COMUNICAÇÕES LIVRES

 mesas redondas 
comunicações livres 
mostras e exposições 
inscrição 
contato
comissão organizadora 

 

 

Transgênero e Corporalidade
Coord: Anna Paula Vencato
Local:Sala 330 - CFH
Data: 11/10/2002



Berenice Alves de Melo Bento -
beremelo@hotmail.com
Performance, corpo e gênero na exepriência transexual
O objetivo desta comunicação é sugerir algumas possibilidades explicativas para os processos de formação das identidades de gênero na experiência transexual, a partir da problematização de duas posições teóricas. Na primeira teremos os discursos que interpretam a identidade dos sujeitos, em geral, e a das pessoas transexuais, em particular, como uma substancia, sem contradições internas. Aqui o corpo é concebido como naturalmente heterossexual e o demiurgo de todos os desejos. Esta posição é difundida, principalmente, pelos profissionais da saúde mental. Na segunda posição, a experiência transexual é compreendida como uma forma a mais de atualizar, nas práticas de gênero, versões sobre o masculino e o feminino, desvinculando-a de uma concepção biologizante. A própria idéia de identidade de gênero, como algo unitário e coerente, se torna confusa e já não é um referente que permite transitar com segurança no mundo das práticas plurais dos gêneros.


João Bôsco Hora Góis - jbhg@uol.com.br
Travestis: cotidiano e luta
A partir dos anos de 1990 assistiu-se a uma presença maciça de travestis em diferentes mídias. Tal presença foi saudada por muitos como expressão da maior visibilidade deste segmento e vista como uma conquista importante na consolidação da sua cidadania . Pouca atenção, contudo, tem sido dada à natureza desta maior visibilidade. Buscando contribuir para a superação dessa lacuna pesquisamos a representação do travesti em um jornal de circulação nacional. A análise dos dados revelou que o travesti é apresentado quase sempre em situações de violência e prostituição e que a ênfase na descrição do seu "corpo mutante" dificulta a discussão da sua plenitude como ser humano. Atenção também foi dada pelo jornal aos esforços recentes de organização política desse grupo social.


Juliana Perucchi - jperucchi_psi@hotmail.com
Homoerotismo feminino sob a ótica do território: um gueto florianopolitano em questão
Este artigo é parte constituinte da dissertação de mestrado intitulada "Eu, tu, elas: Investigando os sentidos que mulheres lésbicas atribuem às relações sociais que estabelecem em um gueto GLS de Florianópolis", defendida pela autora em fevereiro de 2001, no programa de pós-graduação em Psicologia da UFSC. Trata-se, portanto, de um recorte de análise de uma produção teórica fundamentada em uma investigação de dois anos, com pesquisa de campo. Aproveitando a fertilidade teórica dos relatos das informantes, esse atigo aparece imbuído destas falas, repleto de nuances discursivas e interpretativas ao longo de suas páginas. Problematiza o gueto como categoria nativa e como categoria de análise, investigando as vicissitudes desse território, as trocas simbólicas, os significados atribuídos às práticas que ali se processam, as relações sociais em que subjetividades se constróem, o trânsito dos sujeitos e os lugares sociais por eles ocupados. No decorrer da leitura pode-se perceber a complexidade das relações sociais que se processam no interior do gueto, na medida em que estão carregadas de historicidade e constituem-se na metamorfose do processo social. Por isso mesmo são dinâmicas e repletas de tensões que se evidenciam no cotidiano dos sujeitos.


Marcelo Victor da Rosa - marcelovictor26@hotmail.com
Márcio Romeu Ribas de Oliveira

Cicatriz e pelos: Marcas de um Corpo Transformado
Esse resumo é fruto de um trabalho de conclusão da disciplina Antropologia Visual da Ufsc, no qual os(as) alunos(as) realizaram um vídeo documentário de caráter etnográfico. Neste sentido, este estudo exploratório, visa problematizar as questões relativas à dinâmica corpo e sexualidade, isto é, o corpo compreendido numa perspectiva de transformações sociais, culturais, biológicas e históricas. Assim para realizar esta breve etnografia, filmamos a transformação corporal de um jovem de 27 anos que atua como Drag Queen. Neste vídeo mostramos todo o processo de transformação do corpo masculino, cujo cotidiano do mundo masculino do jovem ator, se inicia a partir dos seguintes atos: ritual de depilação, maquiagem, cotidiano da Drag Queen e desmontagem do personagem. Apesar de termos editado o filme nessa sequência, concluímos provisoriamente, que a fronteira entre o masculino e o feminino quase não existe, pois o cotidiano do ator é o seu trabalho e o seu trabalho o constitui.


