COMUNICAÇÕES LIVRES

 mesas redondas 
comunicações livres 
mostras e exposições 
inscrição 
contato
comissão organizadora 

 

 

Masculinidade, paternidade e sexualidade
Coord: Maria Juracy T. Siqueira
Local:Auditório do CFH
Data: 11/10/2002



Emanuelle Silva Araújo -
emanuellea@datauff.uff.br
A "pílula milagrosa" e a impotência sexual masculina
Fenômeno absoluto de vendas, o Viagra, primeiro medicamento oral contra a impotência sexual masculina, foi enormemente divulgado pelos veículos de comunicação, sendo anunciado como uma revolução sexual, comparável à pílula anticoncepcional. Em contrapartida, nas ciências sociais, este fenômeno não suscitou um grande número de debates e produções acadêmicas. Tendo isto em vista, pretende-se realizar com este trabalho um estudo sobre as representações da masculinidade nas reportagens da revista Veja, que abordem como tema central a medicalização da impotência, buscando refletir sobre o papel da mídia na produção de significados e valores no que tange a questão da sexualidade masculina. Este trabalho é parte do projeto de pesquisa sobre construções da masculinidade na mídia orientado pela Profª Dra. Simoni Lahud Guedes.


Luiz Mello de Almeida Neto -
Parceria Civil e Conjugalidade Homossexual: novas representações de família na arena política
Neste trabalho são problematizadas as representações sociais e práticas políticas relativas à construção da conjugalidade homossexual no Brasil contemporâneo. Um dos núcleos da pesquisa consistiu na identificação dos elementos constitutivos dos discursos de parlamentares e de representantes da sociedade civil que participaram das audiências públicas da Comissão que analisou o Projeto de Lei que dispõe sobre a parceria civil, na Câmara dos Deputados. Como conclusão principal, observou-se que gays e lésbicas e seus aliados reivindicam a igualdade na esfera pública numa perspectiva integracionista, que define os direitos conjugais e parentais como próprios à cidadania e aos direitos humanos. Por sua vez, os parlamentares que se opõem ao Projeto, fundados numa concepção naturalista e religiosa de família, sexo e sexualidade, afirmam a legitimidade da exclusão social e política dos homossexuais, a partir de uma apropriação heterocêntrica do sistema de gênero.


Rita de Cássia Santos Freitas - ritacsfreitas@uol.com.br
A arte de ser pai - novas formas de paternidades
Ao estudar mães em luta, nossa curiosidade foi aguçada por uma outra questão: e os pais? Onde estão os "pais em luta"? Acreditando na fala de Clarisse, de que a resposta nos aguarda antes mesmo da pergunta ser feita, entendemos que essas respostas estão à nossa volta buscando a pergunta a qual dizem respeito. Transformações no mundo da família trazem para nossa reflexão as várias formas possíveis de se exercitar essa "arte de ser pai". Debruçando-nos sobre nosso campo de estudo (as relações entre violência e famílias) vemos, paulatinamente, as várias formas que assume essa "nova" paternidade que também vai à luta. Propomos nos debruçar sobre as formas que esse exercitar vem se efetivando.


Zuleica Pretto - zuleica@cfh.ufsc.br
Intimidade - uma questão social
Modificações relativas aos domínios público e privado ocorridas no último século, conduzem a indagações quanto a validade e legitimidade do modelo de masculinidade hegemônico, dado que este se solidificou exatamente a partir da bipartição de tais domínios: aos homens a rua às mulheres a casa. Para tal análise o recorte será o perfil amoroso dos homens modernos, como concebem o amor e o que esperam das mulheres "modernizadas". Propomos uma reflexão de que a forma de amar não é relativa apenas a intimidade, garantindo um isolamento social, pelo contrário, é construída e constrói esse social, atendendo a ditames culturais, ideológicos e políticos.


Maria Juracy Toneli Siqueira - juracy@cfh.ufsc.br
Sexualidade e paternidade na adolescência: concepções de adolescentes do sexo masculino no município de Florianópolis, estudantes da rede privada de ensino
Esta pesquisa objetivou investigar as concepções que jovens do sexo masculino, de 15 a 19 anos - estudantes da rede privada de ensino, moradores do município de Florianópolis -, elaboram sobre a sexualidade, bem como os comportamentos que mantêm neste domínio. Para tanto, formulou-se procedimentos que incluem duas etapas distintas: a primeira consistiu na aplicação de questionário e a segunda, sobre a qual este relatório trata, constou na realização de entrevistas com 6 (seis) adolescentes. Esta etapa visa aprofundar e explorar questões não alcançadas pelo questionário. Para isso foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, que depois de transcritas foram categorizadas tendo em vista os temas abordados. Analisando-as percebe-se que as afirmações dos sujeitos sobre alguns temas coincidem, trazendo à tona, desta forma, resultados relevantes para o atual trabalho, tais como a diferenciação entre ficar e namorar, pela qual os adolescentes caracterizam o 'ficar' pelo descompromisso e o namoro como algo mais sério. Dentre os 6 (seis) sujeitos entrevistados, somente um não havia se iniciado sexualmente. Todos os outros ao falarem sobre seus relacionamentos sexuais afirmaram que se importavam com o prazer/satisfação da parceira. Sobre o uso do preservativo, os adolescentes abordam a questão da confiança como justificativa para o não uso. Ao comentarem onde obtêm informações sobre sexualidade e doenças sexualmente transmissíveis, aparecem como protagonista a mãe, seguida pelos amigos, televisão e escola. O tema representação de gênero é tratado por todos os entrevistados, que mantêm uma visão tradicional das relações entre homens e mulheres e das atribuições do masculino e do feminino, apontando um processo de vulgarização da mulher nos últimos tempos. A representação destes sujeitos sobre gravidez na adolescência também traz a visão mais recorrente em nossa sociedade. Eles ressaltam a importância da independência e da estabilidade financeira para gerar um filho e abordam esses tópicos ao explicarem porque não gostariam de ser pais nesta etapa da vida. Relacionam a gravidez na adolescência com perda, trabalho e ignorância. A partir da análise das entrevistas, pode-se perceber que os entrevistados expressam posição tradicional/conservadora no que se refere às representações de gênero, e trazem a família como central em suas vidas, o que vai de encontro com o estereótipo de que adolescentes (especialmente homens) são rebeldes e quebram as tradições.