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Poesia e gênero
Coord: Maria do Amparo Tavares Maleval
Local:Auditório do CCE - B
Data: 11/10/2002



Cleonice Nascimento da Silva
- cleons@ig.com.br
Gilka Machado e Florbela Espanca: contribuições e conflitos na esfera pública e na privada
A organização de grupos excluídos tem gerado um processo de lutas e conquistas em prol do próprio reconhecimento e inclusão nos espaços públicos, e vêm aumentando significativamente, proporcionando, assim,uma mudança na estrutura da esfera pública. Nesse contexto, o grupo de mulheres representa uma parcela importante que busca reconstruir a própria identidade. É a partir daí que nasce a reivindicação de uma cultura "diferente", cuja formação ainda está em processo. As obras de Gilka Machado e Florbela Espanca retratam muito bem esse conflito entre o público e o privado, no qual a mulher vive encarcerada há muito tempo. No caso das poetisas, estas assumiram uma postura "diferente" e "arrojada" para os padrões literários da época, o que lhes custou críticas severas e julgamentos de ordem moral. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é reconstituir a esfera pública da época que interfere na história do feminismo moderno, configurando-se como mecanismo de investigação, imprescindível ao processo de reflexão e mudança nas esferas de poder.


Florita Rêgo - floritarego@bol.com.br
Condição marginal não silencia a índia-mestiça marabá
A representação mítica da raça, da mulher e dos que estão à margem, sugere o diálogo de Marabá com sua origem e a história. No poema, o hibridismo trazido a partir do título, será examinado com base em Néstor G. Canclini (1998) e Homi Bhabha (1998). As perspectivas femininas pressentidas na materialidade do discurso serão analisadas com a fundamentação de Elizabeth Gross (1995) e Nadilza Martins Barros Moreira (1999), que esclarecerão nossa argumentação. O desrespeito com o diferente, marcado no poema Marabá, de Gonçalves Dias, nos encaminha ao conflito da fronteira ao mesmo tempo que apresenta a força da voz da índia-mestiça que revela um Brasil mais real, mais mestiço.


Ramayana Lira de Sousa - rlsccj@yahoo.com
Hábitos e costumes: ambiguidade sexual em Elizabeth Bishop

Alguns poemas de Elizabeth Bishop são férteis na produção de leituras que buscam apontar questões de gênero. Em dois de seus poemas, "Exchanging Hats" e "Pink Dog", é possível apontar momentos de travestismo que acabam por dramatizar e complicar a ambigüidade e a performatividade do gênero. O ato de vestir-se assume grande importância na problematização das identidades sexuais e a ambigüidade da voz lírica, que caracteriza os dois poemas, pode ser vista como resultado do uso da ironia que, o mesmo tempo que cria uma identificação com as práticas subversivas de sexualidade, produz um sentido de segregação em relação a elas.


Stelio Furlan - stelf@terra.com.br
Florbela espanca: transportes

Os sonetos de Florbela Espanca afluem num rio que desliza em leito próprio na história da literatura portuguesa, rasurando a marca de fronteiras literárias precisas. Uma vez depositária de traços oriundos de várias escrituras, tal produção indicia um cunho intertextual e dispensa margens. Este esforço de engendração poética, que assume rigorosa contensão lírica, oscila entre a temática da Dor existencial e o frêmito de uma "mocidade toda em flor".


Zilma Gesser Nunes - zilma@cce.ufsc.br
As mulheres de Lesbos nas mão de Catulo

Pretende-se, nesse trabalho, examinar a influência da poesia de Safo (de Lesbos, nascida aproximadamente no ano 612 a.C.) na poesia de Catulo (Verona, 84 a.C.). A obra lírica de Catulo consiste numa coletânea de 116 poemas curtos, de metros variados, escritos em linguagem viva. É bastante recorrente, em sua poesia, uma espécie de musa inspiradora de nome Lésbia. Era comum para a época do latino Catulo, e assim dizia a "Arte Poética", que os modelos a serem imitados fossem os gregos. Só não dizia, essa mesma Poética, que os modelos pudessem ser femininos. Ainda mais, em se tratando de Safo que fugia dos padrões de uma sociedade patriarcal de "poetisas educadoras". Safo foi líder de uma sociedade literária feminina chamada "Casas das Musas", objetivava reunir mulheres que se devotavam à música, à poesia e ao culto de Afrodite.


Maria do Amparo Tavares Maleval
O (desen)canto medieval nos Dispersos de Cecília Meireles
A presença do Trovadorismo medieval na obra de Cecília Meireles é indiciada já pelos títulos de diversos poemas: Canção, Cantiga, Cantar... determinados ou não por qualificativos. Além do mais, alguns deles constituíam letras de música, como na Idade Média. Mas essa presença é formalmente muito tênue, restringindo-se geralmente a alguns sintagmas e versos, principalmente dísticos, evocativos das lírica dos antigos trovadores; ou a algumas situações que remetem para quadros por eles pintados. Pretendemos estabelecer a nossa reflexão sobre dois poemas dos Dispersos cecilianos, nos quais é muito explícita a retomada dos cantos ancestrais. São eles "Confessor medieval" e "Todas as aves do mundo de amor cantavam", onde a nossa grande poetisa dialoga, respectivamente, com as bailias ancestrais e com a alba de Nuno Fernandes (Torneol). Pretendemos observar as peculiaridades desse diálogo, marcado pelo desencanto de um tempo em que imperam o desamor e a angústia existencial.