COMUNICAÇÕES LIVRES

 mesas redondas 
comunicações livres 
mostras e exposições 
inscrição 
contato
comissão organizadora 

 

 

Violência I
Coord: Theophilos Rifiotis
Local:Sala de reunião - Colégio de Aplicação
Data:11/10/2002



Alinne Bonetti - alinnebonetti@hotmail.com
Sobre a Violência sexual: trilhando alguns caminhos
Estimulada pelos obstáculos enfrentados na intervenção social sobre o fenômeno da violência sexual, procurei refletir sobre o por quê destes obstáculos. Para tanto, empreendi um diálogo com algumas pesquisas sobre o tema, comparando-as com algumas situações vivenciadas no cotidiano da intervenção. Ressalto a invisibilidade da violência sexual enquanto um problema social amplamente reconhecido, em comparação à violência doméstica. Além disto, observo que a violência sexual apresenta-se subsumida à violência doméstica. Fundamentando-me nestas questões, levanto algumas hipóteses para a investigação e análise do fenômeno da violência sexual.


Fabiana Cardoso Malha Rodrigues - fabianamalha@hotmail.com
Mulheres anônimas criminosas e suas trajetórias
Este trabalho, inscrito no campo da história social das idéias políticas, tem como objetivo investigar o processo de construção da idéia de indivíduo-feminino no Brasil, enfocando a disciplina e o controle da sexualidade feminina presentes nas ideologias jurídicas na passagem à modernidade brasileira no período de 1890 a 1916. Buscamos através das trajetórias das mulheres criminalizadas o entendimento da superfície na qual estão inscritas e a análise das ideologias que estão informando este contexto. Reunimos também as leis, bem como, as revistas jurídicas e as discussões no campo jurídico acerca dos remas relativos às mulheres. Dessa forma, estamos realizando um processo de busca pelas bases nas quais a questão da luta política do feminismo no Brasil se faz presente.


Jussânia Regina Pereira - semasbnu@terra.com.br
Maria do Carmo Campigoto

Programa de prevenção e combate a violência doméstica e intrafamiliar


Maria de Fátima Araújo - fatimaraujo@uol.com.br
Gênero e violência conjugal: estratégia de poder e dominação
O presente trabalho refere-se a uma pesquisa-intervenção que tem como objetivo compreender a dinâmica da violência na relação conjugal e construir um modelo de intervenção junto a casais baseado na perspetiva de gênero. Trata-se de uma abordagem psicossocial que utiliza o conceito de gênero como uma categoria básica de análise para apreender os processos conscientes, inconscientes, históricos e sociais presentes na dinâmica da violência de gênero. Parte do princípio de que as relações de gênero são relações dialéticas onde ambas as partes detêm poder, embora de forma desigual. Enfatiza a dimensão relacional do gênero e busca compreender as tramas presentes nos diferentes arranjos conjugais, trabalhando conjuntamente, com agressores e agredidos, para desvendar e desconstruir os processos que levam os casais a construírem relações conjugais violentas. É uma abordagem que se distancia da idéia de "vitimização" e culpabilização e dos estereótipos que levam homens e mulheres a assumirem posições e papéis de vítimas e algozes. Os resultados preliminares da pesquisa têm mostrado que os casais que se dispõem a enfrentar esse desafio têm encontrado formas mais criativas e satisfatórias de relacionamento conjugal, social e familiar. Esta pesquisa está vinculada a um Projeto de Extensão em desenvolvimento na Universidade Estadual Paulista/Unesp, na cidade de Assis(SP).


Simone Becker
A tipificação do estupro intra-familiar no Tribunal de Justiça do Paraná
Por que há um número ínfimo de condenações no TJPR pela prática do estupro nas relações conjugais (marido contra mulher) e nas incestuosas (pai contra filha), proporcionalmente às crescentes queixas formalizadas na Delegacia da Mulher ou veiculadas na imprensa local? Motivada por essa inquietação, busco compreender quais são os critérios que permeiam as condenações desses estupros no TJPR. Meu recorte etnográfico privilegiará a análise de certos documentos que formam os processos judiciais, tais como: acórdãos; sentenças; laudos periciais; etc. Pretendo, então, entender a lógica de determinadas (viol)ações ou violências domésticas (e sexuais), num contexto jurídico pós Constituição de 1988.


Vanessa Juliana da Silva Santos - vjulian@furb.br
Violência de gênero no espaço doméstico: quem são os sujeitos envolvidos?
Esta comunicação trata dos resultados da pesquisa "Caracterização dos Atores Sociais que Vivenciam a Violência de Gênero no Espaço Doméstico", realizada com a população usuária do Serviço Judiciário - FURB, no ano de 2001. Objetivo: aprofundar o conhecimento sobre os atores sociais que vivenciam a violência de gênero no espaço doméstico, visando a discussão de formas de enfrentamento a esta questão. Resultados: - os agressores são preferencialmente homens (94%); - 72% são casados e 28% vivem em união estável; - as mulheres (agredidas) apresentam ocupações em trabalhos domésticos enquanto os homens (agressores) têm maior domínio do espaço público; - 68,62% das agressões foram associadas ao uso de substâncias psicoativas, destacamos o álcool, com 91,42% de incidência; - 56,86% registraram Boletim de Ocorrência; - a violência é um fenômeno escondido em nome da honra familiar; - a violência doméstica ocorre devido às desigualdades de gênero.


Theophilos Rifiotis - theo@cfh.ufsc.br
O privado é público... Dilemas de uma narrativa política e jucidalizante da "violência conjugal"
Ao longo dos anos 70, foi consolidada a redefinição dos termos das agressões, conflitos e crimes contra as mulheres em termos de "violência conjugal". A construção social da "violência conjugal" é um fenômeno da maior complexidade política. De um lado, ela tem uma natureza transversal, ou seja ela é ao mesmo tempo local e global, e por outro ela implica atransformação das fronteiras entre o campo privado e público. As "soluçõeslocais", geralmente juducilizantes, são a forma mais constante egeneralizada de luta contra a impunidade nestes casos. Nesta luta os serviços de polícia estiveram sempre presentes. No Brasil tivemos destacadamente a Delegacia Especial de Apoio da Mulher (DEAM), nos Estados Unidos as políticas de detenção dos agressores, no Canadá as diretivas policiais específicas. Assim, a polícia deixa de ser um mecanismo de controle de última instância para tornar-se, local e globalmente, o instrumento, o recurso social mais facilmente mobilizado de ação social. Comparando os resultados dos estudos atuais sobre as DEAMs, as políticas policiais nos Estados Unidos e no Canadá, discutimos os limites e dilemas políticos da judicialização no âmbito da "violência conjugal".