Marcelo Reges - bladmr@bol.com.br
Apolíneos e Dionisíacos: a utilização do corpo na paquera em uma festa gay em Florianópolis
Em um trabalho de observação participante numa festa gay em Florianópolis, pretendi mostrar como o corpo é um "mecanismo de construção social", onde os homens de diferentes formas, delimitam o que é belo, aceitável ou até mesmo transgressor. Através da observação destes "jogos de paquera e conquista", pretendi ver como este "corpo dionisíaco e apolíneo" se mistura e forma um conjunto de normas estéticas e comportamentais, delimitando aos participantes da festa: Como paquerar? Quem paquerar? E quais as regras para se paquerar alguém? Pensar o corpo e seus infinitos jogos é um trabalho importante para se pensar a própria construção do indivíduo contemporâneo. Como as festas fazem parte das sociedades humanas delimitando normas, estéticas, status entre outras coisas, considerei que uma festa gay poderia mostrar muito do ethos dos homens homossexuais, ajudando a entender a construção das masculinidades nestas festas e as complicadas disputas de poder que são mediadas pelo "jogo da paquera".


Miriam Adelman - miriamad@terra.com.br
Sabrina B. Lopes -
sabrina.b.lopes@bol.com.br
Tatiana Savrassoff -
tatisocial@hotmail.com
Identidade e experiências das travestis de Curitiba
A questão de "ser travesti" deve ser compreendida a partir de noções sobre como as relações e identidades de gênero se constróem historicamente na sociedade ocidental moderna, assim como no contexto específico da sociedade brasileira atual. O enfoque teórico que orienta esta pesquisa baseia-se na perspectiva feminista da construção social, que des-naturaliza o olhar sobre as relações de gênero e, desta forma rompe com a noção que a identidade, comportamento e experiência dos "grupos minoritários" seja anomalia ou aberração. Também incorporamos as contribuições de "queer theory" que nos permitem pensar sobre como aquilo que é tido como "transgressão" relaciona-se com a construção (e desconstrução) de categorias binárias de sexo/gênero. Utilizamos, para isso, metodologias qualitativas desenvolvidas na sociologia e na antropologia para a construção de um espaço de diálogo social onde se ouvem as vozes dos Outros, isto é, deste grupo social historicamente excluído. Através das história de vida, pesquisamos a construção da identidade social e de gênero das travestis, assim como suas experiências de vida - seus encontros, desencontros com a sociedade convencional, e como estes condicionam suas vidas na família, trabalho, sexualidade, participação social e política. O que significa ser travesti hoje, para elas, para "os outros" (segundo a percepção delas). Como se dá o processo de "se tornar" travesti e de viver como travesti (conflitos, dificuldades, contradições, etc)?


Rosangela de Araujo Lima - rosamag@uol.com.br
Teoria Queer: uma discussão sobre identidades sexuais
Nesse ensaio, a autora discorre sobre a importância da abordagem Pós-Estruturalista nos estudos sobre a sexualidade humana enquanto proposição que traz em si uma rejeição a um essencialismo das identidades sexuais, concebidas como singulares, e estanques; adotando os postulados da Teoria Queer, que as percebe como mais fluídas; apresentando a pluralidade como característica das mesmas. A adoção desse pensamento por grupos interessados na temática contribui para a desconstrução de oposições binárias oportunizando o surgimento da diferença e do reconhecimento de subjetividades flexíveis.


Anna Paula Vencato - apvencato@hotmail.com
Confusões e estereótipos: o ocultamento de diferenças na ênfase de semelhanças entre transgêneros