm", na qual é colocada em questão a depilação do corpo feminino. A matéria em questão aparentemente opõe dois pontos de vista sobre esta prática estética normativa em nossa sociedade. A partir de um referencial analítico discursivo, pode ser percebido que, embora seja indubitavelmente importante questionar uma prática cultural introjetada a ponto de parecer "natural" como a depilação, por outro lado, os elementos discursivos presentes nesta matéria colaboram na justificação e na reprodução social desta prática, baseando-se em noções essencialistas de "estética" e "racionalidade".


Luís Fernando Rabello Borges - luisfrb@terra.com.br
Lugar do falo: as teorias de -; lugar de fala -; aplicadas na análise de produtos de mídia impressa e audiovisual de cunho erótico e pornográfico
A partir de uma abordagem fundamentada no conceito de "lugar de fala" e na articulação do mesmo com estudos de autores como Bakhtin, Eco e Rüdiger, entre outros, o presente trabalho visa levantar algumas implicações sobre como a questão do corpo é trabalhada em audiovisuais e publicações impressas voltados ao gênero erótico e pornográfico. A análise que se segue tem como eixo a consideração de que, aí, a violência corporal, se por um lado não pode ser considerada como tal na medida em que há consentimento por parte de quem protagoniza esse tipo de produto midiático, por outro lado se dá em pelo menos dois níveis. Um, em nível meramente de sugestão, como por exemplo quando de exibição de cenas de sadomasoquismo, e dois, em nível propriamente explícito, levando-se em conta o uso freqüente e quase sempre excessivo de recursos de modificação e deformação corporal como silicone - tanto por homens quanto por mulheres - e anabolizantes - sobretudo por homens. Além desses, há ainda um terceiro nível, o de ordem moral, na medida em que as protagonistas do sexo feminino são freqüentemente subjugadas nesses produtos de mídia a uma posição de inferioridade, sendo mostradas quase sempre por baixo com relação aos protagonistas do sexo masculino. Em outras palavras, pode-se perceber aí uma tendência à banalização e à vulgarização da condição feminina nesse gênero de produtos midiáticos - que, dessa forma, contribuem no sentido de legitimar e reforçar certas relações de poder presentes em nossa sociedade. Enfim, esse conjunto todo de práticas (aqui sintetizado nos três níveis referidos acima), apesar de sabidamente trazerem certas ameaças à saúde e à integridade física - e inclusive moral - do corpo humano, é utilizado com vistas à intensificação dos efeitos provocados por tais produtos de mídia em seu respectivo público consumidor (predominantemente masculino), que, afinal de contas, não é passivo.


Maria de Fátima Ferreira - mafafe@hotmail.com
Gênero em imagens: corpos-tecnológicos na mídia
Este trabalho pretende analisar como o corpo construído pela tecnociência é veiculado pela mídia impressa, como modelo para mulheres e homens. Adota a perspectiva de que a mídia dissemina a imagem de um corpo humano tecnológico, sobretudo feminino, sustentada nos discursos e práticas da ciência e da medicina, que, em nome da saúde e da normalidade, justificam o aperfeiçoamento do corpo humano. Ao afastar do corpo as características associadas a falhas ou deficiências e buscar a perfeição corporal, a ciência empreende um fabuloso projeto eugênico, que contribui para legitimar a emergência de duas corporeidades distintas que tendem a firmar-se como valores ético-estéticos de nossa época: o corpo desejável e o corpo rejeitado, condenado à exclusão.


Núcia Alexandra Silva de Oliveira - nucia_oliveira@yahoo.com.br
Corpo, beleza e gênero - Representações do masculino e do feminino na imprensa
A presença de anúncios oferecendo produtos para o cuidado do corpo, sobretudo para alcançar a beleza, seja no nosso tempo, seja em outros contextos, permite discutir a construção de determinadas representações sobre os corpos de homens e mulheres. A construção da polaridade masculino/feminino em suas múltiplas relações com a beleza é assim a questão que norteia esta discussão. Observaremos como a virilidade que marca a construção da masculinidade e seu oposto a delicadez das formas femininas são explicitadas para definir os padrões de beleza e os referenciais de gênero. A beleza e o corpo serâo aqui discutidos como questôes de gênero. Aliás, questôes de gênero que têm história.


Ida Mara Freire - idamara792@hotmail.com
Novos corpos em cena: ensaio sobre a postura do espectador
Artistas contemporaneos estao propondo um novo papel para os espectador. A proposicao nao se materializa somente em relacao ao corpo do artista, mas tambem ao corpo do observador. Identifica-se o surgimento de insolitas confrontacoes no contexto das artes, espaco esse, muitas vezes visto como tipicamente distinto da vida real.No presente ensaio descrevo,primeiramente, algumas experiencias esteticas que desafiam a atitude passiva do observador. Segundamente, problematizo a perspectiva de tratar o diferente como nao-belo. Finalmente, discuto o olhar do espectador na esfera da pluralidade humana, refletindo sobre uma estetica existencialista, na perspectiva Arendtiana, ou seja, a vida como processo criativo.