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Mulheres, espaço público e cidadania
Coord:Cecília Moreira Soares
Local: sala 331 - CFH
Data:11/10/2001



Françoise Dominique Valéry
Mariceli Tinoco Cabral

O efeito dominó
A apreensão da dimensão de gênero e suas relações com a política tem sido fundamental para questionar a participação da mulher na vida política em cada realidade nacional. No Brasil, a emergência e consolidação de núcleos de estudos feministas tem contribuído para o resgate histórica desta participação e o questionamento do aporte do feminismo nas questões políticas contemporâneas. No Rio Grande do Norte, o Núcleo Nísia Floresta de Estudos e Pesquisas sobre Mulher e Relações sociais de Gênero – NEPAM vem dando sua contribuição aos estudos feministas desde sua criação em 1991. No quadro deste núcleo, várias pesquisas foram e são desenvolvidas, voltadas para o resgate da participação das mulheres na vida pública do estado, focalizando os principais eventos que assinalaram a contribuição das mulheres em prol da democracia : na década de 20, a luta pelo sufragismo e a conquista do voto; na década de 30, a emergência das mulheres nos primeiros cargos, a participação das militantes comunistas na Intentona Comunista de Natal em 1935, a atuação das militantes integralistas no movimento do mesmo nome na década de 30, o papel das mulheres vitimas do Golpe de 1964 nos movimentos políticos e educacionais da década de 60, a emergência e consolidação dos movimentos sociais e de mulheres nas décadas de 70 e 80 e suas relações com o feminismo, e a conquista do espaço do poder pelas mulheres na década de 90. O conjunto dos trabalhos de investigação que foram realizados nesta linha permite fazer uma análise em perspectiva da questão, à luz da problemática de gênero, e levantar alguns questionamentos no tocante às interrelações entre feminismo e política do Rio Grande do Norte. No encontro, pretende-se apresentar alguns dos resultados deste leque de investigações realizadas sob a coordenação da Profa. Dr. Françoise Dominique Valéry. Pois os estudos sobre a “Participação das mulheres na vida política do RN da década de 20 a década de 90” levam a questionar o chamado “pioneirismo” das mulheres potiguares na luta política, as relações entre os movimentos sociais e políticos e o feminismo, bem como destacar o inegável e amplo crescimento da participação das mulheres em cargos eleitorais, em termos locais e estadual. Dados complementares coletados por ocasião do pleito eleitoral de 2002 chamaram a atenção das pesquisadores pelo fato de assinalar a ampliação desta participação em termos novos, provocando um “efeito dominó”, a saber, o crescimento das inscrições em todos os níveis por parte de mulheres cujo perfil foi levantando e analisado. Serão apresentadas dados quantitativos (sob forma de gráficos e tabelas) e qualitativos (resultados de análise dos depoimentos das mulheres candidatas em 2002), avaliando quais os mecanismos que propiciaram a enxurrada das candidaturas femininas e o papel das “cotas” como alavanca desta participação. Desta forma, o trabalho visa contribuir para a discussão sobre o papel do feminismo e das questões de gênero nas questões políticas contemporâneas.


Valéria Noronha - valerianoronha@hotmail.com
A gestão feminina nos hospitais municipais da cidade do Rio de Janeiro: considerações sobre as relações de gênero e trabalho

O estudo focaliza as principais características da gestão feminina na administração dos hospitais municipais da cidade do Rio de Janeiro, focalizando a articulação entre a categoria análiA GESTÃO FEMININA NOS HOSPITAIS MUNICIPAIS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO: CONSIDERAÇÕES SOBRE AS RELAÇÕES DE GÊNERO E TRABALHO tica de gênero e a cultura organizacional. A preocupação desta investigação está voltada para a análise do estilo de coordenação dessas mulheres, como realizam suas práticas gerenciais e que desafios enfrentam no seu cotidiano de trabalho. A pesquisa identifica se existem diferenciações entre a gerência feminina e a coordenação masculina na direção das unidades hospitalares, pretendendo apreender as assimetrias entre a mulher "gestora" e o homem "gestor" no interior das organizações.


Valéria Tuleski - vtuleski@ieg.com.br
O feminismo em Portugal: a favor ou contra a 1ª. Guerra Mundial
Caiel, a representante da Liga Portuguesa da Paz, defende a intervenção das mulheres na gestão pública para fortalecer as probabilidades de paz, ao argumentar que as mulheres são as grandes vítimas da guerra, e as mães devem atuar pelo seu impedimento. Ana de Castro Osório, ao contrário, defenderá um feminismo nacionalista, em elogio à Cruzada das Mulheres Portuguesas, movimento pela entrada de Portugal na Guerra, proclamando a mãe heróica portuguesa e a insubmissão da Pátria como insubmissão feminina. Discutindo sobre as mulheres na guerra - THÉBAUD, e no nacionalismo - YUVAL-DAVIS, et alli, proponho-me a contrastar as duas intelectuais portuguesas no contexto da polêmica faccionalista entre guerra e paz, com base no gênero, com a crítica ao sexismo e a defesa da emancipação da mulher.


Cecília Moreira Soares - Ceciliasoares@yahoo.com.br
A negra na rua, outros conflitos