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Gênero, cidadania e educação
Coord: Suze S. Oliveira
Local:Auditório do Colégio de Aplicação
Data: 11/10/2002



Alda Maria Alves da Cunha -
amacunhag@bol.com.br
Elieth Barros Mendes

Homofobia no meio docente: intolerância x estratégias
Este trabalho aborda as vivências de um professor e de uma professora homossexuais em seus locais de trabalho. Partindo de entrevistas realizadas no contexto de uma pesquisa mais ampla sobre Intolerância no meio docente, utilizamos a história de vida como recurso metodológico para conformação de uma base de dados mais consistentes. Identificando focos de tensão e conflito em que a manipulação da homossexualidade emerge como estratégia reguladora nas relações de alteridade, refletimos criticamente o modo como a professora e o professor lidam com essas situações. Tendo como principal referência a teoria antropológica da identidade, analisamos a construção de seu profissionalismo docente no meio escolar.


Erli Terezinha de Almeida - ccj@colegiocorjesu.com.br
Triana de Veneza Sodré e Dantas
- helso@zaz.com.br
Fazendo gênero na festa da escola: conservadorismo e transgressão
O artigo discute a intolerância a partir do programa de abertura da festa dos jogos esportivos em uma escola confessional, envolvendo alunos/as que apresentariam número de dança. No dia da festa, o crescimento da intransigência provocada pelos ensaios deságua no camarim, com o travestimento dos alunos exigidos na trama, circunstanciando em conflito cuja repercussão tensiona a comunidade escolar. Cruzando olhares da direção da escola, dos sujeitos, de outros alunos/as e dos pais busca-se analisar o conflito a partir dos significados atribuídos/construídos sob o enfoque dos pares etnocentrismo/relativismo, tradição/ modernidade/pós-modernidade, conservadorismo/mudança e suas implicações na apreensão do feminino/masculino num contexto de coexistência tensiva de paradigmas.


Guaraciara Gonçalves
Mário Miranda Neto - mmirandaneto@bol.com.br
Mulheres da Maré em ação: pequenas trajetórias
Procuramos demonstrar quais foram as táticas ou/e estratégias utilizadas nas trajetórias de mulheres classificadas como faveladas que acabaram por levá-las a buscar a matrícula em um curso superior.A autora é moradora da dita favela da Maré e faz parte de uma rede de universitários daquele espaço. Já o autor se tornou morador e, através de efetiva interlocução com a referida rede e com o apoio da ong CEASM, ajudou a tornar possível a formação de um grupo de mulheres na Maré denominado Mulher Maré em Ação.Tendo este grupo como foco e de olho nas táticas e estratégias, é possível ainda descortinar as motivações para a sua formação e o processo pelo qual sua pauta de atuação é construída.


Maria de Lourdes Bandeira de Lamonica Freire - jldelamonica@yahoo.com.br
Jeiselene dos Passos

Mulher e professora: corpo e sexualidade
As abordagens pós-críticas do currículo como política cultural vêm estimulando, no campo da Educação, na perspectiva pós-estruturalista, estudos sobre gênero, sexualidade e educação, enfocando aspectos centrais das práticas educativas, privilegiando sem exclusivizar a instituição escolar como espaço de regulações das diferenças e de produção de subjetividade. Na esteira das produções teóricas que propõem um pensamento plural na abordagem das identidades de gênero, este trabalho enfoca a relação mulher-professora com o entendimento de que a construção da subjetividade da professora passa pela construção da subjetividade da mulher. A pesquisa está sendo realizada com professoras de diferentes faixas etárias, numa escola pública da área central de Cuiabá. Apresentamos resultados preliminares em que examinamos em entrevistas já realizadas, o discurso sobre seu corpo, sua sexualidade e sobre como trabalham em sala de aula conteúdos sobre corpo, reprodução e sexualidade.


