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Mulheres, historiografia e história social
Coord: Adriana Gibbon
Local:Sala 312 do CCE
Data: 11/10/2002



Carmen Alveal -
carmen@mulher500.org.br
O projeto Mulher 500 anos e o fortalecimento das pesquisas de gênero no Brasil
É lugar comum, hoje, falar sobre a importância do papel e da luta das mulheres na sociedade moderna. No entanto, a história das mulheres é uma história recente, que se ressente de um passado mal contado, envolto em silêncios seculares que ainda não foram completamente quebrados. O projeto Mulher, 500 anos atrás dos panos nasceu em 1998 e foi criado pela REDEH- Rede de Desenvolvimento Humano com o objetivo de resgatar a história da participação das mulheres na construção do país desde o descobrimento. Esta comunicação visa apresentar os resultados conseguidos pelo projeto contribuindo com o resgate histórico e a ampla divulgação da valorosa e decisiva participação feminina na formação e desenvolvimento do país.


Lillyan P. de Lima - ll_lima@yahoo.com.br
Lôidy P. de Lima
Jussara J. de Lucena Oliveira

Da porta do meio pra lá: relações de gênero e vida cotidiana no sertão Potiguar do século XVIII
Levando em conta a importância dos estudos voltados para a história do cotidiano - que suscitam temáticas, responsáveis por importantes discussões, como as relações de gênero - foi desenvolvido o presente trabalho. A partir da análise de descrições de casas sertanejas do século XIX (em obras da historiografia tradicional local com destaque para autores como Câmara Cascudo e Olavo de Medeiros Filho) buscamos apreender através de aspectos expressos em elemento do ambiente residencial - espaços físicos, móveis, objetos e utensílios, destinados eminentemente a homens ou a mulheres por meio de regras familiares e/ou convenções sociais - reflexos sócio-culturais capazes de nos informar os papeis, funções e até mesmo as relações estabelecidas entre homens e mulheres na então nascente sociedade sertaneja potiguar.


Patrícia de Brito Pereira - patisa@terra.com.br
O sexo feminino: as relações de gênero no Brasil do século XIX
Este trabalho é fruto de uma pesquisa elaborada sobre as relações de gênero contido na literatura brasileiro. Pretende -se evidenciar os aspectos da relação homem/mulher, demonstrando suas potencialidades apresentadas na literatura do século XIX tomando o romance "A Viuvinha" de José de Alencar como ponto de referência para a análise de várias expressões do papel feminino frente à sociedade de essência masculina. José de Alencar retratar a vida e os costumes da elite brasileira em suas analises do perfil psicológico das figuras femininas representadas em seus livros destacando sua relação com o universo masculino. A importância deste estudo reside na utilização da literatura como elemento revelador de traços da sociedade e fatores importantes para o estudo das relações de gênero.


Patricia França Alborghetti - pati_alborghetti@yahoo.com.br
Envelhecimento e conjugalidade: um estudo de gênero
Com o expressivo aumento no número de pessoas idosas (acima de 65 anos), a terceira idade está recebendo cada vez mais atenção acadêmica e a questão do gênero está intimamente articulada a esta problemática. Pensar a velhice como uma questão de gênero (as mulheres vivem, em média, 5 anos a mais que os homens) e também como um assunto para ser trabalhado dentro dos estudos de gênero (a velhice não é um momento de androginia para ambos os sexos), fortalece nosso olhar sobre a vida daqueles/as que continuam a fazer parte da sociedade e a viver de acordo com expectativas socialmente determinadas. Amparado por esta perspectiva o presente trabalho resulta do relato de histórias de vida de casais idosos sobre suas vivências conjugais e a forma como as relações de gênero se manifestam nestas experiências.


Silvia Coutinho Areosa - sarcosa@dpsico.unisc.br
Como vivem nossas avós: um estudo relacionando aspectos socioculturais e gênero
Esta pesquisa é um estudo quantitativo realizado com mulheres em 17 grupos para terceira idade no município de Santa Cruz do Sul. Localizado no interior do Rio Grande do Sul sofre várias influências da colonização alemã, sendo a maioria dos grupos ligados a instituições religiosas (Luterana e Católica). O estudo busca verificar como viviam essas mulheres e como estão vivendo hoje, se estas ainda representam os papéis estereotipados de mulher, como sendo donas-de-casa e mães, que lhes foram outorgadas pela mídia, influenciada pela ideologia e cultura patriarcal. Dentro da visão da nossa sociedade que é falocêntrica, a mulher idosa depara-se com uma dupla problemática, gerada pela discriminação de ser mulher e estar velha (Debert, 1994). Dentro desta perspectiva, entre as 112 mulheres (com idades entre 60 e 90 anos) que fazem parte desta pesquisa, encontramos 29% de donas de casa, que nunca trabalharam fora, tendo o universo da casa como seu espaço único. Observamos que dentre os idosos que freqüentam grupos para terceira idade, 77% são mulheres, invertendo a questão do espaço público e privado; tendo representatividade masculina em apenas 6 dos 17 grupos pesquisados. Quanto ao estado civil, identificou-se 60% de viúvas, 30% de casadas, sendo o universo das solteiras e divorciadas muito pequeno, 6% e 4% respectivamente. Confirmando os achados, Heredia (2001) fala que a expectativa de vida das mulheres é maior. Há uma projeção para o ano 2020, na América Latina, de que as mulheres com mais de 60 anos serão 54% da população idosa e que, com isso, a proporção de viúvas aumentará. Quando a mulher morre antes, o viúvo rapidamente casa-se novamente, perdendo essa condição. Assim a população idosa feminina é mais vulnerável a passar sua velhice sozinha e sem apoio financeiro adequado, devido aos baixos índices de escolaridade (confirmados em nossa amostra, onde, 5% são analfabetas, 71% só estudaram até a 5ª série primária e apenas 3% concluíram curso superior) e pouca inserção na vida econômica. Pensar a velhice como uma experiência homogênea é considerar os problemas enfrentados pelos idosos como semelhantes, minimizando as diferenças de gênero, próprias do envelhecer.


Adriana de Oliveira Gibbon - adgibbon@bol.com.br
As formas variantes de expressão de futuro e as relações entre homens e mulheres na fala de Florinópolis
Ao analisar as formas variantes de indicação futura –– forma perifrástica (vou fazer), presente do indicativo (faço) e futuro do presente (farei) –– na pesquisa sociolingüística, encontramos pequenas peculiaridades entre o sexo masculino e o feminino. Este trabalho trata dessas peculiaridades, mostrando dados estatísticos (análise quantitativa) e contextos de futuridade (análise qualitativa) produzidos por homens e mulheres de três faixas etárias, na cidade de Florianópolis. A análise quantitativa indica resultados obtidos através do programa VARBRUL, nos quais observa-se que as mulheres produziram praticamente o dobro de ocorrências de tempo futuro em relação aos homens. A análise qualitativa mostra que tipos de contextos de futuridade as mulheres produzem e qual é a comparação que se pode fazer com os contextos de futuridade produzidos pelos homens.