COMUNICAÇÕES LIVRES

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Identidades e gênero II
Coord: Salete L. Antonio
Local:Sala de reuniões 14 do CCE
Data: 11/10/2002



Andréa Cesco Scaravelli -
andraque@hotmail.com
A personagem "Macabéa" de Clarice Lispector
O respectivo trabalho faz um estudo comparativo da obra "A hora da estrela", de Clarice Lispector, com o filme, de mesmo nome, dirigido por Suzana Amaral. Este tem como enfoque principal à figura da personagem Macabéa; como ela é tratada pelos demais personagens e, inclusive, pelo narrador. Também são exploradas algumas das simbologias que permeiam a narrativa; simbologias estas consideradas relevantes, e que, inclusive, estão ligadas à própria autora da obra. O trabalho está apoiado em vários ensaios, de diversos autores, que também tratam da presente obra analisada.


Cacilda Leal do Nascimento - cacilcal@hotmail.com
Alfonsina Storni, uma mulher à frente de seu tempo
Alfonsina Storni sempre recusou-se em aceitar o papel destinado há muito às mulheres: o de simples "ornamento". Sua poesia, dividida por alguns autores em duas etapas (de 1916 a 1920 como sendo pós-modernista e de 1934 a 1938 como sendo vanguardista) mostra a preocupação da autora para com os seres humanos e seus atos e pensamentos, traz a luta pelo reconhecimento da mulher como ser humano e convida a todas as mulheres para o despertar deste sono ornamental, para a conquista de seu lugar no Universo. Este trabalho vai analisar um pouco da vida e da obra desta importante poeta argentina do início do século.


Fátima Cristina Dias Rocha
A hora da estrela, de Clarice Lispector
O trabalho estuda o romance A hora da estrela, de Clarice Lispector, abordando o diálogo que este texto estabelece com outras obras da literatura brasileira e com outros textos de Clarice. Enfatiza-se o diálogo entre A hora da estrela e Os sertões, de Euclides da Cunha, obra-matriz de uma vertente antropológica de nossa literatura, na qual Clarice se inscreve, conjugando tradição e transgressão. A problematização da identidade de Macabéa adensa a constante preocupação da autora com a experiência interior das personagens. Como outras figuras femininas claricianas, Macabéa reúne carência e plenitude, fragilidade e grandeza, interdição e possibilidade. Ao enfatizar os momentos privilegiados da existência das personagens, Clarice dá a seus textos a dimensão política revolucionária que os caracteriza.


Margibel Adriana de Oliveira - margibel@sj.univali.br
Manifestando intimidades: considerações sobre a personagem Ana, do conto Amor, de Clarice Lispector
O rompimento com o convívio doméstico que Ana se permite, ao sair para a rua representa, no mínimo, um convite a que ela desfrute de outras sensações não vivenciadas no ambiente privado. Neste sentido, a partir do estudo do cotidiano da personagem, observamos que, em muitos momentos, a vivência dela está fortemente marcada por modificações sensoriais. Ao considerarmos então, que os sentidos, a partir da experiência extática, apresentam indícios de estarem modificados, centraremos a atenção da nossa análise nestas alterações, por supormos que elas constituem tema inerente ao estudo das manifestações extáticas. Esta comunicação pretende apresentar considerações sobre o tema do êxtase, que toma por base as ponderações concebidas por Teresa de Jesus, visto que através dos seus escritos encontramos um dos mais interessantes registros sobre a vivência da manifestação extática. Neste sentido, Pierre Janet, ao empreender considerações sobre as características destas manifestações, lembra que os místicos descreveram em excesso as imagens neste estado. O autor diz que Santa Teresa, no tratado dos Sete Castelos, é exemplar nesta particularidade. Em especial, no texto do Castelo Interior, em alusão à manifestação extática, nas três últimas moradas, Teresa de Jesus registra toda a plenitude do momento a respeito das modificações dos sentidos quando em êxtase.


Patrícia Rossi - proliv02@bol.com.br
Sem título
Com base nas preocupações da crítica feminista, mais especificamente seu projeto de re-escrever o cânone literário, destaco uma personagem ficcional feminina de uma obra que combina temas caros ao mundo privado das mulheres com acontecimentos que fazem parte do repertório público e político de um país. Dulce, de A voz submersa (romance de Salim Miguel) permite que se explorem os temas do corpo e da política, da casa e da rua. Para além do binarismo da modernidade, o paradoxo se instaura: Dulce se encontra no umbral entre a mulher das primeiras décadas do século XX e a mulher emancipada e independente das décadas mais recentes. Recolhida no lar ou exposta ao público, ela consegue fazer com que sua voz venha à tona, destampando memórias até então guardadas no foro mais íntimo do ser. Lembranças que forçaram a saída e provocaram a necessidade de procurar refúgio. Assim, neste vaivém, ela transita pelos espaços de dentro e de fora, busca abrigo na casa, no ventre da mãe.


Salete Lópes Antonio - rsglopes@uol.com.br
Mulher catarinense: presente!
Esta comunicação constitui-se de parte de um trabalho de estudos da literatura catarinense desenvolvido com alunos do curso de Letras. Esses estudos revelaram que poucas são as vozes femininas na literatura produzida em Santa Catarina. Maura de Senna Pereira, que nasceu em 1904 e faleceu em 1992, fez parte desse seleto grupo. Seus poemas revelam as angústias, anseios e preocupações de uma mulher que viveu plenamente o século XX. Uma mulher rebento inquieto desse século. Maura não se limita a falar do amor de um homem e uma mulher. O amor é um sentimento que deve ser também partilhado com os outros. O lirismo de seus versos vem marcado pela solidariedade entre os seres humanos. Com sua poesia, Maura quer ajudar a construir o mundo futuro / e colocar a minha pedra / no lugar exato e na hora exata.