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Mulheres em cena
Coord: Helena Tornquist
Local:Auditório do Centro de Convivência
Data: 11/10/2002



Carlos Eduardo Schmidt Capela -
capela@cce.ufsc.br
Natureza entre gentis e hostis (estrangeiros e mulheres nacionais no teatro brasileiro do século XIX)
É hoje um truismo afirmar que olhares estrangeiros foram fundamentais para a constituição de imagens da nação brasileira. Mais produtivo parece ser verificar modos segundo os quais tais olhares foram incorporados, no campo da ficção. É o que proponho fazer, analisando relações entre personagens de estrangeiros e de brasileiros, em especial de brasileiras, isso no domínio de parte da dramaturgia criada por autores nacionais durante a segunda metade do século XIX.


Marise Rodrigues - marise@urbi.com.br
Maria Jacintha e o teatro duplamente político

A peça Um não sei quê que nasce não sei onde, da dramaturga fluminense Maria Jacintha, representa o teatro de natureza político-social, tomando como matéria ficcional o fadado episódio de sua prisão, após o golpe militar de 31 de março de 1964. Esse texto ratifica o caráter duplamente político, uma vez que privilegia a ideologia política comum a toda nova dramaturgia da época, assim como, paralelamente, aponta para o sentido de uma outra política: a do feminismo contemporâneo que se revigora no tratamento dos temas explicitamente sociais e políticos, perpassando os espaços públicos e privados, redimensionando a memória em ficção, a cela em palco, como forma de resistência e de afirmação desse espaço social cada vez mais socializado em suas diferenças.


Lisandra Perez Avena - baliice@ibest.com.br
" Medéia" o belo mal
Este trabalho se propõe a discutir: "Medéia", um dos personagens mais interessantes da mitologia grega clássica. A peça "Medéia" foi representada pela primeira vez em 431 AC, é uma das mais importantes peças de Eurípides. Eurípides dedicou grande parte da sua obra aos personagens femininos, foi considerado um feminista dois mil anos antes de surgir o termo e Medéia destaca-se entre todas por seu papel independente, sua recusa em ser somente um "joguete" dos homens, sua insistência em traçar seu próprio destino. Não é por acaso que Medéia, a mais voluntariosa das mulheres do teatro grego clássico, é uma arquivilã. Descreveremos, a peça "Medéia", que se tornou muito popular nos tempos modernos, sendo rescrita, a partir de sua temática trágica, por vários escritores contemporâneos, como nosso compositor Chico Buarque de Holanda, que com Paulo Pontes criou a peça "Gota d'Água". A antiga e atual história de Medéia, é transposta para uma favela carioca com pobres e macumbeiros. Salientamos também que, nos tempos modernos, o tema trágico de Medéia é aproveitado e transformado para a "nossa realidade", ou seja, as circunstâncias se modificam e os mitos se adaptam a elas, conforme dados que nos oferece a história. Existem semelhanças com dramas passionais encontrados na realidade em que vivemos, pois, em muitas vezes, nestes está retratado a essência do comportamento humano trágico, citado na tragédia de Eurípides. Citaremos também outras mulheres que se assemelham a Medéia, por possuírem uma personalidade forte, um caráter enganoso, vítimas de ciúmes, enfim, mulheres como Eva, Pandora e Helena de Tróia.


Luciana de Campos - lucampos@eudoramail.com
Tecendo relações: uma leitura de Tristão e Isolda sob a perspectiva de gênero
A narrativa de Tristão e Isolda estabelecida por Béroul na França do século XII é até hoje uma fonte literária fundamental para o estudo das relações sociais, da vida nas cortes medievais e, principalmente, da vida das mulheres. Essa narrativa traz em suas linhas dados importantes acerca da cultura celta e do modus vivendi feminino nesta mesma sociedade. . Sob a perspectiva do Gênero essa narrativa nos apresenta uma visão diferenciada da vida das mulheres na sociedade celta e medieval, mostrando mulheres que, além de verdadeiramente assumirem o seu papel acabam também, desempenhando papéis masculinos para assegurarem a sua sobrevivência. O Gênero é utilizado aqui como ferramenta crítica para compreendermos a importância da mulher na literatura e na sociedade medieval.


Roberto Ferreira da Rocha - rocrob@bol.com.br
Três visões de Volumnia
Volumnia é uma das personagend femininas mais instigantes de Shakespeare. Sua importância na tragédia romana "Coriolano" (1608)é decisiva. Mãe do herói, um líder militar que se torna um desastre como político, ela vive um papel fundamental tanto na formação quanto no trágico destino do filho. Volumnia tem sido um desafio para as atrizes que o interpretam por sua complexidade humana e ideóliga. Nesta comunicação pretendo examinar a relação entre a forma como o personagem é construído e a concepção geral de três encenações modernas da peça.


Helena H. F. Tornquist - htorn@cce.ufsc.br
A mulher (e/ante) o poder: considerações sobre a representação feminina em textos da dramaturgia ocidental
No teatro clássico é possível encontrar momentos em que a ação da protagonista rompe com os padrões da representação (e com estereótipos) estabelecidos, saindo da esfera privada, como é o caso da Antígona de Sófocles, que defende princípios morais que considera indiscutíveis. Entretanto, com as transformações do mundo ocidental, a atuação da mulher na cena dramática iria sofrer um retrocesso, como se pode observar em Leonor de Mendonça, um drama romântico em que Gonçalves Dias denuncia a condição feminina na rígida estrutura patriarcal da sociedade portuguesa quinhentista. Nestes textos, examina-se, ainda, a questão da culpabilidade em diferentes contratos sociais, estendendo o cotejo à versão de Antígona, escrita por Jean Anouilh. A ação de personagem de Sófocles, obcecada em cumprir um dever ditado pela lei familiar, contra a razão de estado invocada por Creonte, bem como a de Leonor de Mendonça, vítima de si mesma e das circunstâncias, terá certamente um sentido diverso do que é proposto pelo dramaturgo francês em meados do século XX.