COMUNICAÇÕES LIVRES

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Violência II
Coord: Carmem H. de Campos
Local:Sala 200 - CCE
Data:11/10/2002



Adriana Poci Palumbro Rodrigues -
biehler@terra.com.br
A dupla violência de gênero: o incesto e a prostituição
Este trabalho problematiza o campo de pesquisa ampliando a discussão sobre a condição de gênero da criança submetida à dupla violência : o incesto e a prostituição.Ao questionaar se a criança tem voz sobre suas decisões como lhe garante o ECA, se ela é sujeito de seu devir, evidencia-se a dupla violência a que a criança/menina é submetida em relação ao incesto e à prostituição. Politicamente, a postura continua atrelada a universalidades e naturalizações reguláveis por adultos, inclusive na violência doméstica e exploração sexual. Pesquisar modos de subjetivação na infância objetivando desconstruir o paradigma da criança/menina submetida à perversidade de violências simbólicas e reais, é politicamente nosso instrumento de combate. Daí a razão para nossas pesquisas e para a construção deste trabalho.


Catarina Maria Schmickler - catarina@mbox1.ufsc.br
As relações de gênero numa família incestuosa
Pesquisa realizada com homens abusadores sexuais de filhas e enteadas que cumprem pena na Penitenciária de Florianópolis-SC, revelou o quanto os processos sociais e individuais contribuíram para a aquisição de uma identidade de gênero, seja para os homens perpetradores, seja para as mulheres, mães das vítimas. É evidente uma relação de dominação do gênero masculino que desqualifica e subalterniza a mulher ao mesmo tempo em que esta se indigna como resultado de um lento, mas gradativo processo de resistência na desconstrução de uma lógica patriarcal. As famílias, sobretudo as que vieram de área rural, respaldam-se em ideários hierárquicos e centralizados no poder masculino e as mulheres tornam-se incapazes de proteger a filha do abuso sexual protagonizado por seus companheiros, mesmo que dele tenham conhecimento.


Elisete Schuauad
Lôidy P. de Lima -
ll_lima@yahoo.com.br
Osicleide de Lima Bezerra
Vitória Vergas Andrade Garcia

Violência e relações de gênero: uma análise do depoimento de mulheres vítimas de agressões
A violência é um fenômeno social que insere-se em todas os âmbitos sociais; na vida cotidiana, nos bairros, nas grandes cidades, nas escolas, nos bailes, no trânsito, nas relações conjugais. A violência contra a mulher é uma das formas de violência mais freqüentes e encobertas, é ainda, um problema que envolve uma rede de poderes e contra poderes entre o masculino e o feminino. Este trabalho propõe apresentar uma análise do discurso de mulheres que deram seu depoimento na Delegacia de Mulheres de Natal/RN, privilegiando o conceito de gênero, no sentido de desvendar como se dá a construção cultural do feminino frágil, dócil, submisso e suscetível de agressões por parte do elemento masculino dotado de poder e de autoridade.


Luizangela Costa Padilha - luipadilha@bol.com.br
Exame de defloramento: o segundo estupro
Nesta comunicação será apresentado um projeto de pesquisa acadêmica que realizará um breve histórico do estupro, da antigüidade até a atualidade, analisando as mudanças ocorridas na legislação e discutindo os temas da Medicina Legal e da Medicina, enfocando as concepções sobre o corpo e a saúde feminina no início do século XX. A pesquisa tem como problemática a seguinte questão: O Exame de Defloramento, realizado em vítimas de estupro, pode ser caracterizado como mais uma forma de violência sexual? E para responder tal questão será feita a leitura de várias bibliografias, também serão analisados almanaques de Ciência Popular do início do século XX e Processos-crime contendo Exames de Defloramento.


Yolanda Flores e Silva - vsilva@amja.org.br
Riscos potenciais turísticos e tráfico de mulheres - o fênomeno em Santa Catarina
O desenvolvimento do Turismo no mundo e mais especificamente no Brasil, vem despertando a necessidade de estudos sobre o aumento da exploração sexual em casas de prostituição, assim como o Turismo Sexual envolvendo mulheres de 8 - 20 anos. Os caminhos e as rotas da prostituição infanto-juvenil associado ao tráfico destas meninas-mulheres para outros países, é parte do estudo que realizo associada a equipe de policiais da Delegacia de Proteção a Mulher e o Menor em Itajaí - SC. Além de um mapeamento dos casos identificados e denunciados, analisamos a intensificação do fenômeno e a necessidade de aplicação das normas de conduta e punições da Carta do Turismo e do Código do Turista da Organização Mundial do Turismo, adotados em 1985.Apresentamos também algumas ações concretas para inibição de pedófilos e outros personagens (abusadores preferenciais e ocasionais) que atuam no tráfico e na exploração sexual junto a agentes de viagens na região do Vale do Itajaí.


Carmen Hein de Campos - carmencampos@via-rs.net
Liberdade sexual, direito fundamental
Nessa comunicação pretendo demonstrar como a jurisprudência (decisões dos tribunais) e a doutrina (pensamento dos juristas) estão a impor um controle sobre a sexualidade feminina. A possibilidade de o marido praticar estupro na relação conjugal e este ser interpretado como "exercício regular do direito" viola o direito à liberdade sexual e o princípio constitucional da dignidade. Essa interpretação do direito pretende estabelecer uma política jurídico-sexual de controle sobre o corpo e autonomia feminina, definindo o que pode e o que não pode ser interpretado como liberdade sexual para as mulheres.