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Trabalho e mulheres operárias
Coord: Cristina Ferreira
Local:Sala 253 - CCE A
Data:11/10/2002



Maria Lucia Vannuchi Tomazini -
tomazinivida@netsite.com.br
Trabalho e gênero na indústria calçadista de Franca SP
Tese de doutorado, em elaboração, que focaliza a questão contemporânea do trabalho, sob perspectiva de gênero. Analisa os impactos da reestruturação produtiva sobre as relações sociais de sexo, a partir do estudo da situação específica da mulher trabalhadora na indústria de calçados de Franca, interior paulista, principal produtor de calçados masculinos de couro do país. Pesquisa empírica numa fábrica de grande porte, existente desde 1945, que emprega 6,2% da categoria no município. Posto que o mundo do trabalho é sexuado, utilizamos, neste estudo, os conceitos de gênero/relações sociais de sexo – que remetem a uma situação relacional, construída socialmente e mediada pelo poder -, articulados à categoria classes sociais.


Maricilia Volpato - mariciliav@ig.com.br
Uma análise de gênero nas transformações processo produtivo: do manual ao automatizado
O texto aborda as percepções de trabalhadoras(res) frente as transformações no processo produtivo em função da inovações tecnológicas no ambiente de trabalho, em uma indústria de telecomunicações na cidade de Curitiba. Destaca-se a importância do enfoque sobre os diferenciais de gênero para a melhor aceitação e compreensão das mudanças efetuadas na processo produtivo, reconhecendo que essas mudanças afetam diretamente a maneira de encarar o trabalho e suas próprias vidas. O argumento principal é que à aceitação do novo modo de produção acontece acerca de relações sociais específica, incluindo questões referentes e relevante sobre gênero.


Soraia Veloso Cintra - sol@francanet.com.br
Mulher e operária: a difícil luta pela igualdade
Segundo dados do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (SICF), em agosto de 1986, cerca de 37 mil pessoas estavam empregadas diretamente nas indústrias de calçados francanas. Este número caiu para 27 mil em janeiro de 1994 e, para 15 mil em fevereiro de 1999. Além do declino no mercado interno, com a implantação do Real em 1994, e a valorização deste frente ao dólar, as exportações também despencaram, fazendo com que mais pessoas fossem demitidas de seus empregos. Ainda segundo dados do SICF, de 100 indústrias que exportavam antes do Plano Real, somente 50 ficaram na ativa posteriormente. Até 1998, as exportações só registraram declínio. Neste ano, 3,6 milhões de pares foram exportados pelas empresas francanas contra 14,5 milhões de pares em 1993. Somente em 2000, depois de cinco anos registrando queda nas exportações, as fábricas tiveram uma perspectiva de ver seus negócios mais produtivos, pois o dólar havia ultrapassado o real no ano anterior. Pela primeira, pós-Plano Real, a indústria via novamente uma perspectiva de crescimento. Para os trabalhadores isto foi muito significativo, pois perto de dois mil novos postos de trabalho foram reabertos. Mas foi só, pois a reestruturação produtiva deixou marcas profundas para os sapateiros: atualmente, segundo os empresários calçadistas é possível fazer um sapato em menos tempo do que na década de 1980, com um custo menor e com menos mão-de-obra. A indústria de calçados do município continua, porém, empregando uma grande quantidade de trabalhadores. A mão-de-obra masculina continua sendo presença marcante e as mulheres representam 40% desta força. É dentro deste cenário, capitaneado entre os anos de 1990/2000 que parte nossa investigação. Nosso principal objetivo é tentar desvelar como se define na presença de homens e mulheres no mundo do trabalho dentro das indústrias de calçados de Franca, levando-se em consideração que, as mulheres ainda são preteridas aos cargos de chefia, à mercê de discriminações e desigualdades. Ao mesmo tempo, a investigação é importante para os estudos do Serviço Social aplicado, atuando muito próximo das questões sociais que envolvem também o universo de gênero. Por outro lado, pode favorecer reflexões ao setor de calçados de Franca na medida em que aponta indicadores essenciais ao processo de mudança social, estrutural e funcional, impostas pela conotação de mercado nos dias atuais. As primeiras mulheres entrevistas já nos apontam alguns caminhos. Caminhos estes que mostram uma discriminação a serviço do sistema capitalista de produção.


Cristina Ferreira - cris@furb.br
A fábrica & a casa: mulheres operárias de Blumenau (1940-1970)
A pesquisa tem por objetivo investigar as formas de sociabilidade e lazer das mulheres operárias da indústria têxtil de Blumenau/SC, no período de 1940-1970, a partir dos referenciais teóricos propostos pela Nova História Cultural. A análise dos dados pesquisados revela que as atividades de sociabilidade e lazer concentravam-se no espaço doméstico, sendo que a dupla jornada de trabalho e os baixos níveis salariais eram os principais responsáveis por esta situação. As manifestações artísticas (bordado, crochê, tricô, pintura) e os demais trabalhos domésticos (culinária, jardinagem, educação dos filhos) eram considerados como atividades de lazer e representavam uma ocasião para o cumprimento das “obrigações” de boa mãe, boa esposa e boa filha. O cinema, os bailes, a leitura e os passeios representavam uma oportunidade de sociabilidade e lazer fora da esfera familiar e doméstica, no entanto, tinham uma estreita ligação com os fatores tempo e dinheiro, bem como com a habilidade de conciliar as atividades de trabalho e lazer.