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Eros e Tanatos: representações literárias
Coord: Ana Cláudia Gualberto
Local:Sala de reuniões 6 - CCE B
Data: 11/10/2002



Egle Pereira da Silva -
eglesilva@hotmail.com
A carnavalização da vida e da morte em Como Água paraChocolate: imaginário feminino e identidade
Esta reflexão toma como ponto de partida o livro Como Água Para Chocolate,da escritora mexicana Laura Esquivel e os conceitos de carnavalização de Mikhail Bakhtin, morte de Philippe Ariès e erotismo em Bataille para questionar o papel da família e de certas tradições e costumes milenares na construção das identidades e do imaginário feminino, traçando um breve perfil da história e das festas mexicanas, como forma de identificação da cultura nacional e da própria mulher, que restrita ao espaço da cozinha tem no alimento o resgate de sua sexualidade.


Iris Helena Guedes de Vasconcelos - ihguedes@yahoo.com.br
Entre o sagrado e o profano: uma representação do feminino na obra de Nelson Rodrigues
Analisando o papel desempenhado por Geni, protagonista de Toda nudez será castigada, uma das tragédias cariocas de Nelson Rodrigues, a partir de suas falas, suas ações e das descrições de si própria e através das outras personagens, procura-se discutir a representação do feminino na obra rodriguiana. Para tanto, destacam-se dois arquétipos femininos dominantes na literatura: o sagrado e o profano, que, embora convencionalmente excludentes, podem ser identificados no perfil da protagonista, ora demonstrando sentimento de compaixão, ora de vingança, pois, a princípio, tal qual uma prostituta sagrada, ela teria a missão de “salvar” o puritano Herculano do tédio da vida casta. Entretanto, em busca de um amor romântico, segue o destino de Fedra, carnavalizando o ideal burguês de feminilidade.


Raymundo da Costa Olioni - rayolioni@mikrus.com.br
Sem título
A pesquisa tem por objetivo analisar a questão do gênero em dois textos literários do autor gaúcho Caio Fernando Abreu: Linda, Uma História Horrível e Depois de Agosto. Por meio da análise das personagens masculinas de ambos os contos, observa-se a representação literária de formas de comportamento social: aquela restrita aos papéis hierarquizados e impostos pela chamada masculinidade hegemônica, e a que se refere às vozes destoantes do padrão - os excêntricos, que não corroboram a norma vigente. Nos contos, verifica-se a existência de comportamentos sociais que a literatura revela e reproduz, apropriando-se da realidade circundante para (re)avaliar conceitos e valores instituídos.


Sandra Hahn - sandrahahn@yahoo.com.br
A escrita suicida de Hilda Hilst
Tentaremos neste artigo fugir da preocupação de tratar a literatura pornográfica como um fenômeno social e psicológico (herança da moral repressora cristã); como fruto da ignorância psicológica ou ainda como um foco de preocupação moral. Nossa questão central seria examinar a obra pornográfica de Hilda Hilst a partir da seguinte pergunta: As obras pornográficas podem ou não ser arte? Susan Sontag no seu ensaio "A Imaginação Pornográfica" enumera os critérios estabelecidos pelos críticos ingleses e norte americanos e através do estudo de uma obra pornográfica A história de O. Sontag vai desmontando um por um estes critérios, mostrando que eles são facilmente contestáveis. Ela nos propõe uma revisão critica sobre os conceitos de pornografia e arte, alegando que toda a literatura contemporânea gira em torno de situações e comportamentos extremos o que a aproxima da literatura pornográfica. Segundo Sontag a literatura pornográfica é fundada num modo diverso de consciência, uma consciência extremada. A literatura pornográfica mostra elementos novos e traz à discussão a complexidade do conhecimento humano; o mergulho em experiências que significam um risco espiritual. O artista moderno nas palavras de Sontag "é um corretor da loucura". A crítica americana alega que o assunto ainda não foi "genuinamente debatido" que não se pode afirmar que as obras pornográficas não são literatura sem examinar melhor a questão. Excepcionais, controvertidos, paradoxais, tanto os personagens de Contos D'Escárnio quanto de Cartas de um Sedutor de Hilda Hilst trazem consigo a marca do absurdo, isto é, todos vivem um comportamento erótico que beira à raia dos extremos. Corrompidos por várias formas de perversão e presos pela falta de perspectiva de vida, todos personagens buscam nas suas relações amorosas um modo de afundar sua consciência, através de suas peripécias sexuais. A linguagem dos contos e das cartas tentam agredir o leitor e criar:um estado de choque. Eles tudo arriscam em nome de uma falta trangressora que não deixa de ser a busca de um comportamento erótico sem o peso e a medida ético-moral. Sontag defende a importância de se abrir um espaço para uma reflexão e estabelecer quais então os critérios que nos permitem diferenciar literatura erótica de literatura pornográfica. Neste trabalho pretendo buscar a explicitação desses conceitos dentro da obra "pornográfica de Hilda Hilst.


Sandra Mina Takakura - sandramita@hotmail.com
Eros e Thanatos em "Twenty-One Love Poems" - o feminismo e o amor lésbico
Adrienne Rich celebra o amor lésbico em seu poema intitulado "Twenty-one Love Poems"(Vinte e um poemas de Amor). Se por um lado suas metáforas cantam a beleza do falo feminino e revelam a possibilidade de sublimação do amor lésbico. Por outro Rich canta a dor do "eu" em pertencer a um grupo minoritário que sofre com a exclusão na sociedade. Desse modo Rich revela tanto o seu lado lírico quanto a sua face política afirmando-se tanto como uma poeta lírica do amor lésbico como uma militante feminista.


Ana Cláudia Félix Gualberto - guanna@uol.com.br
Entre fitas e cartas: a luxúria transcrita sob um olhar de gênero
O romance A casa dos budas ditosos (1999), de João Ubaldo Ribeiro, trata de um dos sete pecados capitais, a luxúria, sob a ótica de uma baiana de 68 anos, C.L.B., que narra toda sua experiência sexual sem poupar o leitor de qualquer detalhe. Nesta obra, ecoam-se, em muitos momentos, algumas técnicas de escrita utilizadas por Hilda Hilst para compor sua trilogia pornográfica: O caderno rosa de Lori Lamby (1990), Cartas de um sedutor (1991), Contos d’escárnio/ Textos grotescos (1992), o que propicia uma breve comparação entre estes textos. Ao relatar sua história, a protagonista evidencia várias questões pertinentes à discussão de gênero. Desta forma, este trabalho tem como objetivo analisar as incoerências de gênero no discurso de uma mulher que se diz estar à frente de seu tempo.