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Identidades e gênero I
Coord: Mary Jane F. Franco
Local:Sala de eventos CCE-B
Data: 11/10/2002



Ana Maria Coutinho -
anamcoutinho@aol.com
As faces da desigualdade no sertão da Paraíba: articulando gênero, classe e exclusão no romance A Barragem, de Ignez Martiz
Maria Ignez Mariz é uma das primeiras mulheres escritoras da Paraíba. Além de escritora e jornalista, realizava trabalhos educativos com pessoas das classes populares da cidade de Sousa - alto sertão paraibano. Estava comprometida em transformar mentalidades, combater a ignorância e defender os direitos da mulher. Esta pesquisa tem como obetivo analisar o romance A Barragem publicado pela José Olímpio Editora, em 1937, como discurso antecipador da perspectiva de Gênero, estabelecida pelas postulações feministas da segunda metade do século XX. Inez Mariz narra a história da família de operários Mariquinha e Zé Mariano, integrantes, como tantos sertanejos da época, dos duros trabalhos da obra de açudagem. A narrativa se abre para o complexo social e coletivo, não raro se transmutando num discurso sociológico, articulando categorias tão eficazes quanto distintas de análise das relações sociais, como gênero, classe, etnia, cultura. Com Ignez Mariz se permite ler uma Paraíba na ótica da mulher, do cotidiano e dos operários, através de seu romance histórico e regionalista, conquistando através da palavra escrita um espaço relevante na luta de resistência social à exclusão. Os procedimentos teórico-metodológicos dessa investigação seguem na direção da crítica feminista, na perspectiva dos estudos de Michelle Perrot, em Os Excluídos da História e Mulheres Públicas, para destacar a atualidade do pensamento da escritora paraibana, ultrapassando as fronteiras tradicionalmente destinadas às mulheres na sociedade, especificamente na literatura. Os resultados dessa pesquisa revelam que não há dúvida de que o romance, portanto, além dos elementos históricos, traz à tona muitas pistas sobre o debate da época em torno das questões de gênero, classe e exclusão, dialogando no início do século XX, com a produção escrita por homens, ou seja, este é um romance regionalista de tanto valor como outros escritos por homens, a exemplo de: A bagaceira de José Américo de Almeida e Pedra Bonita de José Lins do Rego, entretanto, A Barragem ainda continua desconhecido, reforçando a necessidade de estudos que retirem do esquecimento a literatura produzida por mulheres na Paraíba.


Maria Helena Sansão Fontes - mhsansao@terra.com.br
A mulher mítica nas literaturas portuguesas e brasileira
O trabalho visa analisar a personagem feminina a partir da escrita masculina de alguns autores brasileiros e portugueses contemporâneos, como Guimarães Rosa, Chico Buarque, José Saramago, entre outros, ressaltando a valorização da mulher através de uma perspectiva mítica.A análise, sob o prisma comparatista, assinala as semelhanças e diferenças no tratamento do feminino, levando-se em conta a especificidade dos autores e dos gêneros literários.


Raul J. M. Arruda Filho - raularruda@yahoo.com.br
A exclusão lúdica (mulheres, xadrez e literatura)
Simulação intelectual da guerra, o jogo de xadrez tem sido representado literariamente em textos de Fernando Pessoa, Jorge Luis Borges, Guimarães Rosa, Vladimir Nabokov, Stefan Zweig, entre outros. Analisar a participação, ou melhor, a exclusão da mulher nesse contexto é uma outra guerra.


Ricardo Araujo Barberena - ricardobarberena@uol.com.br
Uma nação fora de foco: imagens da diferença e da alteridade
Pensar a nação frente a um processo de globalização que atravessa as fronteiras nacionais e organiza as comunidades em novos tipos de integração [experiência] social (internet, simuladores, realidade virtual, on-line), provavelmente, necessite de uma reflexão que ultrapasse os tradicionais limites estetizantes das “belas-letras”. No sentido que aqui se investiga, a nação se encontra marcada pela fragmentação e pelo descentramento nas paisagens culturais de classe, raça, gênero. No final do século XX, três manifestações culturais iram deflagrar a diferença cultural que corrói os signos de unicidade identitária: a fotografia de Rosângela Rennó, a lente Walter Salles e as palavras de Helena Parente Cunha.


Mary Jane Fernandes Franco
Amirik: a colonização libanesa no Brasil através de uma gháziya
No romance Amirik (1997), Ana Miranda, a exemplo do que havia feito em Desmundo (1996), atribui um relevo especial à experiência, à história e à voz da mulher. Desta vez, a autora recria, através da personagem Amina, uma jovem dançarina libanesa, um retrato da vida dos imigrantes libaneses que vieram para o Brasil nas últimas décadas do século XIX. As diferenças culturais, sobretudo, entre ocidente/oriente são evidenciadas pela narradora/protagonista ao longo do romance. Assim sendo, este trabalho irá analisar a trajetória de Amina em busca do que há de mais íntimo na sua relação com tudo que experimenta nas Américas.