COMUNICAÇÕES LIVRES

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Saúde, gênero e discurso
Coord: Juliani Moreira Brignol
Local:Sala de vídeo - Colégio de Aplicação
Data:11/10/2002



Ana Paula Vosne Martins -
ana_martins@uol.com.br
Imagens secretas: a produção do saber médico e as imagens científicas do corpo feminino
Esta comunicação tem como objetivo discutir a produção do conhecimento médico obstétrico e ginecológico entre o final do século XIX e início do XX a partir da problematização do caráter secreto dos livros de medicina, caráter este reforçado pelo uso frequente de imagens resultantes da observação cada vez mais minuciosa dos corpos femininos que acenderam os debates em torno de quem pode ver o quê. Ao transformar o corpo da mulher em território sujeito à exploração visual acessível para o olhar treinado do clínico e do cientista, os médicos lançaram um véu epistemológico sobre os corpos femininos, fecnando-os nas páginas de volumosos tratados cada vez mais inacessíveis para o público leigo, ao mesmo tempo que os desvelavam espetacularmente através das imagens. Nesta comunicação as imagens médicas serão analisadas enquanto representações do conhecimento e, como tal, são entendidas como realidades figuradas, expressões de uma relação triangular entre o olhar daquele que pode representar, o objeto representado e o conhecimento produzido.


Diná da Silva Tscherne - tscherne@vicosa.ufv.br
Maria de Fátima Lopes
Paula Dias Bevilacqua

Gênero em um trabalho acerca das representações sociais do processo saúde-doença
Este trabalho analisa as representações sociais que permeiam o processo saúde-doença entre mulheres de um distrito de Viçosa-MG. No discurso dessas mulheres a questão de gênero apresentou-se relacionada com a saúde e a doença. A diferença de papéis femininos e masculinos e as atribuições delegadas culturalmente às mulheres em muito contribuem para originar ou agravar os processos mórbidos. A idéia polarizada das mulheres como mais próximas à natureza e os homens à cultura pôde ainda ser evidenciada nas falas. Desta forma, gênero mostrou-se como uma categoria relevante na abordagem das representações sociais sobre o processo saúde-doença.


Jaqueline Aparecida M. Zarbato Schmitt -
Doença, perturbação, dor: a relação de saúde entre homens e mulheres asilados
Esta pesquisa visa analisar a relação saúde-doença no asilo, percebendo a construção dos discursos sobre a doença da mulher velha, em que se legitima o uso do saber médico para quelificá-la como "queixosa", "deprimida", etc. Assim, a prática médica da observação do "corpo doente" insere um outro olhar da equipe do asilo sobre a mulher.Estabelecendo também, diferenças em relação à saúde dos homens e mulheres.


Silvia Lúcia Ferreira - silvialf@ufba.br
O movimento feminista e a saúde das mulheres: experiência dos centros de planejamento familiar na Catalunya (1976-1982)
A pesquisa identifica e analisa os centros de planejamento familiar como uma das estratégias do movimento feminista catalão, na conquista do direito à saúde das mulheres no período de transição política (1976 a 1982). Apesar do reconhecimento quase unânime de investigadores que interpretam a emergência do feminismo como um fenômeno surgido a partir dos processos de democratização, concordamos com Correia & Àvila quando dizem que a sociedade se democratizou de fato, porque as mulheres se organizaram e se converteram em protagonistas dos espaços públicos. A pesquisa foi realizada a partir de entrevista em profundidade, realizadas com sete mulheres que participaram da construção destes centros. Também foi realizada uma observação não participante de um centro de saúde fundado em 1982, como um centro de planejamento familiar. A análise reconstrói a trajetória política destas mulheres, as alianças e acordos necessários para a criação dos centros. Também se reconstrói o modelo assistencial, as características da clientela, a atenção dispensada às mulheres, as mudanças a partir da institucionalização do feminismo. Aponta-se a partir do estudo, os ganhos e as perspectivas futuras.


Tânia Maria Pereira Marques - almeidamendes@hotmail.com
Trabalho de Doulas na Maternidade: identidade gênero e discurso
Apresentaremos o trabalho de aulas desenvolvido na Maternidade Maria Barbosa - Hospital Universitário Clemente de Faria da Universidade Estadual de Montes Claros , desde l999. A partir de referenciais teóricos abordaremos a humanização e recuperação do pensar e sentir feminino em espaços consolidados pelas especificidades e competências profissionais.A presença da doula, recupera o lugar cultural e historicamente atribuído ao feminino, organiza e desorganiza discursos e práticas , rompe o isolamento entre conhecimento científico e saber comum , permite a apropriação de espaços fortemente regulados pelas relações de poder e saber.Ao mesmo tempo expõe as contradições do mundo do trabalho no ato de cuidar.


Juliane Moreira Brignol - julikakane@hotmail.com
Os discursos médicos e os saberes femininos no sul do Brasil
Essa pesquisa busca compreender como se deu o embate entre saberes institucionalizados de médicos sanitaristas e os saberes tradicionais das populações afro-descendentes no sul do Brasil no final do século XIX e início do XX. Através da documentação primária, nos discursos médicos e nas falas de governadores de Santa Catarina. Particularmente os saberes de mulheres provenientes do cativeiro e que com a abolição (1888) foram sendo excluídas dos processos de cura tanto de famílias de elite quanto de outros setores da sociedade.A metodologia da História Oral, num segundo momento, permite a visibilidade de uma identidade, tanto de parteiras, benzedeiras e amas-de-leite, que apesar de toda uma medicalização de hábitos e costumes, conseguiram atravessar a passagem do trabalho escravo para o livre de forma que seus ecos ressoam até os dias atuais e seus ensinamentos ainda passam de mãe para filha.