Sandra Iris Sobrera Abella - sobrera@hotmail.com
Silvia Zanatta Da Ros

Relações de gênero e constituição do sujeito em um contexto de ensinar e aprender
O presente trabalho discute a constituição do sujeito a partir de uma análise dos estereótipos e relações de gênero que tiveram lugar em um contexto de ensinar e aprender em um grupo de adultos. Foram analisados dois integrantes do grupo, um homem e uma mulher, cujos movimentos se revelaram semelhantes quanto ao modo de inserção no mesmo e ao fato de terem assumido posições de destaque no grupo. Este era composto por 20 servidores públicos de um órgão da administração direta, participantes de um programa de formação promovido pela própria empresa em que trabalhavam. Tal curso teve duração de 2 semanas, sendo que na primeira semana o grupo foi coordenado por uma consultora psicossocial e, na segunda, por um consultor da área de administrativa. Os dados obtidos constam de gravação dos discursos dos participantes em diversas atividades propostas, suas produções escritas e anotações efetuadas pelo monitor da turma. Esses dados foram posteriormente tratados por meio de análise qualitativa, com base em literatura referente às temáticas constituição do sujeito e gênero na abordagem histórico-cultural. Os dois sujeitos analisados assumiram posições de liderança e realizaram movimentos de inserção semelhantes no grupo, sendo vistos pelos demais, ao término das atividades, como pontos de equilíbrio da turma. Lígia foi integrando-se no grupo gradativamente até chegar a assumir posição de liderança e função de mediadora nas relações entre os participantes; Álvaro, por sua vez, caracterizou-se inicialmente como alguém distante no e do grupo, porém, no decorrer do programa, constituiu-se como sujeito organizador deste grupo, assumindo o lugar social de líder, de ponto de equilíbrio e mediador das relações interpessoais. Lígia foi descrita pelos colegas do gênero masculino, no decorrer do programa, através dos seguintes adjetivos: elegante, cuidadosa nos detalhes, vaidosa, responsável, pessoa de opinião forte que se impõe, ativa, toma parte nas decisões; pessoa que agrega, congrega, mãezona, líder nata, centralizadora, e ponto de equilíbrio do grupo. Aqui, é interessante destacar que Lígia, como líder, foi vista como alguém decidida, que congrega e catalisa as forças do grupo, tendo sido, possivelmente por esse motivo, associada à figura materna. Assume um lugar de destaque, tradicionalmente ocupado pelos homens, sem perder, por isso, a feminilidade, atestado por atributos caracteristicamente tidos como femininos: elegante, vaidosa. O que se pode observar é que não foi reproduzida a dissociação do feminino e do masculino em seus estereótipos, mas que o grupo e Lígia reconheceram e juntaram valores que estavam separados e correspondentes a uma ou outra categoria constituindo portanto espaços de significação capazes de sustentar relações marcadas por esta característica. Já Álvaro exerceu função semelhante de elo de ligação entre as turmas, porém isso não foi tão enfatizado como no caso de Lígia, o que pode levar a pensar que era mais esperado que esse lugar fosse ocupado por homens e não por mulheres. Assim, seria esperado dele que fosse forte, decidido, e catalisador das forças do grupo – características que foram ressaltadas no caso de Lígia. Percebe-se, comparando-se os dados obtidos com os resultados de pesquisa apresentados por outros autores com relação às relações de gênero, que parece ter ocorrido uma mudança nos homens, os quais revelaram preferir que as mulheres ocupassem uma posição de maior destaque, decisão e liderança, em vez da posição de submissão que há algum tempo atrás era vista como sinal de feminilidade. Foi possível concluir, na investigação realizada, que as relações de gênero e os estereótipos atribuídos influíram no modo como os sujeitos foram significados pelos demais participantes e vice-versa, sendo que todos esses aspectos influenciaram nos movimentos realizados pelos sujeitos e pela forma como o grupo se constituiu.


Suze Silva Oliveira - suze.oliveira@bol.com.br
Elyria Bianchi
Corpo, sexualidade e poder: o feminino e o masculino em sala de aula
A observação informal do cotidiano de um hospital, sob a ótica de eficácia simbólica do branco foi um ponto de partida deste trabalho, cujo foco de interesse era, inicialmente, a produção simbólica do "poder" do branco em cursos da área de saúde. Iniciando o trabalho de campo, as relações de gênero na sala de aula ganharam relevância, convidando-nos a redefinir o nosso objeto de pesquisa com enfoque na modalização do feminino. Este trabalho aborda a relação professor X alunas e professora X alunos, utilizando como procedimento metodológico a observação participante e como referencial teórico a semiótica greimasiana para análise e interpretação sob a perspectiva de atualização configurativa da tríade corpo-sexualidade-poder em sala de aula.